A guerra das togas
Sessão para decidir se investigaria ou não o ministro Alexandre de Moraes foi um espetáculo deprimente
20/09/2026 16h00, Atualizado há 0 horas
Supremo Tribunal Federal (STF) | Foto: Dorivan Marinho

Na sessão em que o Supremo Tribunal Federal (STF) se reuniu para decidir se investigaria ou não o ministro Alexandre de Moraes pelas suas relações com o banqueiro Daniel Vorcaro, responsável por golpes financeiros amplamente noticiados, vimos um espetáculo deprimente.
A coisa toda era decidir se abririam ou não investigação, mas correu a sessão com ataques mútuos, sendo alvo também o ministro André Mendonça, que pediu a investigação contra Moraes, pois ele também se reuniu com Vorcaro anteriormente, sendo desnudados ainda por supostas relações indiretas com o banqueiro os ministros Nunes Marques e Luiz Fux e o Procurador Geral da República, Paulo Gonet. Sem falar do Ministro Dias Toffoli, que já apareceu nas redes de contato de Vorcaro em um negócio comercial.
À toda evidência a discussão se fez em dois blocos de ministros, uma verdadeira guerra das togas supremas e decorrentes das relações políticas e com a qual o Ministro Edson Fachin, Presidente do STF, não conseguiu lidar bem para tocar a sessão plenária.
Tudo isso, com impacto na disputa política para Presidente da República – não deveria – é um jogo de estratégias, o que talvez não teria espaço se a investidura no cargo de ministro do STF não fosse por indicação política. Para isso o Congresso Nacional deveria ter coragem de legislar, mas há muito rabo preso em redes de influência.
A sociedade brasileira bem viu que temos uma Corte dividida, com disputas internas e acusações sérias que precisam de investigação, de todos os mencionados na rede de Vorcaro, sem dó, pois grana e favores foram noticiados no balaio das relações entre o banqueiro e personalidades. Vimos a incapacidade do STF dar resposta à sociedade, o Colegiado está maculado, assim como outros políticos que antes irmãos de Vorcaro, hoje não querem nem ouvir seu nome.
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