URGENTE: Mogi cria “fase crítica” e vai restringir circulação de pessoas
Em uma coletiva na tarde desta sexta-feira (19), o Prefeito de Mogi, Caio Cunha (PODE) anunciou, ao lado do secretário Municipal de Saúde, Henrique Naufel, novas medidas restritivas para a cidade. Embora não seja chamada de “lockdown”, a “fase crítica” que passa a valer por pelo menos 10 dias partir da próxima segunda-feira (22) restringirá […]
19/03/2021 15h22, Atualizado há 62 meses
Em uma coletiva na tarde desta sexta-feira (19), o Prefeito de Mogi, Caio Cunha (PODE) anunciou, ao lado do secretário Municipal de Saúde, Henrique Naufel, novas medidas restritivas para a cidade. Embora não seja chamada de “lockdown”, a “fase crítica” que passa a valer por pelo menos 10 dias partir da próxima segunda-feira (22) restringirá a circulação de pessoas durante todo o dia e reduzirá o acesso aos supermercados. A previsão é de agravamento maior ainda da situação nos próximos dias..
A principal mudança entre as novas restrições é justamente o controle de pessoas nas ruas. “Na fase emergencial, que a gente está hoje, há uma restrição de circulação das 20h às 5h. A gente vai restringir a circulação durante todos os horários do dia, sendo 24 horas de restrições”, diz o chefe do Executivo.
Supermercados até poderão abrir por 24 horas, porém com menor “acesso de pessoas”. Além de não poder entrar mais de um membro por família, o estabelecimento pode ter apenas um cliente a cada 20 metros quadrados. “A gente precisa da cooperação destes pontos, que são os de maior aglomeração”, pediu Cunha.
“Eu prefiro que muitas pessoas fiquem chateadas comigo, que continuem me criticando, do que ter a infelicidade da notícia de que uma pessoa não conseguiu ser atendida em um hospital em Mogi por falta de capacidade. A gente tem se desdobrado todo dia, todas as horas, para tentar suprir a alta demanda de procura e necessidade de leitos. A solução não está nos leitos de UTI, e sim na vacina e distanciamento social. Precisamos brecar o contágio dessa maldita doença”, disse Caio.
Já o Secretário de Saúde, Henrique Naufel, foi o responsável por trazer números alarmantes. “A gente aguarda uma piora da situação nos próximos dias”, disse ao reforçar que a cidade já está há oito dias com mais de 100% dos leitos de Unidade Terapia Intensiva Ocupados. “Só não estamos em colapso, mas a situação piorará. Não podemos ficar quietos”. Ele citou que o Hospital Municipal de Braz Cubas tinha, recentemente, 159 pacientes internados, sendo que podia receber no máximo até 124.
“No ano passado nós tínhamos 77 leitos de UTI habilitados, e o máximo que alcançamos foi 87% de ocupação no pico. Hoje nós dobramos o número de leitos e estamos com mais de 100%. Naquela época demoramos cinco meses para chegar nesse número, agora alcançamos 100% em 50 dias sendo que o número de leitos dobrou”.
Segundo ele, a promessa do Estado de abertura de leitos do Hospital Arnaldo Pezutti Cavalcanti ainda é lenta e a cidade corre risco de ficar sem insumos básicos, como ‘kits de intubação’.
“Nós já encaminhamos um ofício ao governo do Estado para que disponibilize mais efetivo junto a Polícia Militar e a Polícia Cívil para trazer maior sensação de segurança. Já vimos que aumentou muito a questão dos assaltos na cidade”, disse Caio.
O prefeito relevou que também já fez um pedido ao Governo do Estado pedindo que ele colocasse toda a região metropolina de São Paulo em lockdown. “A saúde de Mogi das Cruzes precisa de um folego, já temos cidades vizinhas nos pedindo ajuda e medicamente. O problema não é dinheiro, mas está faltando insumo no mercado, falta ventilador. O único motivo para não darmos o lockdown é que o mogiano e mogiana não pode ser mais prejudicado por causa da falta de iniciativa das outras cidades vizinhas e do Estado. Só faz sentido a gente fechar tudo se as outras cidades também adotarem lockdown”;
Segundo ele, atualmente 37% dos atendimentos em Mogi são de pessoas de outras cidades. “Precisamos de uma ação conjunta e aproveito para reforçar a minha cobrança para que o governo do Estado se posicione”, disse o chefe do Executivo.
O Consórcio de Desenvolvimento dos Municípios do Alto Tietê declarou hoje (18), em ofício destinado ao governador João Doria, apoio ao endurecimento das medidas restritivas na Região Metropolitana do Estado. A antecipação dos feriados, como alternativa para diminuir o fluxo de pessoas nas ruas, está sendo estudada pelos municípios.
O secretário de Saúde de Mogi das Cruzes, Henrique Naufel, já havia defendido em entrevista a O Diário nesta sexta-feira (19) a realização de um lockdown, para que haja uma queda nas novas internações e o sistema de saúde consiga abrir mais leitos para atender os pacientes com a Covid-19.
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Entenda a “fase crítica” que passa a valer em Mogi na segunda
A situação é caótica em toda a região, com os sistemas de saúde já colapsados, inclusive com registro de óbitos de pacientes que aguardavam vagas em leitos de UTI e o aumento contínuo nos novos casos e mortes por coronavírus.
Há duas semanas a taxa de ocupação de leitos de UTI na região do Alto Tietê se mantém acima de 90%. Nesta semana o índice de ocupação em leitos de enfermaria ultrapassou 100% na maioria dos municípios. A situação é mais crítica nos municípios de Arujá, Biritiba Mirim, Ferraz de Vasconcelos, Guarulhos, Itaquaquecetuba, Mogi das Cruzes, Poá, Santa Isabel e Suzano, onde os índices chegaram a 100% na UTI.
Há duas semanas a taxa de ocupação de leitos de UTI na região do Alto Tietê se mantém acima de 90%. Nesta semana o índice de ocupação em leitos de enfermaria ultrapassou 100% na maioria dos municípios. A situação é mais crítica nos municípios de Arujá, Biritiba Mirim, Ferraz de Vasconcelos, Guarulhos, Itaquaquecetuba, Mogi das Cruzes, Poá, Santa Isabel e Suzano, onde os índices chegaram a 100% na UTI.