Uma história de Fumaça, o sem-teto abusado
Fumaça foi um desses personagens inesquecíveis que perambulava por Mogi nos anos 60 e 70. Toninho Andari, assessor da Promoção Social, encontrou-o, certa vez, deitado na calçada da antiga rodoviária, na praça Firmina Santana, bem no centro da cidade. Ligou para o Ambulatório e ordenou que o levassem para lá, dessem banho, comida, roupa nova […]
16/07/2021 18h28, Atualizado há 61 meses
Fumaça foi um desses personagens inesquecíveis que perambulava por Mogi nos anos 60 e 70.
Toninho Andari, assessor da Promoção Social, encontrou-o, certa vez, deitado na calçada da antiga rodoviária, na praça Firmina Santana, bem no centro da cidade.
Ligou para o Ambulatório e ordenou que o levassem para lá, dessem banho, comida, roupa nova e internação definitiva junto à Liga Humanitária.
Fumaça foi embora no dia seguinte.
Tempos depois, Toninho voltou a encontrá-lo, numa calçada do centro.
Passou-lhe um sermão e avisou que iria mandá-lo de volta para o Ambulatório.
Fumaça fez que nada ouviu. Mas quando Toninho parou de falar, ele retrucou, definitivo:
“Afinal, quanto você ganha por cada um que você manda para lá?”
O bom samaritano ouviu e decidiu deixar Fumaça por ali mesmo.
Voto a voto
Nas eleições municipais de 1982, os votos ainda eram contados a mão, um a um, verdadeiro sacrifício para apuradores, juízes e fiscais partidários que tinha de ficar de olho para que uma cédula em branco não se transformasse em voto a favor de algum candidato amigo do escrutinador.
Foram dias e dias de apuração, até que a contagem para prefeito, mais rápida que a de vereador, indicou a vitória do candidato de oposição, Antonio Carlos Machado Teixeira.
Foi uma grande festa dos oposicionistas que saíram num trenzinho pelas ruas para comemorar a vitória.
A festa desguarneceu a vigilância dos fiscais.
O suficiente para que alguns candidatos a vereador, que já haviam assumido a derrota publicamente, conseguissem “dar a volta por cima” nas últimas urnas, elegendo-se de um modo que só eles sabiam. Mas que jamais contariam.
Cuidado com o Minhocão!
Volto a lembrar aqui neste espaço uma das muitas histórias de José Albuquerque de Farias, folclórico paraibano, cujas histórias são contadas por Sebastião Nery e outros que conviveram ou tomaram conhecimento de suas incríveis tiradas.
Certa vez, ele teria vindo para São Paulo e estava no Brooklyn quando chamou um táxi.
Queria se dirigir até a Central da Globo.
Quando o carro chegou, ele se espantou: era uma mulher ao volante, coisa que ele não costumava ver pelas bandas da Paraíba.
A motorista, gentilmente, lhe pergunta: “O senhor quer que eu pegue o Minhocão ?”
Desconhecendo tratar-se do Elevado Costa e Silva, ele disparou, de pronto: “Se a senhora souber dirigir só com uma mão, fique à vontade”. A corrida terminou antes mesmo de começar…