Dia dos Pais: especialista explica como a presença paterna contribui para o desenvolvimento dos filhos
Professora de psicologia afirma que a paternidade ativa influencia autoestima, segurança emocional e habilidades sociais
09/08/2026 09h25, Atualizado há 1 hora
Dia dos Pais é celebrado neste domingo (9) | Foto: Reprodução/Magnific
No Dia dos Pais, celebrado neste domingo (9), cresce o debate sobre o papel da paternidade na formação das crianças e a importância de uma participação que vá além de momentos de lazer ou datas comemorativas. De acordo com especialistas, o envolvimento do pai na rotina dos filhos, nos cuidados diários e na construção de vínculos afetivos pode contribuir diretamente para o desenvolvimento emocional, social e cognitivo ao longo da vida.
Segundo Eliana Farias, professora de psicologia do Centro Universitário Braz Cubas, a figura paterna deixou de ser compreendida apenas pelo papel de provedor material e passou a ser reconhecida como um agente fundamental na construção da segurança emocional, da autonomia e das relações sociais das crianças.
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“A presença paterna consistente e afetivamente responsiva está associada a melhores indicadores de autoestima, autorregulação emocional, competência social e saúde mental. Quando o pai demonstra interesse pela vida da criança, valida suas emoções, oferece proteção e estabelece limites de forma respeitosa, contribui para que ela desenvolva uma percepção positiva sobre si mesma e sobre sua capacidade de enfrentar desafios”, explica a especialista.
Vínculo é construído no cotidiano
O vínculo entre pai e filho não é estabelecido apenas pela convivência ou pelo nascimento da criança, mas pelas experiências compartilhadas diariamente, conforme orienta a especialista. Pequenas atitudes, como brincar, conversar, acolher o choro, acompanhar atividades escolares e participar dos cuidados básicos, ajudam a fortalecer a relação afetiva.
A professora explica que os primeiros anos de vida são especialmente importantes, pois representam uma fase de intensa construção emocional e cognitiva. Quando o pai participa de momentos como alimentar, colocar para dormir, trocar fraldas, brincar e consolar, ele amplia sua competência parental e fortalece a qualidade da relação construída com a criança.
“Um período de convivência com atenção, escuta e disponibilidade emocional pode gerar impactos mais positivos do que muitas horas compartilhadas com distrações ou pouca conexão afetiva”, explica.
Embora a presença física seja importante, ela não garante, sozinha, a construção de um vínculo fortalecido. A paternidade ativa envolve participação nas diferentes dimensões da vida dos filhos, como acompanhar o desenvolvimento escolar, participar de consultas médicas, dividir responsabilidades, conversar sobre sentimentos e oferecer suporte emocional.
“A diferença está no engajamento. Um pai pode estar fisicamente próximo, mas distante emocionalmente. Participar ativamente significa conhecer as necessidades da criança, acompanhar suas descobertas, reconhecer suas emoções e estar disponível para construir uma relação de confiança”, destaca Eliana.
O desafio de conciliar trabalho e família
Entre os principais desafios da paternidade contemporânea está a conciliação entre as demandas profissionais e familiares. Jornadas extensas, pressão por produtividade e dificuldades para se desconectar do trabalho podem interferir na disponibilidade dos pais para a convivência com os filhos.
Para a docente, algumas estratégias podem ajudar nessa construção, como criar momentos exclusivos em família, estabelecer rituais diários e reduzir distrações durante os períodos de interação. “Não se trata apenas de encontrar mais tempo, mas de tornar os momentos juntos mais significativos”, afirma.
A profissional ressalta que não existe uma fórmula de perfeição na parentalidade. O mais importante é a construção contínua de uma relação baseada em presença, sensibilidade e participação. Pequenas interações consistentes ao longo do tempo podem exercer uma influência significativa no desenvolvimento de crianças mais seguras, resilientes e capazes de estabelecer relações saudáveis.