Pedrinho carregava ‘cicatrizes de violência constante’, diz delegada
Segundo Regina Campanelli, que está à frente do caso, testemunhas informaram que a criança já havia aparecido com olhos inchados e apresentado outros sinais de agressões, sem nunca ter sido levada ao hospital
03/09/2025 16h21, Atualizado há 9 meses
Segundo a delegada Regina Campanelli, responsável pela investigação do caso Pedrinho, o jovem Pedro Henrique Ferreira Danin já teria sofrido outras agressões antes de ser encontrado desacordado na casa em que morava com a mãe, no dia 22 de julho, em Santa Isabel. O menino chegou a ser socorrido junto à Santa Casa, mas não resistiu e morreu. “O corpo [da criança] carregava marcas antigas de agressão, hematomas na cabeça, nas costas, cicatrizes de um ciclo de violência constante”, afirmou.
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A mãe e o padrasto de Pedro Henrique foram presos nesta quarta-feira (3/9), em Guarujá e Águas de Lindóia, respectivamente, após a Polícia Civil receber o laudo pericial que confirmou a morte do jovem por asfixia. De acordo com a investigação, o padrasto, apontado como principal suspeito do crime, foi detido primeiro, ainda no início da manhã. A mãe foi localizada por volta das 9h, quando retornava do trabalho.
Segundo a delegada, testemunhas relataram que, em outras ocasiões, Pedrinho já havia aparecido com os olhos inchados e apresentado sinais de que era vítima de agressões, sem nunca ter sido levado ao hospital. “Era uma criança frágil, negligenciada e deixada sozinha em casa, enquanto os responsáveis saíam para festas e bares”, disse Regina.
“A mãe sabia das agressões e, não só se calou, como continuou expondo o filho ao agressor. Preferiu proteger o relacionamento em vez do próprio filho. Um dia após a morte do menino [Pedrinho], ela já estava em uma festa, dançando, bebendo e demonstrando descaso com a situação”, completou a delegada.
O caso
Pedrinho deu entrada junto à Santa Casa de Santa Isabel no dia 22 de julho, já em parada cardiorrespiratória. O menino chegou a ser atendido pela equipe médica da unidade, mas não resistiu. À época, o padrasto afirmou que estava dando banho no bebê e saiu para buscar uma toalha. Nesse momento, ele teria ouvido um barulho no banheiro e, ao retornar, encontrou a criança caída no chão.
As declarações do padrasto, segundo as investigações, foram consideradas contraditórias. Em um primeiro momento, ele disse que a criança havia caído da escada e, depois, mudou a versão, alegando que a queda teria ocorrido durante o banho.
Diante da divergência, o médico legista requisitou dois exames complementares: toxicológico e anatomopatológico. Segundo a delegada, o resultado deste último apontou que a morte foi causada por asfixia, indicando que o padrasto teria sufocado Pedrinho com as próprias mãos.
A versão apresentada pelo padrasto em depoimento à polícia, segundo a delegada Regina Campanelli, “cai por terra” após o resultado do laudo pericial. O casal permanecerá em prisão temporária por 30 dias, prazo que pode ser prorrogado. A Polícia Civil informou ainda que solicitará a prisão preventiva.