Sandrão processa Amazon por série ‘Tremembé’; ação está na 1º Vara de Mogi das Cruzes
Ela acusa a série de distorcer os fatos do crime pelo qual foi condenada e pede R$ 3 milhões em indenização, além de que a série seja retirada do ar
21/11/2025 14h19, Atualizado há 15 dias
Atriz Letícia Rodrigues, como Sandrão, na série Tremembé | Divulgação/Prime Video
A ex-detenta Sandra Regina Ruiz Gomes, conhecida como Sandrão, abriu um processo contra a Amazon e a Medialand Produções. Segundo o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), ela pede uma indenização de R$ 3 milhões por danos morais, direitos de imagem e excessos de liberdade de expressão, que teriam sido cometidos na série “Tremembé”, da Prime Video. O caso está sob jurisdição da 1º Vara Cível de Mogi das Cruzes.
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Em entrevista ao O Diário, o advogado de Sandra, José Roberto Rodrigues, explicou que a autora abriu o processo por conta do que seria uma distorção entre os fatos do crime pelo qual ela foi condenada, cometido em 2003, e o que foi exposto na série.
Sandrão foi condenada a 27 anos de prisão pelo sequestro de um jovem de 14 anos, morador da periferia de Mogi das Cruzes, e que terminou em morte. A defesa da ex-detenta, que cumpre a pena em regime semiaberto desde 2015, alegou que ela teria participado apenas das ligações telefônicas à família do jovem. Na série, entretanto, Sandrão aparece como mentora do sequestro e chega a ter participação na execução da vítima.
“Se eles [os autores da série] alegam que a série foi baseada em fatos reais, eles não poderiam ter apresentado a cena que foi apresentada. No caso, a Sandra Regina, na cena que eles inventaram, aparece como organizadora do sequestro, aparece no local do óbito, ela escolhe quem vai atirar, ela segura a criança ajoelhada no chão e isso não ‘tem’ em lugar nenhum do processo. Pelo contrário, no processo, a polícia investigou e demonstrou que ela era a pessoa que fazia as ligações. Em nenhum momento o processo coloca a Sandra no local do óbito da criança”, explica o advogado.
Ainda segundo o advogado de Sandra, a Prime Video, responsável pela exibição e distribuição da série “Tremembé”, agravou a situação da ex-detenta sem dar chance de defesa para a autora do processo. Por conta da série, que estreou em outubro deste ano, Sandrão estaria sendo hostilizada e ameaçada, segundo Rodrigues.
“[Ela] teve que ir morar em área rural, afastada, para preservar a sua vida por conta de um fato que já estava resolvido desde 2015, em tese”, conclui o advogado de Sandra, que cumpre a pena em regime semiaberto.
Além da indenização de R$ 3 milhões pelos danos morais, a autora do processo pede, ainda, que a série seja retirada do ar, com pena de multa diária.
A redação do O Diário procurou a assessoria de imprensa da Amazon, responsável pela Prime Video, e da Medialand Produções e questionou qual o posicionamento das empresas frente à denúncia e às acusações de Sandrão. A matéria será atualizada assim que for divulgado o posicionamento oficial das partes.