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Abandonado, rio Tietê é o protagonista do ‘Viva Mogi!’

*Essa matéria faz parte de uma série de reportagens especiais sobre o ‘Viva Mogi’ (veja links abaixo) Com 1.100 quilômetros de extensão, sendo 35 deles em Mogi das Cruzes, o rio Tietê é o protagonista dessa história toda, tanto é que o projeto iniciado na administração passada levava o rio no nome. Mesmo o novo […]

Por O Diário
28/08/2021 07h59, Atualizado há 60 meses

*Essa matéria faz parte de uma série de reportagens especiais sobre o ‘Viva Mogi’ (veja links abaixo)

Com 1.100 quilômetros de extensão, sendo 35 deles em Mogi das Cruzes, o rio Tietê é o protagonista dessa história toda, tanto é que o projeto iniciado na administração passada levava o rio no nome. Mesmo o novo título, nada muda. O foco do ‘Viva Mogi!’ ainda é atender ao pedido de socorro feito pelo mais importante curso d’água do Estado, que cruza 62 municípios.

É inadmissível que o Tietê, que nasce na região, em Salesópolis, a 60 quilômetros de Mogi, tenha mais de 100 quilômetros considerados mortos. Registros fotográficos da década de 1940 mostram lavadeiras na marginal do rio, onde hoje há carga diária de mais de 1,1 mil toneladas de matéria orgânica e 300 toneladas de resíduos sólidos. Os últimos 80 anos, portanto, foram desastrosos. 

A pergunta que o antigo projeto, ‘Mogi + Ecotietê’, fazia, era “há tempo para a cidade se reconciliar com o Tietê?”. A resposta era “sim”, e continua sendo, como confirma o secretário municipal de Planejamento e Urbanismo, Claudio de Faria Rodrigues. Segundo ele,  “não houve prejuízo nenhum” nesta batalha, já que “todos os grandes eixos do programa têm conexão direta com esta questão”.

O projeto, expõe o gestor, tem preocupação em estabelecer conexão com a natureza, “respeitar o ativo ambiental e não virar as costas para o rio”. Exemplo disso é o futuro Núcleo de Educação Ambiental (NEA), que será instalado no Parque Francisco Rodrigues Filho, fazendo com que as crianças aprendam a importância dos recursos naturais.

Para além da conscientização, outro ponto pode contar – e muito – nesta luta em favor do Tietê. As obras de saneamento ajudarão a tornar as águas mais limpas e menos poluídas. “A drenagem que vamos fazer na rede de esgoto, tanto no Córrego Lavapés como no Córrego dos Corvos, vai melhorar a qualidade hídrica do rio, que deixa de receber carga de esgoto e vai ter qualidade ambiental da água muito melhor”, explica Claudio.

Neste tema, vale relembrar que o Estado promoverá o desassoreamento de um trecho deste curso d’água. Mas, conforme O Diário mostrou no início deste mês de agosto, em visita a Mogi o secretário de Estado de Infraestrutura e Meio Ambiente, Marcos Penido, disse que a ação ainda está em fase de licitação, e portanto, não há data para o início dos trabalhos.

Na avaliação de Claudio Rodrigues, isso vai ajudar bastante. Mas não dá para esperar. É preciso desenvolver estratégias municipais e emergenciais, como, defende ele, as do ‘Viva Mogi!’. “Todos os eixos acabam impactando na relação do rio. A questão histórica e educacional; a mobilidade, que afeta nas questões climáticas da cidade; o próprio processo de arborização de todo esse trecho; e o saneamento”.

Conheça o rio Tietê

O Diário

Mais de 100 quilômetros do rio Tietê estão mortos, deixando sua água imprópria para uso e inadequada para a vida aquática em toda essa extensão. Entender a história deste curso d’água atípico pode ajudar a salvá-lo.

O rio nasce perto de Mogi das Cruzes, em Salesópolis, onde hoje funciona o Parque Nascentes, administrado pelo Departamento de Águas e Energia Elétrica. (DAEE). Neste ponto, o rio é cercado por uma paisagem abraçada pela Mata Atlântica, lar de animais como jaguatiricas, tatus, cobras, veados e mais de 70 espécies diferentes de pássaros. 

A nascente, então, está localizada na Serra do Mar, a apenas 22 quilômetros do oceano. Mas as águas têm o interior como destino, percorrendo mais 1.100 quilômetros, até desaguar no rio Paraná, em Itapura, após banhar 62 municípios paulistas.

Essa característica, que o distingue dos demais rios brasileiros, fez do Tietê a primeira rota de penetração para o interior do continente, já no início do século 16, usada por aventureiros que desbravaram os sertões, fundando povoados ao longo de suas margens.

A descoberta da nascente do Tietê se deu durante uma expedição da Sociedade Geográfica Brasileira para comemorar do 4º centenário de São Paulo, em 1954. A área, uma chácara de propriedade particular, encontrava-se devastada, fruto do corte da madeira para a fabricação do carvão e, posteriormente, para o uso da pecuária, com pastagens.

A nascente foi tombada em 21 de fevereiro de 1990 pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat) e tem sua vegetação natural retomada gradativamente.

 

Quer ficar por dentro de todos os detalhes do ‘Viva Mogi!’? É só clicar em nossas reportagens especiais, que abordam cada um dos segmentos do programa:

– ‘Viva Mogi! Saneamento’ quer águas mais limpas para a cidade

– Seis quilômetros de novas vias prometem desafogar o trânsito em César de Souza

– Até que enfim! Programa ‘Viva Mogi!’ criará rede cicloviária de 30km na cidade

– Vem aí: dois novos parques e ampliação do Centenário em Mogi

–  Prazo para que todas as obras do ‘Viva Mogi!’ saiam do papel é 2025

– ‘Viva Mogi!’ promete aumentar a qualidade de vida dos mogianos

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