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“Zé Louquinho” canta para Costa Neto em praça de Mogi

O ex-prefeito de Aparecida, cidade do Vale do Paraíba, José Luiz Rodrigues, mais conhecido como “Zé Louquinho”, esteve em Mogi, nesta semana, para uma homenagem pública ao seu amigo e antigo companheiro de PL, Valdemar Costa Neto, que estava completando 73 anos na última quarta-feira. No Largo do Rosário, munido de um microfone acoplado a […]

Por O Diário
13/08/2021 17h35, Atualizado há 60 meses

O ex-prefeito de Aparecida, cidade do Vale do Paraíba, José Luiz Rodrigues, mais conhecido como “Zé Louquinho”, esteve em Mogi, nesta semana, para uma homenagem pública ao seu amigo e antigo companheiro de PL, Valdemar Costa Neto, que estava completando 73 anos na última quarta-feira.

No Largo do Rosário, munido de um microfone acoplado a um aparelho de som, o ex-prefeito fez jus ao apelido e à sua fama de folclórico: bem a seu modo, ele interpretou, com ajuda de um playback, as músicas “Tocando em Frente”, de Almir Sater, e “Amigo”, sucesso de Roberto Carlos, emendando um discurso onde falava de sua amizade com Costa Neto e desfiava uma série de adjetivos para classificar o seu antigo líder partidário, que não apareceu para ouvir as canções em sua homenagem. Naquele dia, Valdemar Costa Neto estava em Brasília, acompanhando os preparativos para a votação da reforma eleitoral, em primeiro turno, pela Câmara Federal.

Trajando um blazer cinza sobre um conjunto jeans, “Zé Louquinho” se apresentou aos mogianos como ex-prefeito de Aparecida, sempre ressaltando a amizade com Costa Neto. O show dele na “Praça da Marisa” – como ele chamava o Largo do Rosário –, durou pouco menos de meia hora, mas foi gravado e se transformou em vídeo postado por ele em suas redes sociais.

Pouco conhecido em Mogi, o político se notabilizou por estripulias cometidas durante o seu mandato de prefeito.

É de sua autoria, por exemplo, o projeto de lei proibindo “chuvas, trovões, raios e enchentes” na cidade, sempre inundada pelas águas do rio Paraíba, em épocas de chuvas mais intensas. Incomodado com as cobranças dos vereadores, ele se vingou com o projeto, o qual teve de ser discutido e votado pela Câmara Municipal.

Ele ainda usou suas prerrogativas de prefeito para proibir a realização de shows e bailes da cidade de Aparecida durante o período da Quaresma. E nem mesmo os padres da Basílica Nacional escaparam da onda moralizadora do chefe do Executivo. Por decreto, ele também proibiu que os religiosos usassem vestimentas comuns naquele período. Todos foram obrigados a usar batina quando saíam às ruas de Aparecida. No mesmo embalo, homens foram proibidos de usar bermudas e as mulheres as minissaias, especialmente aquelas mais audaciosas, capazes de mostrar alguma coisa acima dos joelhos.

Contra a onda de furtos de túmulos no interior do Cemitério Santa Rita, o prefeito deixou a sutileza de lado e soltou no interior do local, durante a noite, alguns exemplares de pitbulls e rotweillers ferozes. Não há notícia de que a estratégia tenha realmente funcionado. Mas deu muito que falar outra ação do prefeito que convidou seus principais amigos e vereadores para a inauguração de seu próprio túmulo, no interior do Cemitério Pio XII, também em Aparecida. Quem atendeu ao convite do alcaide encontrou uma sepultura e uma estrutura de alvenaria coberta com ladrilhos nas cores preto e branco, com um enrome símbolo do Corinthians sobre a laje superior. No discurso, “Zé Louquinho” recomendou: “É aqui que eu quero ser enterrado. Aqui será o meu Pacaembu”, disse ele, numa época em que a Arena do Corinthians ainda não existia.

Valia tudo para o folclórico prefeito de Aparecida. Até pintar o cabelo de verde e amarelo para, segundo ele, agradar ao então governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, seu conterrâneo ali do Vale. Isso, porém, não foi nada, se comparado ao dia em que ele compareceu a uma reunião dos prefeitos e prefeitas do Codivap (uma espécie de Condemat do Vale do Paraíba) trajando unicamente uma tanga que imitava a do Tarzan, lendário personagem dos gibis e do cinema. Tudo isso para protestar contra o bloqueio de R$ 700 mil que deveriam ter sido destinados à Prefeitura de Aparecida.

“Se eu estou na tanga, também tenho de vestir tanga”, explicou ele aos colegas, na reunião que aconteceu em São Bento do Sapucaí, que nunca ganhou tanta projeção na imprensa nacional como naquele dia.

O apelido de “Zé Louquinho”, com o qual venceu as eleições em Aparecida, José Luiz Rodrigues recebeu ainda jovem, quando saía pelas ruas de sua cidade, na década de 80, com uma carroça munida de alto-falantes, fazendo propaganda das lojas que vendiam artigos religiosos para os romeiros. “Já naquela época, o povo implicava comigo dizendo que meus cavalos sujavam a cidade. Um absurdo…”- avalia o Zé.

 

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