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‘Já fiz bebê para mãe que perdeu o filho’, diz artesã reborn de Suzano 

Amanda Soares viu na arte dos bebês reborn – bonecas realistas – uma nova oportunidade de trabalho e também de afeto

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22/05/2025 19h08, Atualizado há 6 meses

Depois de fechar sua loja de festas na pandemia do novo coronavírus (Covid-19), a suzanense Amanda Soares viu na arte dos bebês reborn – bonecas realistas –, uma nova oportunidade de trabalho e também de afeto. “Tem cliente que perdeu o filho e queria um bebê pela aproximação, ou até quem sofreu muito com o marido, se separou e, agora, com os filhos crescidos, se sente sozinha”, relata.

“Acredito que quem adotou meus bebês têm muito carinho por eles e é como uma distração, companhia, carinho e afeto pelo item de coleção, muita felicidade para a família que adota”, conta. Ela destaca que, hoje, vende suas criações para clientes de Suzano e outras regiões. 

Amanda relata que a procura pelos reborns cresceu muito nos últimos anos, impulsionada pela curiosidade despertada após participar de feiras e conceder entrevistas. Ela observa que, além de colecionadores e pessoas que sempre gostaram de bonecas, aqueles que passaram por processos de perda ou solidão também buscam os bebês.

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Segundo Amanda, cada bebê leva de uma semana a 15 dias para ser produzido, passando por várias etapas: pintura e aplicação de vernizes que vão ao forno, implantação fio a fio  dos cabelos, confecção dos olhos e até a separação do enxoval.

Efeito psicológico

A psicóloga Naiara Amaral explica que os bebês reborn podem ter funções benéficas: ajudam na distração, reduzem o estresse e podem até servir como objetos de elaboração do luto. 

“Quando colecionado, é uma distração contra pensamentos intrusivos e disfuncionais, uma ocupação saudável. Como objeto de elaboração de luto, os bebês reborns ganham um espaço no vazio para uma mãe que perdeu um filho ou de uma gestação que não foi possível”, afirma.

Naiara ressalta, porém, que o excesso pode representar um risco: “Os bebês reborns não são um risco, o risco está no uso que é feito deles. A fantasia, quando sobrepõe a vida real, pode gerar prejuízos financeiros, sociais e profissionais”, diz. 

A psicóloga explica que o bebê reborn pode ser um importante recurso terapêutico quando usado conscientemente, servindo como apoio emocional em casos de ansiedade, solidão ou na elaboração de perdas. 

“Eles ganham uma função terapêutica na distração saudável que podem promover, como se fossem uma forma de silenciar a mente das preocupações do dia a dia, reduzindo assim os níveis de estresse”, detalha.

Além disso, podem ajudar no desenvolvimento de habilidades, servirem como veículo para evocar lembranças e até no cuidado de questões emocionais ou deficiências neurológicas. A psicóloga ressalta que a relação afetiva com objetos inanimados é comum.

“Nós, seres humanos, podemos criar relações de afeto com objetos. O afeto pode vir por um marco de alguma conquista ou também pode ser o simbolismo de uma função importante que o bebê reborn teve na vida de alguém”, finaliza a psicóloga. 

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