Entregador que teve bike arremessada em córrego fala sobre ‘medo de voltar à rotina’
Em entrevista exclusiva ao O Diário, Alisson dos Santos contou os detalhes da abordagem realizada pela Guarda Civil Municipal (GCM) de Mogi das Cruzes
30/04/2026 17h36, Atualizado há 1 hora
Alisson dos Santos | Reprodução/O Diário
O jovem entregador Alisson dos Santos, de 25 anos, que teve sua bicicleta arremessada por um agente da Guarda Civil Municipal (GCM) de Mogi das Cruzes em um córrego, falou com exclusividade à equipe de O Diário durante entrevista realizada na manhã desta quinta-feira (30). Ele afirma que, no momento, ainda não há previsão para retornar ao trabalho devido ao prejuízo. “Vai ser difícil voltar à rotina [a sensação] é de medo”, disse.
VEJA ABAIXO:
Em um vídeo gravado pelo próprio Alisson, durante a abordagem, um guarda civil aparece arremessando a bicicleta em direção a um córrego após discutir com o jovem. No registro, antes de voltar à viatura, o agente diz: “Pode filmar”. Alisson continua a gravação e, na sequência, afirma: “Me agrediram, hein?”.
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Alisson relata que, no dia em que sua bicicleta foi arremessada no córrego, houve duas abordagens em um curto intervalo de tempo. O caso foi registrado no dia 24 de abril, mas ganhou repercussão na última segunda-feira (27).
“Na primeira [vez], me abordaram e perguntaram se eu estava com droga na mochila. Eu falei: ‘Não’, e me liberaram”, conta. Ainda de acordo com o entregador, ele foi parado novamente logo em seguida, ocasião em que teria sido agredido com um tapa no rosto.
“[Após a abordagem] ele [o guarda municipal] me liberou. Nessa hora, a bicicleta já estava com o pneu furado, com os aros entortados”, complementa Alisson. “Eu comecei a gravar, ele ficou bravo e arremessou a bicicleta”, finalizou o jovem. Ele afirma, ainda, que desceu até o córrego para recuperar a bicicleta.
A advogada de Alisson, Islan Damascena, afirmou em entrevista ao O Diário que “este não é um caso isolado”.
“Todas as medidas cabíveis estão sendo adotadas, em especial as administrativas, junto à prefeitura, por meio da Corregedoria da GCM”, destacou a advogada.
Já o doutor Tiago Alvarez, que também é um dos responsáveis pelo caso, afirmou que a conduta do guarda municipal ultrapassou a legalidade:
“Em uma análise jurídica, devemos lembrar que todos os agentes públicos estão submetidos à lei, em especial à Lei de Abuso de Autoridade, e qualquer conduta [que cause] humilhação ou depreciação de bens pode ser considerada ilegalidade”, pontuou.
O que diz a prefeitura?
Em nota, a Prefeitura de Mogi das Cruzes informou que, por determinação da prefeita Mara Bertaiolli (PL), a Secretaria Municipal de Segurança afastou imediatamente o guarda civil municipal alvo de denúncia de comportamento inadequado das atividades operacionais.
“Também foi aberto processo de sindicância junto à Corregedoria da Guarda Civil Municipal para apurar a conduta, que não compactua com as diretrizes da administração municipal, que prima pela qualidade da prestação de serviços e respeito ao cidadão”, completou a prefeitura.
“A Secretaria de Segurança reitera o compromisso com atuação dentro da legalidade e de apuração rigorosa dos fatos”, finalizou a administração municipal.