Visita de governador mostra do que a campanha eleitoral é capaz
A campanha eleitoral é mesmo capaz de operar verdadeiros milagres. Como trazer a Mogi, pela primeira vez, durante o atual mandato, o ex-vice e atual governador do Estado de São Paulo, Rodrigo Garcia (PSDB). E não foi uma simples visita. Depois de, semanas atrás, haver batido o martelo contra a instalação de um pedágio na […]
07/04/2022 08h23, Atualizado há 52 meses
A campanha eleitoral é mesmo capaz de operar verdadeiros milagres. Como trazer a Mogi, pela primeira vez, durante o atual mandato, o ex-vice e atual governador do Estado de São Paulo, Rodrigo Garcia (PSDB).
E não foi uma simples visita.
Depois de, semanas atrás, haver batido o martelo contra a instalação de um pedágio na rodovia Mogi-Dutra, que seu próprio governo havia inventado, o virtual candidato a permanecer no cargo de governador veio para a cidade com a mala de bondades lotada.
Anunciou para dentro de mais alguns dias o início do funcionamento do Bom Prato no distrito de Jundiapeba, emperrado há mais de ano, e foi ainda mais longe: disse tudo o que o mogiano queria e precisava ouvir.
Garantiu que determinaria ao presidente da CPTM que esquecesse a questão do fechamento definitivo da passagem sobre a linha férrea da rua Dr. Deodato Wertheimer e foi mais além, ao anunciar as tão esperadas reformas das estações de Mogi, em especial a central, junto com a construção de uma passarela para pedestres naquela região do centro da cidade. Tudo isso e mais verbas para outras obras.
Ou seja, em alguns minutos, o governador candidato resolveu alguns problemas que se arrastam há algumas décadas em Mogi.
Ou melhor, prometeu resolver.
Mas também não houve entre os políticos locais – embevecidos diante de tantas coisas boas que acabavam de ouvir – alguém capaz de perguntar a Garcia se tudo isso teria um prazo para ser executado, ou dependeria da vitória tucana nas eleições deste final de ano.
A euforia certamente fez com que os representantes dos mogianos também se esquecessem de perguntar ao bom Garcia quando terão início as obras na estrada da Volta Fria e na ponte do Rio Abaixo, também prometidas desde o início do atual governo e ainda não executadas.
Da mesma forma que a conclusão da duplicação do trecho final da Mogi-Dutra, emperrada em seu quilômetro derradeiro, na chegada a Arujá, por conta de uma desapropriação mal sucedida por parte do DER.
Para candidato em campanha e no exercício do cargo vale tudo. Que o diga, outro que passou por esta mesma situação, há quatro anos. Naquela época, quem carregava a mala de bondades chamava-se Márcio França (PSB).
Em visitas a Mogi, já como governador de São Paulo em lugar de Geraldo Alckmin (PSDB), que havia deixado o cargo para tentar a Presidência da República, o político prometeu muita coisa.
Coisas que não constavam oficialmente do orçamento do Estado, nem estavam nos planos oficiais do governo.
Coisas que caíram no esquecimento, tão logo ele perdeu a reeleição para um adversário de nome João Doria Júnior (PSDB), aquele que, ameaçado pelo próprio França, visitou Mogi algumas vezes, especialmente na reta final de campanha, para grandes e festivas reuniões, ao lado de Marco Bertaiolli (PSD), no Clube Náutico.
França não teve mandato para fazer o que prometeu; João Doria sim, mas ainda deve à cidade a estrada (Volta Fria) e a ponte (Rio Abaixo), prometidas a seu apoiador, Bertaiolli, quem, por sinal, esteve ao lado de Rodrigo Garcia, na última terça-feira.
Como se vê, a política dá mesmo muitas e muitas voltas…