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Vigilância em Saúde de Mogi alerta para riscos de manipular animais silvestres

Sâo comuns as aparições de animais silvestres em algumas residências de Mogi das Cruzes, especialmente aquelas mais afastadas do centro urbano, já que o município está cercado pela Mata Atlântica, bioma predominante da região. Mas qual é a melhor orientação nos casos em que é preciso fazer a remoção desses animais? Nesta semana, o site […]

Por O Diário
31/12/2022 13h48, Atualizado há 43 meses

Sâo comuns as aparições de animais silvestres em algumas residências de Mogi das Cruzes, especialmente aquelas mais afastadas do centro urbano, já que o município está cercado pela Mata Atlântica, bioma predominante da região. Mas qual é a melhor orientação nos casos em que é preciso fazer a remoção desses animais?

Nesta semana, o site de O Diário publicou reportagem mostrando a ação de uma dentista ao resgatar um bicho-preguiça na rodovia Mogi-Guararema. O ato, apesar de bem intencionado, chamou a atenção da diretora do Departamento de Vigilância em Saúde da Prefeitura de Mogi das Cruzes, Paula Mateus Santos, responsável pela Divisão de Zoonoses, que trata de doenças que podem ser transmitidas por animais silvestres.

A profissional procurou este jornal para falar sobre a importância do tema à população da cidade. “Mogi tem a característica de estar rodeada por área verde e é cada vez mais recorrente este tipo de situação, como a deste bicho-preguiça, recentemente divulgada na matéria. É importante informar a população que não é porque o animal silvestre é aparentemente bonitinho, que é inofensivo, como de fato não é. Então, há alguns riscos com relação à manipulação desses animais”, alertou a diretora.

Além de orientar a evitar ao máximo manipular esses animais, a vigilante diz que é preciso acionar serviços especializados em casos de necessidade de remoção de animais silvestres, seja em residências ou em vias de tráfego de veículos.

“No município, temos a Zoonoses, que fica disponível durante os dias da semana (dias úteis) no horário comercial, e um plantão veterinário que pode ser acionado através do 153, que faz esse tipo de trabalho de remoção quando é caso de invasão de residências, por exemplo. Hoje, especialmente nessa época do ano, a gente vê bastante ocorrências envolvendo morcegos e deve-se ter todo um cuidado, pois eles não devem ser manipulados”, detalhou Paula.

A história da remoção do bicho-preguiça na Mogi-Guararema, trazido em matéria recente, pode servir como exemplo sobre o risco de contato com estes animais. “O bicho preguiça, se não for pego de uma maneira adequada, pode cravar aquelas unhas que ele usa para escalar árvores no tecido da pessoa e causar acidentes graves, fora o risco de transmissão de doenças”, esclareceu a profissional.

Controle de Zoonoses

O alerta à manipulação sobre a remoção destes animais, sem o devido conhecimento e preparo, serve para tornar evidente o perigo da transmissão de zoonoses.

De acordo com o Manual Vigilância, Prevenção e Controle de Zoonoses, do Ministério da Saúde, algumas das doenças que se enquadram neste nicho são: raiva, peste, leptospirose, febre maculosa brasileira, hantavirose, doença de Chagas, febre amarela, febre de hikungunya dengue, malária e febre do Nilo Ocidental.

“Percebemos que a população está carente dessas informações, como recentemente, vimos um caso de um rapaz que postou nas redes sociais imagens dele manipulando um morcego com a mão. Esses animais podem estar envolvidos com a transmissão, inclusive, de raiva, que é uma doença praticamente sem cura. Existe a profilaxia nesse caso, mas se não for feita rapidamente de maneira adequada, o óbito é quase certo”, explicou a vigilante.

Curiosidades sobre o bicho-preguiça

Se você se encantou pelo animal nas fotos registradas nas redes sociais da dentista Patrícia Kapicius e publicadas na matéria deste jornal, vai gostar de conhecer um pouco mais sobre essa espécie comum na nossa Mata Atlântica.

O bicho-preguiça, ou também chamado apenas de preguiça, é encontrado na natureza em diferentes espécies. O resgatado na rodovia Mogi-Guararema é a Preguiça-comum (Bradypus variegatus), que habita regiões de florestas, localizada em países como o Brasil, Peru, Venezuela, Nicarágua, entre outros, habitando desde a América Central até a América do Sul

A espécie mede cerca de 60 cm e pesa em torno de 4 kg, tem hábito arborícola, alimentando-se principalmente de folhas.

Também há informação de que a preguiça só desce da árvore para fazer suas necessidades fisiológicas – o que pode acontecer uma vez por semana – ou para ir para outra árvore.

Orientações

Em caso de ocorrências para a remoção de animais silvestres, basta acionar os técnicos do Centro de Controle do Zoonoses pelo telefone 4794-4343 (horário comercial) ou 153 (plantão noturno e finais de semana), a fim de que seja enviada uma equipe ao local para o resgate, identificação e destinação adequada do animal.

O CCZ também orienta a população sobre os cuidados necessários para evitar acidentes com cobras e outros animais peçonhentos. Entre as principais medidas preventivas estão manter limpos quintais, terrenos, jardins, sótãos, garagens e depósitos para evitar o acúmulo de folhas secas, lixo, madeiras e entulhos. Outra orientação é não capturar e nem matar o animal.

 

 

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