Fragilidade política
Falta de coesão partidária, as disputas individuais e as promessas de campanha ajudam a explicar os desafios da democracia brasileira
17/10/2026 16h04, Atualizado há 4 horas
Brasília | Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado

A fragilidade política é do eleitor e dos partidos políticos. A política, no dizer de Enrico Berlinguer, é “praxis, movimento, desenvolvimento. Mudanças de relações de poder, criação, inovação, adaptação e compreensão em relação aos processos reais”. A fragilidade da vida partidária brasileira e dos partidos nacionais tem influenciado enormemente a conduta do eleitor.
A legislação tem conduzido sempre ao enfraquecimento dos partidos e ao reforço da atuação individual. Isso pode ser verificado a partir do sistema eleitoral proporcional vigente. Tal sistema incentiva a disputa no seio dos partidos, dificultando, sobremaneira, a coesão partidária.
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O legislador brasileiro, no que tange à produção de leis eleitorais, em muitos momentos se distancia da realidade nacional. Pode-se citar como exemplo o que acontece em pequenos municípios brasileiros, no interior da Bahia, do Amazonas e de outros estados. O eleitor brasileiro acostumou-se a votar no candidato, e não no partido político. Durante a realização das campanhas políticas, é muito comum ouvir o eleitor expressar que o “partido não interessa”, mas que “vota no candidato”. É a cultura que se criou no país, devido às várias formações partidárias de criação e a extinção de partidos políticos.
Outro aspecto relevante é que a tendência é votar livremente, não escolhendo programas ou plataformas eleitorais, mas objetivando apenas votar em quem lhe oferece algo. A política nacional tornou-se um teatro e uma simulação em que impera a falácia. O desencadeamento do processo eleitoral provoca alterações profundas no comportamento de qualquer sociedade. Nas sociedades democráticas mais sólidas, esse processo se caracteriza pela inter-relação clara de três ingredientes básicos: o político, o partido e o eleitor.
As campanhas políticas são impregnadas de promessas de mudanças radicais e de um tom essencialmente emocional. Os políticos, antes de defenderem ideias, programas ou projetos, travam batalhas entre si, apontando erros, omissões e chegando até aos ataques pessoais.
O Brasil já passou por sete formações partidárias diferentes desde o Império. Assim, ou o Brasil se moderniza e inicia uma nova fase em sua cultura política, eleitoral e partidária, ou se firmará, nos segmentos mais significativos da sociedade brasileira, o conceito de que a democracia não passa de um mito.
- As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva do autor e não refletem necessariamente a posição editorial do jornal.