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Religiosos também são personagens de boas histórias da política

Padres católicos, no exercício da religiosidade, se tornam, naturalmente, fontes ou personagens de boas histórias. Quando resolvem ingressar na política, então, os causos duplicam. Sobre eles, surgem as mais diferentes histórias, a maioria das vezes não comprovadas. Conta-se, por exemplo, que Padre Melo, candidato a deputado federal, tinha um compromisso urgente que acabaria por impossibilitar […]

Por O Diário
03/09/2021 12h11, Atualizado há 60 meses

Padres católicos, no exercício da religiosidade, se tornam, naturalmente, fontes ou personagens de boas histórias. Quando resolvem ingressar na política, então, os causos duplicam. Sobre eles, surgem as mais diferentes histórias, a maioria das vezes não comprovadas.
Conta-se, por exemplo, que Padre Melo, candidato a deputado federal, tinha um compromisso urgente que acabaria por impossibilitar sua ida à região do ABC para batizar a filha de um grande cabo eleitoral, garantia de mais de uma centena de votos.
Religioso convicto,  o amigo Joaquim Padeiro, de Biritiba Mirim, conhecia como poucos os rituais da Igreja. E como o padre candidato era pouco conhecido pelos lados do ABC, decidiu escalar Joaquim para batizar a recém-nascida. 
Batina preta, o biritibano seguiu para o destino, cumpriu a missão com absoluto êxito e garantiu os votos que ajudaram o verdadeiro padre a conquistar sua vaga junto à Câmara Federal.  
Esta também envolve o mesmo Padre Melo, quando ainda vivia no Ceará, e era conhecido como Padre Lima, por conta do pai, Manoel Bezerra de Lima Filho, o que empresta o nome  à avenida que passa entre a UMC e o Mogi Shopping, cá na cidade. 
O padre cearense contava com os serviços de Melquíades Machado Portela, o sacristão que ajudava Melo nas missas e acabou vindo também parar em Mogi das Cruzes, onde se formou médico e se tornou vice-prefeito de Waldemar Costa Filho.
Mas voltemos a Crateús, no Ceará, para uma missa de domingo, que seria celebrada pelo padre e o sacristão.
Já no altar, o padre chamou o coroinha de lado e lhe disse: “Melquíades, vá até a sacristia e traga-me o sanguíneo”. 
O ajudante tremeu na base. Afinal, nunca ouvira falar no tal sanguíneo e, em plena cerimônia, com a igreja lotada, não havia tempo – e nem condições – de indagar ao sacerdote, que diabos seria a tal encomenda. 
Pernas bambas, lá foi ele, em silêncio, para a sacristia, local onde eram guardados os paramentos e outros acessórios utilizados nas cerimônias religiosas ali celebradas. 
Pensou por alguns instantes e, por fim, acabou levando para o padre uma enorme toalha que encontrou por lá, numa das gavetas. 
O Padre Lima não conseguiu conter o riso, mesmo diante dos fiéis frequentadores da celebração. 
Somente depois da missa, Melquíades ficou sabendo que o sanguíneo era apenas um lencinho comprido, com uma cruz desenhada numa das extremidades, normalmente usado pelo sacerdote para limpar o cálice do vinho, tomado durante as missas. 
Caso semelhante teria ocorrido em Minas Gerais, como conta Zé Abelha, no livo “Mineirices”: o monsenhor Aristides Rocha, mineirinho astuto, que fazia política no velho PSD, foi celebrar missa em uma paróquia onde o sacristão apreciava uma boa aguardente. 
No dia, o sacristão, seguindo o ritual, sobe o degrau do altar com a pequena bandeja e as garrafinhas de vinho e água, e não vê uma pequena barata circulando entre as peças do altar.
Monsenhor interrompe o seu latim e, de olho na bandeja, diz baixinho ao sacristão: 
“Mata o bicho…” 
Sem entender a ordem, ele fica olhando para o jovem padre, que repete a determinação, com muito mais energia. 
Ordem dada, ordem executada. 
Diante dos fieis que lotam a capela, ele pega a garrafinha e, num gole só, sorve todo o vinho da santa missa. 
No interior de Minas, “matar o bicho” é dar uma boa talagada.

 

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