Após adiamentos, júri do caso Kaltmaier começa no Fórum Criminal de Mogi
Na semana em que completa 10 anos do crime, o médico Lothar Gustav Hoehne Kaltmaier vai a júri popular por acusação de matar o avô paterno Gerhard Kaltmaier, de 81 anos, a facadas em 30 de setembro de 2011, durante uma discussão no escritório da vítima. O júri popular havia sido adiado por diversas vezes, […]
27/09/2021 08h28, Atualizado há 59 meses
Na semana em que completa 10 anos do crime, o médico Lothar Gustav Hoehne Kaltmaier vai a júri popular por acusação de matar o avô paterno Gerhard Kaltmaier, de 81 anos, a facadas em 30 de setembro de 2011, durante uma discussão no escritório da vítima.
O júri popular havia sido adiado por diversas vezes, atendendo a um pedido do advogado de defesa, Paulo Passos, que alegou problemas de saúde. Ele morreu em 31 de julho deste ano.
O júri começou às 10h20 desta segunda-feira, no Fórum Criminal de Mogi das Cruzes, em Braz Cubas. O júri é formado por quatro mulheres e três homens.
Na pronúncia do processo, Lothar é acusado de homicídio triplamente qualificado, motivo torpe, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima. Gustav responde pelo crime em liberdade.
Atualmente, a defesa de Gustav é feita por Airton Jacob Gonçalves Graton. O advogado garantiu que falaria com a reportagem, mas, assim que entrou no Fórum, o júri – que não poderá ser acompanhado pela imprensa – foi iniciado.
Acusação
Antes do início do júri, o advogado assistente de acusação, Marco Soares, esclareceu que a expectativa legal de pena para os crimes fica entre 12 e 30 anos de prisão e que o objetivo é alcançar o tempo máximo. Por parte da acusação, oito testemunhas falarão durante o julgamento e deverão expor as circunstâncias para mostrar como ocorreu o homicídio.
“Após 10 anos da ocorrência do crime, nós esperamos que, efetivamente, o júri aconteça no dia de hoje e, efetivamente, nós possamos alcançar a condenação e seja feita a justiça por um crime tão grave. Ele (Gustav) ainda não foi preso porque se apresentou espontaneamente e se comprometeu a cumprir tudo aquilo que a justiça determinar. Então, somente pós a condenação é que haverá, de fato, sua prisão”, explicou Soares.
O advogado explica ainda que haverá a oitiva de todas as testemunhas, a demonstração do crime por parte da acusação e a defesa do acusado por parte dos advogados dele. Com isso, ele acredita que o júri deverá terminar no início da noite, não antes que isso.
O caso
Segundo o relato do acusado à polícia, à época, ele tinha retornado ao escritório do avô para buscar o dinheiro referente a um débito que o pai dele tinha no Paraná, no valor de R$ 2 mil. Que, na ocasião, o avô começou a falar de seu pai, criticando-o por não ter se formado na universidade, que ainda dependia das finanças do avô e que Gustav estava indo pelo mesmo caminho.
Gustav afirmou ainda em depoimento que o avô era contra ele e sua irmã cursarem medicina, porque considerava que o seu pai não tinha condição para bancar o curso que, segundo o neto, era custeado pela mãe, pai e a avó materna.
“Narrou que a vítima falou algumas coisas do seu pai, lhe acusou de não ter condições de fazer medicina e lhe ofendeu, falando que ele era viado, e que não iria bancar um viado saindo com homem e fazendo medicina. Então a vítima falou de sua mãe, que tudo era culpa dela, que seu avô sempre foi contra o casamento dos seus pais, e que sua mãe era puta, vagabunda”, consta no processo.
O acusado relatou que, neste momento, “cegou” e olhou para a mesa a fim de pegar algo para agredir o avô. Que viu a faca sobre a mesa, a pegou e lembra-se de ter dado dois ou três golpes na região do ombro esquerdo. Depois deixou o escritório, mas depois voltou ao local quando caiu em si do que havia acontecido. Entretanto, quando chegou imaginou que o avô estivesse morto, porque não se mexia. Ele então deixou o lugar e se apresentou na delegacia dias depois.