Vereadoras eleitas em Mogi apresentam seus planos
As políticas públicas voltadas às mulheres de Mogi provavelmente terão mais destaque com o aumento da representatividade feminina na Câmara Municipal na legislatura que se inicia em 2021. A bancada triplicou, passando de uma para três cadeiras, um crescimento tímido ainda, mas o suficiente para a formação de uma frente parlamentar destinada a construir e […]
08/01/2021 16h32, Atualizado há 67 meses
As políticas públicas voltadas às mulheres de Mogi provavelmente terão mais destaque com o aumento da representatividade feminina na Câmara Municipal na legislatura que se inicia em 2021. A bancada triplicou, passando de uma para três cadeiras, um crescimento tímido ainda, mas o suficiente para a formação de uma frente parlamentar destinada a construir e discutir pautas nesta direção.
Apesar de representar partidos de diferentes ideologias, as três parlamentares – Fernanda Moreno (MDB), Inês Paz (PSOL) e Malu Fernandes (SD) – já manifestaram interese em unir forças e atuar em conjunto nessas causas.
As diferenças entre as três, na opinião delas, é um fator positivo, porque atende uma população mais diversificada. Fernanda, reeleita para o segundo mandato, está envolvida com o programa “Elas Podem”. Malu, a mais nova vereadora da Casa, tem propostas para discutir a segurança, incluindo a violência obstétrica. Inês quer representar diversas frentes em defesa das mulheres negras e da periferia.
O Diário apresenta os planos delas para as mulheres.
Inês Paz retorna para 3° mandato
Ativista política, a professora Inês Paz (PSOL) retorna para o terceiro mandato após 12 anos ausente da Câmara, disposta a atuar para dar maior empoderamento às mulheres em geral, começando pelo próprio legislativo, tanto que logo após a posse se lançou candidata à presidente da Casa. Não se elegeu, mas promete lutar por essa causa.
Ela disse que vai apoiar as mais diversas bandeiras, apostando na diversidade, o que engloba a juventude, a mulher negra, LGBTI, idosos, periferia e outras. Uma de suas propostas é a criação da creche noturna para as mulheres que trabalham à noite.
“A questão da pauta feminista que pretendo construir é relacionada especialmente à segurança, porque Mogi está atrasada no combate à violência doméstica”, disse Inês, afirmando ainda que está disposta a se unir com as colegas vereadoras para construir essa pauta, que envolve também propostas de melhorias na estrutura de atendimento da Delegacia de Defesa das Mulheres (DDM).
A vereadora explica que objetivo dela é legislar pela cidade, especialmente para a periferia, “para que a maioria dessa população, totalmente excluída do programa sociais e de sua cidadania, passe a ocupar de fato espaços com dignidade”.
Malu Fernandes, a mais jovem
A jovem vereadora Malu Fernandes (SD) pretende trabalhar com os três grandes eixos temáticos: educação e juventude, qualidade de vida e proteção das mulheres. “Todos esses eixos exigem uma forte atuação do nosso mandato em propor projetos, fiscalizar o que já existe e articular políticas públicas. Mas, também, exige a atuação do Executivo para a implementação das sugestões”, argumenta.
O objetivo dela é tentar cobrir todas as frentes possíveis, com planos que envolvem a educação para a primeira infância e creches, além de questões de segurança, incluindo problemas com a violência obstétrica, um tema que deve ter destaque em seu mandato.
Para ampliar esse debate, Malu propõe a criação de núcleos de participação temáticos, incluindo a pauta feminina. “Queremos ter uma espécie de conselho de mulheres para nos auxiliar na construção de propostas e iniciativas. Além disso, queremos contribuir para a ampliação da participação das mulheres na política institucional com formação política através de iniciativas próprias do mandato e também pela Câmara Municipal”, enfatiza a vereadora.
Fernanda foca nas mulheres
A vereadora reeleita, Fernanda Moreno (MDB), inicialmente pretende insistir na apresentação de três propostas que considera de relevância em 2021. Uma deles refere-se à conscientização dos homens que praticam a violência, chamado Tempo de Despertar, que envolve palestras, grupos de discussão e outras terapias que possam ajudar nesse processo.
Outro projeto reivindica o aumento as vagas em abrigos para as mulheres, que muitas vezes não denunciam seus agressores por não terem para onde ir. Ela sugere parcerias com pousadas e hotéis para isso.
O terceiro prevê a criação de emprego por meio de parcerias com empresas que possam dar prioridades às mulheres vítimas de violência, a fim de devolver a autoestima delas. “Às vezes, a mulher apanha por anos e quando se vê livre do agressor não tem como sobreviver”, observa, defendendo um programa de incentivos fiscais às empresas que contratarem essas pessoas.
Fernanda disse que também pretende prosseguir com o “Elas podem”, programa que ela implementou nos últimos quatro anos para criar novas lideranças e discutir os mais diversos temas do universo feminino.