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Radar meteorológico prevê confusão entre duas cidades

A notícia de que um radar meteorológico seria instalado junto à Barragem de Ponte Nova deixou eufóricos os prefeitos de Biritiba Mirim e Salesópolis, cidades limítrofes, que dividiam as águas do reservatório. Imediatamente, ambos passaram a sonhar com os nomes de suas cidades sendo repetidos nos veículos de comunicação, especialmente rádio e televisão, toda vez […]

Por O Diário
06/02/2022 09h22, Atualizado há 55 meses

A notícia de que um radar meteorológico seria instalado junto à Barragem de Ponte Nova deixou eufóricos os prefeitos de Biritiba Mirim e Salesópolis, cidades limítrofes, que dividiam as águas do reservatório.

Imediatamente, ambos passaram a sonhar com os nomes de suas cidades sendo repetidos nos veículos de comunicação, especialmente rádio e televisão, toda vez que fosse divulgada a previsão do tempo.
O equipamento de ares futuristas começou a ser instalado.

Era o mês de maio de 1988, quando os prefeitos Benedito Freitas, por Biritiba; e Massayuki Uono, por Salesópolis descobriram que precisariam fazer pressão para que o governado da época, Orestes Quércia, desse ao radar o nome da cidade que cada um passou a defender, com unhas e dentes.

“Eu exijo que o radar tenha o nome de Biritiba!”, disse, bem a seu estilo, o espalhafatoso Freitas, cofiando o bigodão, à la Pancho Villa, que ostentava, quase sempre envergando um terno especialmente branco, onde se destacava uma gravata vermelho-sangue.

Mais modesto, Uono foi para a imprensa garantir que Salesópolis também reivindicava o radar. Afinal, a maior parte do reservatório da Barragem de Ponte Nova localizava-se justamente no território de sua cidade.

O bate-boca entre os dois prefeitos foi ganhando contornos cada vez mais beligerantes, à medida que se aproximava o dia da inauguração e o governador Orestes Quércia não dava a mínima pista de qual cidade teria o seu nome vinculado ao equipamento fabricado pela McGill University do Canadá, o que dava uma pompa ainda mais especial a quem pudesse ostentá-lo em seu território.

Imaginem que o radar teria capacidade de rastrear a camada da atmosfera entre a superfície terrestre e a altitude de 18 km, num raio de 180 km, possibilitando a identificação da localização, do tamanho, da intensidade e do deslocamento de sistemas meteorológicos que passam pela região Leste do Estado, Sul de Minas Gerais e Sul do Rio de Janeiro.

A cada novo dado divulgado a respeito do radar, fazia crescer ainda mais a disputa entre as duas cidades, que recebia atenções nacionais, já que seu conteúdo folclórico começava a atrair a atenção dos grandes jornais e televisões da Capital. 

E, enfim, chegou o tão esperado dia, em que o concorrido radar seria inaugurado na presença do governador do Estado que, à época, arrastava com ele uma enorme entourage para um evento como aquele.

O suspense permaneceu até a hora em que Orestes Quércia descerrou a placa comemorativa daquele momento histórico, instalada em cima da hora, para não quebrar o suspense.

E qual não foi a surpresa generalizada quando todos notaram que o governador havia optado por uma solução salomônica para o embate, simplesmente denominando o equipamento como “Radar Meteorológico da Barragem de Ponte Nova”. 

Os dois prefeitos e suas respectivas claques não conseguiram disfarçar a enorme decepção durante o restante do evento.

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