Mogi das Cruzes anuncia criação de Comitê de Crise Hídrica e intensificação da Operação Verão
Decreto de implantação do grupo de trabalho foi assinado em evento na prefeitura, com foco em ações preventivas contra a falta de água
06/01/2026 09h43, Atualizado há 3 meses
Prefeita Mara assina o decreto que institui o Comitê de Crise Hídrica | Divulgação/PMMC
A Prefeitura de Mogi das Cruzes decretou, nesta segunda-feira (5), a criação do Comitê de Crise Hídrica e Monitoramento de Eventos Climáticos, com foco na adoção de medidas emergenciais para enfrentamento da escassez de chuvas. A estiagem afetou o nível das represas da Região Metropolitana de São Paulo (RMSP), especialmente no Alto Tietê, atualmente com o menor volume entre os sistemas produtores que abastecem a Grande São Paulo.
Diante desse cenário, a prefeitura informou que medidas emergenciais já estão em andamento, como a redução de pressão na rede de distribuição de água, realizada pela Sabesp em horários alternados e por região.
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O Serviço Municipal de Águas e Esgotos (Semae) também anunciou que intensificou ações como geofonamento para detecção de vazamentos não visíveis, manutenção contínua da rede e preparação para a contratação de caminhões-pipa para reforços pontuais no abastecimento. As medidas incluem, ainda, a redução de 30% no consumo de água nos cerca de 600 prédios públicos municipais, além de campanhas de conscientização da população sobre o uso consciente dos recursos hídricos.
A criação do comitê, segundo divulgado pela prefeitura, considerou o “aumento significativo de eventos climáticos extremos, como estiagens prolongadas, chuvas escassas e ondas de calor”. Na última semana de 2025, por exemplo, Mogi das Cruzes registrou temperaturas de até 35°C, uma das cidades mais quentes de São Paulo, segundo a Defesa Civil Estadual. O cenário motivou, inclusive, alerta do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) para risco à saúde, devido ao registro de temperaturas 5°C acima da média por mais de cinco dias consecutivos.
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“A criação do Comitê de Crise Hídrica nos permite monitorar a situação em tempo real, integrar ações e proteger a população de Mogi diante dos possíveis impactos das mudanças climáticas e da escassez de água”, destacou a prefeita de Mogi das Cruzes, Mara Bertaiolli (PL).
Além das ações do comitê de crise, o evento também teve uma apresentação de um balanço da Operação Verão, iniciada em dezembro e que será intensificada, reunindo ações preventivas para prevenir incidentes em decorrência das chuvas e ampliar a estrutura de atendimento a urgências e emergências.
Notificações
Além das ações operacionais, a Prefeitura de Mogi das Cruzes, por meio do Procon Municipal, também notificou a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), solicitando esclarecimentos sobre as medidas adotadas pela concessionária diante da crise hídrica que atinge diversos municípios paulistas. O documento estabelece prazo de 10 dias para resposta sobre critérios técnicos, planejamento específico para o município, monitoramento do abastecimento e canais oficiais de comunicação à população.
O Semae também encaminhou notificação formal à Sabesp, solicitando especial atenção à manutenção da pressão da rede e aos níveis do Rio Tietê, que se encontram próximos ao limite mínimo de segurança para captação, reforçando a necessidade de ações coordenadas para evitar a decretação de racionamento no município.