Após alagamento na Vila Estação, igreja arrecada 4 toneladas de alimentos
A expressão “união faz a força” se encaixa perfeitamente na história dos moradores da Vila Nova Estação, em Mogi das Cruzes. Foi em razão de um desastre que famílias do próprio bairro, associações, igrejas e até voluntários de outros lugares da cidade, movimentaram uma força tarefa para amparar aqueles afetados pelo alagamento do último dia […]
25/12/2022 11h37, Atualizado há 43 meses
A expressão “união faz a força” se encaixa perfeitamente na história dos moradores da Vila Nova Estação, em Mogi das Cruzes. Foi em razão de um desastre que famílias do próprio bairro, associações, igrejas e até voluntários de outros lugares da cidade, movimentaram uma força tarefa para amparar aqueles afetados pelo alagamento do último dia 11, quando diversas casas tiveram perdas totais de móveis, eletrodomésticos, roupas e alimentos.
Protagonizando a rede de apoio que se formou junto à comunidade do bairro, a Igreja Cristã Amor e Vida foi um ponto central para as entregas e distribuições dos itens arrecadados em campanhas e ações focadas em atender as vítimas do alagamento. De acordo com o líder da igreja, o pastor Bruno Heric Luciano da Silva Ferreira, a soma total só de alimentos recebidos, chega a quatro toneladas.
“Além de promover as campanhas de doação, somos responsáveis por separar cada item recebido – o que é para criança, o que é produto de higiene, entre outros -, para que seja distribuído de forma justa aos que precisam”, esclareceu o pastor.
Postagens nas redes sociais chamando a atenção das pessoas que pudessem ajudar e até uma partida de futebol foi realizada especialmente para as arrecadações. O resultado foi um sucesso, segundo enfatizou o líder religioso.
“Fizemos uma ação através do futebol e arrecadamos mais de uma tonelada de alimentos. Também entregamos, com ajuda de amigos, mais de 200 cestas básicas, kits de higiene, fraudas e leite”, detalhou Ferreira.
As ações continuam sendo realizadas. No último sábado (17), a igreja promoveu um almoço para as crianças do bairro, oportunidade de confraternização entre os pequenos após um evento trágico que ainda não foi esquecido.
No dia em que o temporal atingiu a cidade, a grande quantidade de chuva fez com que um córrego que passa ao lado do bairro se transbordasse, o que causou a queda de parte do muro da CPTM. Com a queda, a água que transbordava do curso d’água avançou com rapidez em direção à avenida Almerinda Villela Ferreira.
Os vídeos e imagens compartilhados nas redes sociais desse dia, impressionam. A água cor de barro chegava na altura da coxa das pessoas. Alguns moradores tentavam salvar o que era possível carregar. Foi o caso de uma proprietária de um pequeno comércio de roupas, a Sthefany Elizabeth, que em um dos registros do dia, aparecia tentando salvar as mercadorias.
“Em 29 anos que eu moro aqui, nunca tinha sido afetada por enchente. Era sempre o contrário, eu que ajudava outros aqui do bairro quando isso acontecia. O normal era alagar a rua, mas nesse dia, depois que caiu o muro, a água veio chegando no meu quintal, depois na cozinha, corredor, quartos e a sala. Comecei a ficar desesperada porque tinha acabado de comprar uma geladeira nova, que encheu de água”, contou Inês Dantas Vieira, ajudante de obra e uma das moradoras que vivenciou a angústia de ver a casa tomada pela água suja.
“Foi muito difícil, eu perdi tudo”, enfatizou. Inês, que mora em uma casa com mais 10 integrantes, no entanto, não ficou desamparada.
Apesar das dificuldades para conseguir doações por conta do horário de trabalho, o que ela tem recebido, promove um sentimento de gratidão.
“A diretora da escola do meu filho me doou um guarda-roupa e algumas roupas. De doação aqui do bairro, a Fátima conseguiu me doar uma cesta básica”, explicou Inês, citando uma das integrantes dessa corrente de apoio que se formou na Vila Estação.
Maria de Fátima Paulino, a educadora social mais conhecida por Fátima, há 17 anos faz parte de um grupo de voluntários no bairro que prepara o tradicional sopão, entregue todas as sextas aos moradores.
Depois do alagamento do dia 11, Fátima esteve ativa na força-tarefa junto com outros integrantes da Vila Estação para ajudar a recompor a casa das famílias atingidas pela enchente.
Emocionante
“Houve uma mobilização, foi emocionante até porque veio gente de longe, de outros bairros, para colaborar com doações e a distribuição de roupas, alimentos e até produtos de limpeza para limpar as casas após a enchente”, compartilhou a educadora.
O amparo prestado à comunidade também não ficou restrito ao sentido prático, mas foram dadas orientações sobre como os moradores deveriam fazer a limpeza das casas logo após a retirada da água e até um apoio emocional diante de situações tão extremas.
Como ajudar
As marcas da enchente ainda estão sendo sentidas pelos moradores que seguem lutando para reconquistar móveis, eletrodomésticos e roupas que foram perdidas, por isso, as ações continuam sendo feitas para receber doações desses itens.
Para ajudar é possível entrar em contato com a Associação Beneficente Árvore da Vida, grupo sem fins lucrativos que atende crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade e, desde o dia 11, se uniu à comunidade da Vila Estação para socorrer as famílias que precisavam de doações.
A associação fica localizada na Estrada Masaru Seki, 10, no bairro Volta Fria, em Mogi. Para contato, o endereço de e-mail é [email protected], ou por telefone através do número (11) 4790-6619.
As doações podem ser direcionadas à Igreja Cristã Amor e Vida, do pastor Bruno Heric. Basta entrar em contato pelos números (11) 96079-4942, (11) 98768-3576 ou (11) 98212-4750.