‘Vacinar é ato cívico’, defende padre Vicente Morlini do Instituto Pró+Vida
Em uma pandemia em que mais 2 milhões de pessoas já perderam a vida e outras cerca de 94 mil foram contaminadas pelo novo coronavírus, vacinar-se contra a Covid-19 é um “ato cívico e de amor a si e ao próximo”. A avaliação é de Alfredo Morlini, conhecido como padre Vicente, 93 anos, que há […]
15/01/2021 13h25, Atualizado há 67 meses
Em uma pandemia em que mais 2 milhões de pessoas já perderam a vida e outras cerca de 94 mil foram contaminadas pelo novo coronavírus, vacinar-se contra a Covid-19 é um “ato cívico e de amor a si e ao próximo”. A avaliação é de Alfredo Morlini, conhecido como padre Vicente, 93 anos, que há mais de 10 meses está recluso em seu apartamento, desde quando os primeiros casos da doença começaram a surgir em Mogi das Cruzes.
Com familiares na Itália, país também muito afetado pela doença, e centenas de amigos conquistados nestes 55 anos em que chegou à cidade, o italiano nascido em Reggio Emilio e formado em Filosofia (Bologna), Teologia (Roma) e Ciências Sociais (Escola de Sociologia Política da Universidade de São Paulo), enfatiza a responsabilidade de cada um para evitar a circulação do vírus e reduzir o número de óbitos e novos casos, já que no Brasil, já são mais de 207 mil mortos e cerca de 8,3 milhões de infectados.
A vacinação, reforça o padre Vicente, faz parte deste compromisso, mesmo porque, enquanto cerca de 35 milhões de pessoas já foram imunizadas no mundo, no Brasil este processo ainda não começou e enfrenta algumas resistências.
“Devemos sempre nos lembrar que, além do caráter preventivo da vacina, há o aspecto de que ela é um bem social e público, porque cada um que é vacinado protege a si e também ao próximo. E é preciso pensar nas pessoas que vivem em situações de maiores dificuldades e de fraqueza, seja pela condição social ou pela própria fragilidade da saúde. A pandemia alerta para o cuidar de si, mas também para a proteção aos demais, que é muito necessária neste momento complicado”, considera o religioso.
Vicente diz que sente-se bem, apesar do peso da idade, mas não sai do apartamento em que mora desde que começou a pandemia, além de adotar todos os cuidados necessários, conforme o médico o aconselhou. “Principalmente os idosos e demais pessoas do grupo de risco também deveriam fazer o mesmo, porque o perigo de complicações causadas pela doença é enorme e, infelizmente, já perdemos muita gente”, lamenta, lembrando a morte do cardiologista e amigo Ricardo Harada, em Mogi.
Segundo Morlini, a Covid-19 que tão rapidamente tomou conta do mundo é um fenômeno natural, que poderia mesmo ocorrer sem ser esperado, mas cabe à população seguir as recomendações para evitar sua disseminação e reduzir os danos.
“É preciso ter consciência da situação que estamos vivendo, que é algo que não imaginávamos, mas que tivemos que nos adequar para enfrentar. Então, devemos seguir os cuidados inteligentes dos médicos e demais profissionais da Saúde”, justifica.
O fundador do Instituto Pró+Vida São Sebastião, que mantém obras de assistência a idosos em Mogi, São Paulo e Caraguatatuba, também se afastou do trabalho por conta da pandemia. “É um momento delicado, que exige mudanças no modo de viver das pessoas de todo o mundo. Mas vai passar”, confia.
Grupo prioritário precisa manter cuidados após a vacinação
Na primeira etapa da campanha de vacinação contra a Covid-19, Mogi das Cruzes deve vacinar 53,8 mil pessoas acima de 60 anos de idade, 10.840 profissionais da Saúde e 45 indígenas e quilombolas.
No entanto, o público alvo desta primeira fase, com expectativa para começar na próxima semana, precisará manter o protocolo sanitário e cuidados preventivos contra o novo coronavírus adotados até o momento, já que será necessária a aplicação da segunda dose da vacina – no mínimo 21 dias após a primeira – e ainda a imunização da maioria da população, o que ainda não tem prazo para acontecer.
Prestes a ter início, a vacinação contra a Covid-19 ainda divide opiniões entre profisionais da cidade. Enquanto a maioria defende a necessidade urgente da imunização, outros têm dúvidas e se sentem inseguros, principalmente devido ao curto período de testagem da vacina.