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Veja como uma manchete de jornal pode mudar muita coisa numa cidade

Ele, até hoje, ainda se diverte todo vez que é lembrado a respeito do assunto que entrou definitivamente para o folclore político de Mogi das Cruzes. A história abaixo é contada  pelo conhecido engenheiro e construtor, Claudio Martins, ao relembrar os seus bons tempos de presidente da Companhia de Desenvolvimento de Mogi das Cruzes, a […]

13 de agosto de 2023

Reportagem de: O Diário

Ele, até hoje, ainda se diverte todo vez que é lembrado a respeito do assunto que entrou definitivamente para o folclore político de Mogi das Cruzes.

A história abaixo é contada  pelo conhecido engenheiro e construtor, Claudio Martins, ao relembrar os seus bons tempos de presidente da Companhia de Desenvolvimento de Mogi das Cruzes, a Codemo, durante a administração do falecido prefeito Francisco Ribeiro Nogueira, o Chico Nogueira.

Vale a pena recordar o causo que o próprio Claudio Martins contou para esta coluna, num momento em que as ruas da cidade estão passando por uma faxina geral, com tapa-buracos e, pricipalmente, asfalto novo:

“No final de 1993 e começo de 1994, o prefeito de então, Chico Nogueira, autorizou a Codemo, da qual eu era o presidente, a executar o recapeamento asfáltico das ruas centrais de Mogi das Cruzes, quase todas em paralelepípedos.

Iniciamos os serviços pela rua Dr. Deodato Wertheimer, a partir da rua Ipiranga, até a praça Firmina Santana, da antiga rodoviária. 

Foi num sábado e embora dia de movimento forte no comércio, o asfaltamento transcorreu normalmente. 

Acompanhei de perto as obras e tive inúmeros contatos com os comerciantes do local que, mesmo lamentando o transtorno, aprovaram o serviço. 

Enquanto isso, o Chico viajou para Brasília.

Na segunda-feira cedo, mal cheguei à Prefeitura, fui chamado às pressas  pelo prefeito que mandou paralisar tudo, já que, segundo ele, estavam criticando o recapeamento.
Voltei para o meu gabinete aborrecido, pois não consegui convencê-lo do contrário quando, de repente, fui instado por uma repórter do jornal O Diário de Mogi indagando a respeito da repercussão  do início do recapeamento na área central da cidade.

Argumentei  sobre a minha frustração, certo de que o Chico Nogueira  não teve tempo hábil  para obter informação segura do anseio do mogiano.

E aí surgiu uma ideia que poderia virar o jogo.

Pedi à repórter que fizesse uma enquete junto à população da área central, especialmente com os comerciantes,  sobre as obras na Dr. Deodato. 

E não deu outra:

No sábado seguinte, saiu em manchete de primeira página:

‘Mais de 90% aprovaram o asfalto no centro de Mogi’.

Ato contínuo, o Chico Nogueira voltou a me chamar, às pressas, em seu gabinete. E ordenou:

‘Você viu o jornal? Então toca as obras!’” 

E assim foi feito. O asfalto daquela época, continua lá até hoje.

Dinheirinho difícil

Argêu Batalha foi assessor de mais de uma dezena de prefeitos mogianos.

Conhecia tudo dentro  da Prefeitura, uma época em que nem se sonhava com computadores.

Além de competente, era sóbrio e altamente profissional.

Com ele, o que se passava na Prefeitura, morria lá dentro.

Certa vez, um prefeito recém-empossado passou a chamá-lo com frequência  acima do normal ao gabinete.

Parecia querer lhe dizer algo, mas não dizia. 

Acabava adiando. E mal Argêu chegava ao seu gabinete, lá estava o prefeito fazendo com que ele retornasse para tirar as dúvidas mais elementares, nem sempre ligadas às atividades do Executivo.

Até que, certo dia, o jovem prefeito  não resistiu e foi direto ao assunto:

“Professor Argêu, eu já estou há várias semanas no cargo. E como é que a gente faz para ganhar um dinheirinho aqui na Prefeitura?”

Dureza de governo

Outra de Argêu, que merece ser relembrada.

Reza a lenda que um desalentado prefeito de Mogi das Cruzes estava de mal com a vida , quando decidiu procurar o eterno assessor, Argêu Batalha.

Queria desabafar sobre as coisas que não davam certo em seu governo, onde nada conseguia sair do papel, apesar da insistência e da força de vontade do comandante.

O prefeito punha a culpa na equipe de governo que não conseguia trabalhar no ritmo por ele pretendido. “O que o senhor acha dos seus assessores?” – indagou Argêu.

E o prefeito então lhe deu a seguinte resposta: “Professor, a metade deles não é capaz de nada e a outra metade é capaz de tudo”.

Nem o velho Argêu conseguiu dar jeito.

Traidor… Eu?
O jornalista Ferreira Netto, que ficou conhecido como apresentador de programas políticos na televisão, decidiu se candidatar a senador por São Paulo, ao lado de Paulo Maluf, que num final de sábado veio visitar o amigo Waldemar Costa Filho, em Mogi.

O prefeito apoiava Maluf  para governador, mas seu candidato ao Senado não era do mesmo partido. Waldemar apoiava o candidato do PL, onde já estava o seu filho.

Ferreira se aproximou de Waldemar, no gabinete lotado de políticos, e disse, para que todos ouvissem:

“Então você é o traidor que não me apoia…”

A frase terminou ali, com o prefeito partindo para cima do grandalhão:

“Vou te mostrar quem é o traidor!”.

A confusão só não se degenerou porque a turma do “deixa disso” entrou em ação.
 

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