Alto Tietê se manifesta contra pedágio na Mogi-Dutra e Mogi-Bertioga
A tranquilidade dos motoristas mogianos e da região do Alto Tietê com a suspensão do projeto de instalação de pedágios nas rodovias Mogi-Dutra e Mogi-Bertioga, que dão acesso à cidade, durou pouco. Após intensas mobilizações e ações na Justiça contra a implantação das praças de cobrança nas duas vias, conforme previa a concessão do Lote […]
07/05/2023 15h37, Atualizado há 39 meses
A tranquilidade dos motoristas mogianos e da região do Alto Tietê com a suspensão do projeto de instalação de pedágios nas rodovias Mogi-Dutra e Mogi-Bertioga, que dão acesso à cidade, durou pouco. Após intensas mobilizações e ações na Justiça contra a implantação das praças de cobrança nas duas vias, conforme previa a concessão do Lote Litoral, cancelada em dezembro de 2021 e com estudos retomados em janeiro de 2023, o assunto volta à tona.
No final de abril, o governador Tarcísio de Freitas (Republicamos), que durante sua campanha eleitoral afirmou, em entrevistas a O Diário e à TV Diário, que era contra os pedágios (leia mais na página ao lado), anunciou que adotará o sistema free flow de cobrança de tarifa nas estradas concedidas do Estado, que permite ao motorista pagar a tarifa correspondente à distância percorrida nestas vias.
A Secretaria de Estado de Parcerias em Investimentos confirmou a este jornal que a Mogi-Dutra e a Mogi-Bertioga estão incluídas no rol de rodovias que passarão por concessão pelo Programa de Parcerias em Investimentos do Estado de São Paulo (PPI-SP).
De acordo com nota enviada a O Diário pela pasta, nesta quinta-feira (4), o Governo de São Paulo tem como uma de suas metas para os próximos anos a implantação do sistema free flow nas rodovias concedidas no Estado. “O método consiste num sistema de livre circulação de veículos sem necessidade de instalação de praças de pedágio e cobranças automáticas por cancelas, o que aumenta a velocidade média de viagem e reduz os custos para operadores e usuários dos serviços, com a cobrança de tarifas mais justas”.
A secretaria afirma, ainda, que já foram contratados estudos para a avaliação da viabilidade e modelagem de negócio para diversos trechos de rodovias no Estado, inclusive com a adoção do sistema free flow como uma das premissas dos empreendimentos.
Nos próximos meses, a pasta adianta que devem ser realizadas audiências públicas para debater a implementação do sistema e colher subsídios à proposta apresentada pelo Estado, a exemplo das que ocorreram durante a iniciativa anterior, que previa a instalação de praças fixas de pedágio com cancelas, nas rodovias, e que gerou ampla discussão.
Com o novo sistema de cobrança, que já passa por testes na rodovia Ayrton Senna, o governo estadual defende que haverá diminuição de despesas para operadores e motoristas, com cobrança de tarifas mais justas, já que o valor dependerá da quilometragem percorrida.
Lideranças
Grupos de Mogi e região contrários à implantação da cobrança, formado por políticos, demais lideranças, moradores, empresários, comerciantes, entre outros, que já se mobilizaram em 2021 para impedir o projeto, prometem retomar a luta.
Um dos fundadores do movimento Pedágio Não, Paulo Boccuzzi, diz que o grupo se manterá contrário a qualquer tipo de cobrança, com possibilidade de realizar novos protestos e abaixo-assinados. “Estive com o prefeito Caio (Cunha), no começo do ano, no Palácio dos Bandeirantes, conversando com dois secretários do Governo do Estado, que demonstraram interesse em voltar a falar sobre essa possibilidade. Este modelo é uma ideia que eles pretendem implementar em todo o Estado e fica mais barato para o Governo, porque possibilita a implantação de totens de pedágio em áreas com trechos menores, como a Mogi-Dutra”, conta.
Porém, Boccuzzi diz que, embora a comunicação com o atual governo tenha apresentado mais flexibilidade do que com a gestão anterior, e a atual proposta defenda a diminuição do custo da tarifa em até 90% em relação à inicial, de 2021, o posicionamento do prefeito e do movimento Pedágio Não é contrário a qualquer modelo de pedágio na região. “Estamos acompanhando para ver como esta questão irá evoluir e nos posicionaremos de maneira contrária independentemente do modelo de pedágio, mesmo que o impacto seja menor à cidade”, afirma ele, que também é secretário-adjunto de Esportes de Mogi.
A mesma posição é mantida pelo Consórcio de Desenvolvimento dos Municípios do Alto Tietê (Condemat) que reafirma ser sempre contrário à implantação de pedágio na Mogi-Dutra. “Isso foi reiterado pela atual gestão em maio de 2021, quando todos os prefeitos assinaram uma Carta Aberta ao Governo do Estado solicitando a exclusão da proposta de implantação do pedágio. Em dezembro de 2021, graças à união política e a mobilização popular, conseguimos derrubar este projeto, que não traria investimentos para a região, além de onerar cidadãos e inviabilizar o desenvolvimento de atividades produtivas essenciais para a economia regional”, trouxe a nota assinada pelo presidente do Condemat, o prefeito Caio Cunha (Podemos), enviada a O Diário nesta sexta-feira (5).
O Condemat informa que não tem informações oficiais sobre o novo projeto do Governo do Estado, por isso não é possível avaliar os impactos para a região. “Estamos buscando mais informações para que possamos discutir junto à sociedade e toda classe política do Alto Tietê”, finaliza a nota.
Campanha: ele era contra
Em entrevista publicada em O Diário, no dia 1º de outubro de 2022, ainda no primeiro turno das eleições para o Governo do Estado de São Paulo, o então candidato Tarcísio de Freitas (Republicamos) se disse contrário à implantação de pedágio nas rodovias Mogi-Dutra e Mogi-Bertioga. “Sou contra, porque isso poderia impedir o desenvolvimento de uma região importante economicamente”, garantiu ele, que reafirmou a posição também em entrevista ao vivo para a TV Diário.
A afirmação foi mantida, ainda, entre as propostas dele no segundo turno, mas logo ao assumir o cargo, no início de janeiro de 2023, Tarcísio pediu a retomada dos estudos para a concessão do Lote Litoral de estradas, incluindo as duas rodovias que dão acesso a Mogi, com a análise da implantação de praças de pedágios, segundo confirmado a O Diário pela Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp), em reportagem publicada em 18 de janeiro último.
Mais recentemente, no final de abril, o governador anunciou que deve implantar em todas as rodovias concedidas do Estado de São Paulo, o sistema free flow (fluxo livre), tecnologia com sensores que calcula a tarifa por quilômetro rodado. A Mogi-Dutra e Mogi-Bertioga, com acesso à cidade, foram confirmadas, pela Secretaria de Estado de Parcerias em Investimentos, como integrantes do pacote de rodovias estaduais que passarão por processos de concessão no âmbito do Programa de Parcerias em Investimentos do Estado de São Paulo (PPI-SP), portanto, os motoristas que por elas circularem, também devem passar a ser cobrados neste novo modelo.
Tarcísio defendeu, durante o anúncio do novo sistema de cobrança nas estradas, que com o free flow é eliminada a necessidade de o motorista parar nas praças de pedágio, com consequente redução do tempo de viagem, melhorando as condições de tráfego, além disso, enfatiza que esta seria uma cobrança mais justa, com o pagamento de acordo com a quilometragem percorrida na estrada.