Clínica de estética em Suzano é interditada por exercício ilegal da profissão e outras irregularidades
Fiscalização também flagrou reutilização de materiais descartáveis e armazenamento irregular de medicamentos; inquérito policial foi instaurado para apurar responsabilidades
06/11/2025 10h07, Atualizado há 5 meses
Uma clínica de estética foi interditada pela Vigilância Sanitária de Suzano na última terça-feira (4) após a constatação de diversas irregularidades sanitárias e profissionais. A ação, realizada com apoio da Polícia Civil, resultou na apreensão de materiais médicos, medicamentos controlados e na autuação do estabelecimento, localizado na região central da cidade. O nome do estabelecimento não foi divulgado pela administração municipal.
De acordo com a prefeitura, os fiscais encontraram seringas e cânulas que teriam sido reutilizadas em diferentes pacientes, além de fios de endolaser e membranas de criolipólise – todos de uso único e descartável. Também foram identificados medicamentos restritos a profissionais médicos e ambientes hospitalares armazenados de forma irregular, em desacordo com a Portaria 344/1998 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), além de produtos injetáveis vencidos.
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Durante a ação, foram apreendidos medicamentos, ampolas, agulhas, cânulas e outros insumos utilizados nos procedimentos. O estabelecimento permanecerá interditado até que todas as pendências sejam regularizadas e a documentação profissional seja apresentada.
Procedimentos irregulares
Segundo a pasta, no momento da fiscalização, uma paciente havia acabado de realizar um procedimento estético de endolaser – prática invasiva restrita a profissionais habilitados. A técnica responsável se apresentou como biomédica, mas, ao ser questionada, afirmou estar cursando Biomedicina e apresentou apenas diploma técnico em Estética, o que não a habilita a executar o procedimento.
Outra cliente, que aguardava atendimento, relatou que seria submetida à escleroterapia, conhecida como “secagem de vasos”, também pela mesma profissional. No local, os fiscais encontraram material publicitário com a imagem da técnica trajando jaleco e identificação de biomédica.
O responsável legal pela clínica afirmou que os materiais supostamente reutilizados estavam apenas armazenados para descarte e que a profissional havia sido desligada dias antes da fiscalização. Ele disse ainda que o estabelecimento estava em processo de contratação de uma nova colaboradora devidamente habilitada. Apesar da justificativa, os fiscais constataram que os materiais descartáveis não estavam em recipientes adequados e que havia medicamentos vencidos em locais de fácil acesso.
Investigação
A Polícia Civil instaurou inquérito para investigar as possíveis infrações, que incluem crimes previstos nos artigos 273 e 282 do Código Penal (falsificação, corrupção, adulteração ou alteração de produtos terapêuticos e exercício ilegal da medicina ou de profissões correlatas). O caso será analisado com base em relatório técnico detalhado que será elaborado pela Vigilância Sanitária.
A diretora da Vigilância Sanitária de Suzano, Carmen Lucia Lorente, informou que a operação foi motivada por denúncias anônimas.
“A Vigilância Sanitária tem como missão proteger a saúde pública, e por isso atuamos com rigor diante de situações que representam risco à saúde dos pacientes. A reutilização de materiais descartáveis e o uso irregular de medicamentos são práticas extremamente perigosas, que podem causar infecções graves e outras complicações”, afirmou.
Ela destacou ainda que o órgão realiza fiscalizações de rotina em estabelecimentos de saúde e estética em toda a cidade.
“A população precisa ter a segurança de que os locais onde busca atendimento estejam devidamente licenciados e sigam as normas sanitárias. A atuação irregular de profissionais e o descumprimento das regras colocam vidas em risco e não serão tolerados”, completou.
Denúncias à Vigilância Sanitária de Suzano podem ser feitas à Ouvidoria Geral do Município pelo número 0800-774-2007, pelo e-mail [email protected] ou pelos telefones (11) 4745-2063, 4745-2070 e 4745-2060. As denúncias podem ser anônimas e devem ser feitas para relatar irregularidades em estabelecimentos de saúde, alimentícios e outros locais fiscalizados pelo órgão.