Família de criança diagnosticada com meningite acusa negligência no Pró-Criança
Prefeitura de Mogi informou que já solicitou esclarecimentos ao Instituto Alpha, Organização Social responsável pela gestão da unidade
27/09/2025 19h39, Atualizado há 6 meses
Pronto Atendimento Infantil Pró-Criança, em Mogi | Reprodução/Google Maps
A família de uma menina de dois anos de Mogi das Cruzes, diagnosticada com meningite no dia 20, acusa a equipe médica da Unidade de Pronto Atendimento Infantil Pró-Criança de ter negligenciado o atendimento à criança. Segundo o pai, Irineu Rodrigues, a família chegou a procurar a unidade três vezes antes de recorrer ao Hospital do Servidor Público, na capital paulista. Em nota, a Prefeitura de Mogi informou que já solicitou esclarecimentos ao Instituto Alpha, Organização Social responsável pela gestão da unidade Pró-Criança, quanto ao atendimento prestado (leia mais abaixo).
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O caso teve início no dia 14 deste mês. A família conta que a menina apresentou 38,5º C de febre e foi levada ao Pró-Criança. Lá, “a médica que a atendeu fez uma avaliação rápida, disse que era apenas garganta inflamada e ouvido vermelho” e prescreveu um antialérgico. O quadro da criança piorou e, no dia 17, ela voltou ao Pró-Criança.
A médica, então, segundo o pai relatou à redação do O Diário, prescreveu um antibiótico ao final novo do exame. A menina, entretanto, voltou a passar mal e a família retornou ao Pró-Criança no dia 19. Nesse dia, a família conta que a menina estava com dificuldade de andar e que foi realizado um exame de sangue e recomendaram continuar com o tratamento com o antibiótico.
O susto aconteceu no dia 20. Irineu conta que uma filha sofreu uma convulsão ao chegar em casa, na sexta-feira, e que o quadro de sonolência continuou no dia seguinte, com a menina sofrendo mais uma convulsão. A família recorreu, então ao Hospital do Servidor Público, na capital paulista, e lá, após uma série de exames, veio o diagnóstico de meningite – sendo este um dos dois casos da doença confirmados em Mogi das Cruzes.
“Agora [dia 27], ela está melhor, mas ela deu entrada na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) no sábado [dia 20]. Ela entrou com um quadro muito grave, mas na terça-feira (23) o organismo reagiu bem aos medicamentos e ela pode sair, mas segue em observação no quarto. Ontem (26), ela se queixou de dor no estômago e aí eles [os médicos] estão fazendo os exames, mas ela permanece internada. A previsão de alta é para semana que vem”, contou o pai.
Desde então, a família passou a usar as redes sociais para relatar a situação enfrentada e pedir por atenção das autoridades ao atendimento prestado na unidade.
O que diz a Prefeitura de Mogi?
A redação do O Diário procurou a Prefeitura de Mogi das Cruzes sobre o atendimento prestado na unidade de Saúde infantil e o episódio relatado por Irineu. Em nota, a administração municipal – através da Secretaria de Saúde – reforçou seu “compromisso com o acolhimento, o cuidado humanizado e a qualidade do atendimento” e afirmou que, diante do caso, solicitou esclarecimentos ao Instituto Alpha, Organização Social responsável pela gestão da unidade Pró-Criança, quanto ao atendimento prestado.
Segundo a nota enviada, o Instituto informou que a paciente passou por atendimento nas seguintes datas e recebeu os seguintes diagnósticos:
- 14 de setembro de 2025, às 18h30 – diagnóstico de faringite (dor de garganta);
- 17 de setembro de 2025, às 21h27 – diagnóstico de faringite aguda e otite média aguda (dor de ouvido);
- e 19 de setembro de 2025, às 21h22 – além dos sintomas anteriores, foram registrados episódios de vômito e miosite (inflamação muscular).
A Secretaria de Saúde também afirmou, em nota, que determinou que o Instituto Alpha entrasse em contato com a família da menina a partir do momento que foi comunicada sobre o quadro e o local de internação da paciente e que se colocasse à disposição para realizar o acompanhamento e eventual continuidade do tratamento em Mogi das Cruzes.
“A pediatra Antonieta Barbieri, médica responsável pela unidade, acompanha o caso, assim como a Coordenadoria de Gerência Hospitalar (COGERH) e a Vigilância Epidemiológica, que foi acionada, mas até o momento não recebeu a documentação comprovando o resultado positivo para meningite. A Secretaria Municipal de Saúde e Bem-Estar segue monitorando a ocorrência e mantém-se à disposição da família para o suporte necessário”, conclui a nota.