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Morre, aos 53 anos, Fernanda Moretti, referência nas artes cênicas de Mogi das Cruzes

Artista, que lutava contra um câncer, estava internada em um hospital em São Paulo; ela havia completado 30 anos de atuação ininterrupta nas artes cênicas

Por O Diário
29/12/2025 12h33, Atualizado há 5 meses

Fernanda lutava contra um câncer havia um ano e cinco meses | Foto: Divulgação

A artista, bailarina, educadora e produtora cultural Fernanda Moretti morreu aos 53 anos, na manhã desta segunda-feira (29), em São Paulo, em decorrência de um câncer. Referência da dança contemporânea em Mogi das Cruzes e no Alto Tietê, ela estava internada no Hospital Beneficência Portuguesa desde o dia 22 de dezembro e faleceu por volta das 5h40. As informações sobre velório e sepultamento ainda serão divulgadas pela família.

Com cerca de 30 anos de atuação ininterrupta nas artes cênicas, Fernanda construiu uma trajetória marcada pela criação autoral, pela formação de gerações de bailarinos e pela defesa da arte como ferramenta de transformação social. Mesmo após o início do tratamento oncológico, em junho do ano passado, ela seguiu acompanhando projetos e processos criativos ligados às iniciativas que ajudou a consolidar na cidade.

À frente da produtora Arte do Movimento, Fernanda desenvolveu espetáculos, projetos educativos e ações culturais em rede, além de vivências artísticas realizadas em diferentes espaços do município e da região, incluindo a Serra do Itapety.

Em 2024, a Arte do Movimento foi reconhecida como Ponto de Cultura, por meio de edital estadual, consolidando o trabalho da produtora como agente articuladora de coletivos e saberes culturais. No mesmo período, Fernanda passou a dividir a direção artística da Escola de Dança com o coreógrafo Cleiton Costa, parceria que permitiu a continuidade dos projetos mesmo durante o tratamento de saúde.

Entre os trabalhos mais recentes estão a videodança Pulsar, em parceria com o filmmaker Fábio Nomura, e a exposição Grafias da Dança, do fotógrafo Renatto Nomura, que leva a dança para as ruas de Mogi das Cruzes. Outro projeto de destaque foi a Mostra do Corpo Contemporâneo, que ocupou espaços urbanos com performances, oficinas e palestras e, durante a pandemia, ganhou projeção nacional em formato digital.

A trajetória de Fernanda também está diretamente ligada à Escola de Dança Arte do Movimento, onde conduziu processos criativos coletivos com participação ativa dos alunos. Montagens como Cats (2013 e 2023), Jurema (2019) e os preparativos para O Rei Leão (2025) ajudaram a consolidar o repertório da instituição como um dos mais relevantes da região.

Em uma publicação nas redes sociais, a Arte do Movimento lamentou a morte da fundadora e destacou sua atuação na formação artística e humana. “Nos despedimos da mulher, filha, irmã, amiga, bailarina e arte-educadora, que construiu muitas pontes e transbordou alegria através de sua arte e existência”, afirmou o coletivo.

A produtora acrescentou que seguirá dando continuidade ao legado deixado por Fernanda e manifestou solidariedade à família e aos amigos.

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