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Receita deflagra operação contra fraude de R$ 2,5 bilhões em Arujá e outras 13 cidades

Operação mobilizou mais de 500 agentes; segundo a Receita, os investigados utilizaram 60 empresas de fechada para praticar a fraude

Por O Diário
14/05/2026 09h30, Atualizado há 1 hora

Operação da Receita mira alvos em 14 cidades paulistas | Divulgação/Receita Federal

A Receita Federal do Brasil (RFB) cumpre, nesta quinta-feira (14), dois mandados de busca e apreensão em Arujá. A ação faz parte da operação “Refugo”, deflagrada em conjunto com a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) e o Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos de São Paulo (CIRA-SP) contra um esquema de sonegação de mais de R$ 2,5 bilhões em impostos.

Além de Arujá, a operação cumpre mandados em outros 13 municípios de São Paulo. Segundo a investigação, o esquema criminoso utilizava empresas de fachada para emitir notas fiscais “frias’, lavar de dinheiro e ocultar patrimônio.

Ainda segundo a Receita, durante a apuração, foram identificados 3 grandes grupos empresariais distintos que, juntos, representam uma fatia considerável do mercado de plásticos no estado de São Paulo. Eles teriam utilizado, pelo menos, 60 empresas de fachada para gerar créditos tributários falsos por meio da emissão de notas fiscais inidôneas.

O esquema bilionário, ainda segundo a Receita, blindava os destinatários, que se aproveitavam desses créditos para a reduzir artificialmente o pagamento de seus tributos estaduais e federais (ICMS, IPI, PIS COFINS e IR).

Ao todo, estão sendo cumpridos 46 mandados de busca e apreensão em 48 endereços localizados em residências, empresas e escritórios ligados aos investigados. As diligências ocorrem simultaneamente em outros 13 municípios do estado de São Paulo além de Arujá: Barueri, Bertioga, Caieiras, Cotia, Franco da Rocha, Guarulhos, Itapevi, Itupeva, Jundiaí, Santana de Parnaíba, São Bernardo do Campo, São Paulo e Sertãozinho.

Modelo da fraude

Operação “Refugo” | Divulgação/Receita Federal

O esquema criminoso era operado através de três fluxos integrados:

  1. Fluxo das mercadorias (real): produtos saíam diretamente de importadores, indústria de resina plástica e intermediários para indústrias de plástico e grandes recicladoras.
  2. Fluxo das notas fiscais (fictício): empresas de fachada e interpostas emitiam sucessivas notas fiscais frias entre si até alcançar as empresas beneficiárias do esquema, conferindo aparência de legalidade às operações. Os créditos tributários fictícios eram apropriados pelos beneficiários finais.
  3. Fluxo financeiro: os valores pagos pelas empresas beneficiárias eram redistribuídos entre operadores, intermediários, empresas patrimoniais e pessoas físicas vinculadas ao grupo criminoso.

Foi possível identificar, ainda, que recursos provenientes do esquema eram utilizados para pagamento de despesas pessoais de empresários e pessoas ligadas aos beneficiários finais, incluindo, pacotes turísticos, clubes náuticos, lojas de vinhos e aquisição de bens imóveis e móveis de luxo.

A análise da documentação apreendida, em meio físico e digital, terá por objetivo coletar provas do envolvimento das pessoas associadas para o cometimento da fraude fiscal, bem como a possível prática de outros crimes, de forma a responsabilizá-los nas esferas tributária e criminal.

Participaram da operação mais de 530 agentes públicos, com o apoio do Gaeco e das Policiais Civil e Militar.

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