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RUD e empresas da região enfrentam dificuldades para contratar

Com a retomada da economia e o cenário de recuperação da atividade industrial, incluindo outros segmentos, o principal desafio das empresas de Mogi e região é conseguir selecionar candidatos e preencher as vagas disponíveis.  Atualmente, o Brasil tem 12 milhões de desempregados e mesmo assim sobram vagas à espera de mão de obra qualificada, em […]

Por O Diário
02/04/2022 09h10, Atualizado há 53 meses

Com a retomada da economia e o cenário de recuperação da atividade industrial, incluindo outros segmentos, o principal desafio das empresas de Mogi e região é conseguir selecionar candidatos e preencher as vagas disponíveis. 

Atualmente, o Brasil tem 12 milhões de desempregados e mesmo assim sobram vagas à espera de mão de obra qualificada, em especial de nível técnico e operacional. 

Ocorrendo há anos, a dificuldade de contratação se acentuou ainda mais com a pandemia, isto porque a educação de nível médio no país, que já não atingia os níveis desejados, foi ainda mais prejudicada. Com a formação básica deficiente e o desinteresse na continuidade dos estudos, seja em cursos profissionalizantes ou de formação técnica, candidatos têm dificuldades em conseguir o primeiro emprego. 

A experiência não é requisito obrigatório em algumas empresas, como na RUD Correntes e Equipamentos Industriais, multinacional alemã, fundada há quase 150 anos e que possui uma unidade na América Latina, instalada em Mogi das Cruzes desde 1978. Produz 300 a 400 toneladas de equipamentos por mês, mas enfrenta grandes dificuldades na contratação de mão de obra mais qualificada e treinada para atender a esta demanda atual e a sua necessidade de expansão. 

Há 15 anos acompanhando a evolução do mercado de trabalho e o comportamento dos candidatos a vagas de emprego na RUD, a gerente de Recursos Humanos da empresa, Kelly Queiroz Carvalho, relata as principais dificuldades de contratação. 

“Hoje, novas tecnologias estão sendo inseridas na indústria; os processos produtivos são mais automatizados, requerem conhecimento em automação e programação. Mesmo os processos mais simples exigem que o candidato tenha habilidades de interpretação de texto, conhecimentos de matemática, noções de medição e principalmente interesse em aprender e evoluir”, detalha Kelly. Como exemplo ela citou que nos últimos meses tenta preencher vagas para funções como ajudante de produção, operador de máquinas, torneiro, caldeireiro, soldador e técnicos de manutenção. 

De acordo com ela, a RUD tem oportunidades em que a experiência não é exigida, mas o candidato precisa ter o mínimo de conhecimento para conseguir ler e interpretar as folhas de instrução dos equipamentos que vai operar. “Quando o candidato não tem experiência, observamos outros aspectos: habilidades e conhecimentos adquiridos através de cursos, principalmente voltados para a indústria, como os oferecidos pelo Senai, Fatec’s, Etec’s, e outras instituições… Até mesmo as habilidades adquiridas em trabalhos informais e domésticos”, relata. 

Para suprir esta demanda, a RUD investe em qualificação interna. Nosso programa de treinamento é voltado para a qualificação e requalificação de colaboradores. Após a contratação, o novo colaborador é “apadrinhado” por um já experiente e acompanhado por um período mínimo de 60 dias, onde recebe outros treinamentos como Leitura e Interpretação de Desenho, Técnicas de Medição, 5S, Segurança no Trabalho… Decorrido este tempo, é avaliado se está apto a exercer as atividades do cargo que ocupará.  

“Este programa de treinamento interno garante a transferência de conhecimento, assegura os nossos padrões de qualidade e valoriza o trabalho dos colaboradores mais antigos que se sentem mais responsáveis pelos novos colegas de trabalho. Isso dá certo!”, avalia.

Outra iniciativa voltada para a formação de profissionais na empresa é o “Projeto Aprendiz”, no qual a RUD contrata jovens aprendizes não apenas para cumprir a cota exigida por lei, mas com foco na efetivação ao término do contrato, sendo que muitas vezes são efetivados antes mesmo do término. “A prioridade neste projeto é a seleção de jovens que pretendem ter uma carreira na indústria, que gostam e se identificam com as áreas da mecânica e metalurgia. A contratação após a aprendizagem é praticamente certa e só não ocorre em raros casos onde se identifica a falta de comprometimento e desempenho insuficiente”, completa Kelly.

Ela também destaca que, de um modo geral, é preciso um alinhamento das expectativas tanto da empresa quanto do candidato. “De todos os currículos que recebemos quando divulgamos uma vaga, apenas 20% estão realmente aptos a participar do processo seletivo. Em muitos casos, o candidato falta ou atrasa na entrevista; outros desistem do processo quando se deparam com o teste básico de matemática e português que aplicamos. Em algumas situações é nítida na entrevista a falta de vontade de trabalhar. Porém, o que mais nos choca são os candidatos que desistem da vaga por não querer abrir mão do seguro-desemprego”, considera. 

Hoje em dia, reforça Kelly, o perfil do candidato que procura emprego também mudou, razão pela qual a empresa aposta na divulgação de vagas na internet e nas redes sociais. 

A gerente de RH orienta as pessoas que não têm experiência e buscam uma vaga de trabalho, a procurar por qualificação, a mínima que seja, porque é muito complicado contratar alguém sem noção alguma do segmento onde pretende atuar. Kelly ainda lembra que hoje a disponibilidade de cursos gratuitos presenciais ou em formato EAD é muito mais acessível; mas não basta ter o diploma: é preciso de fato adquirir conhecimento e habilidade para conquistar a vaga. “Esta não é uma particularidade da RUD, o mesmo problema é enfrentado por todas as empresas da região e os candidatos devem entender isto”, diz.

RUD CORRENTES INDUSTRIAIS

Grupo fundado na Alemanha: 1875
Atuação: presença mundial, unidades em mais de 
80 países
Segmento: equipamentos industriais, líder em tecnologia de correntes e possuidora de mais de 500 patentes
Início no Brasil: 1978
Colaboradores em Mogi: 200
Produção em Mogi: 
300 a 400 toneladas de 
aço por mês
Informações: 
www.rud.com.br e 
email [email protected]

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