Apoio emocional: conheça o trabalho do Centro de Valorização da Vida de Mogi
A pandemia de Covid-19 afetou pessoas de todo o mundo em vários aspectos, mas principalmente no que diz respeito à saúde emocional, já que resultou em mudanças sociais e econômicas, além de perdas, deixando sequelas. Desta forma, o que já era uma grande demanda antes dos casos das infecções e mortes pelo novo coronavírus, agora […]
26/12/2022 08h40, Atualizado há 43 meses
A pandemia de Covid-19 afetou pessoas de todo o mundo em vários aspectos, mas principalmente no que diz respeito à saúde emocional, já que resultou em mudanças sociais e econômicas, além de perdas, deixando sequelas. Desta forma, o que já era uma grande demanda antes dos casos das infecções e mortes pelo novo coronavírus, agora se tornou ainda mais latente, com o aumento de quadros de depressão, síndromes do pânico, crises de ansiedade, solidão, entre outros problemas.
Por conta deste novo cenário que se desenhou a partir da pandemia, também cresceu a procura por serviços de apoio emocional, como o Centro de Valorização da Vida (CVV), que teve sua origem no grupo Samaritanos, criado em 1953 na Inglaterra e que chegou ao Brasil como CVV, em 1962, e a Mogi no ano de 1985.
Além do apoio emocional, um dos principais focos do CVV é a prevenção ao suicídio, considerado pelo Ministério da Saúde como problema de saúde pública, que tira a vida de uma pessoa por hora no Brasil, mesmo período no qual outras três tentaram se matar.
Já a Organização Mundial da Saúde (OMS), que trata a ocorrência como complexa e influenciada por fatores psicológicos, biológicos, sociais e culturais, aponta que mais de 700 mil pessoas morrem por ano devido ao suicídio, o que representa uma a cada 100 mortes registradas.
É na prevenção que está um dos maiores esforços do CVV, desde sua criação, com foco no estudo e discussão do tema como uma das formas mais eficientes de evitar casos de suicídios, o que passou a exigir muito mais empenho nestes últimos anos, principalmente depois de 2013, quando o Ministério da Saúde reconheceu o CVV como serviço de saúde pública e disponibilizou o telefone 188 para os atendimentos.
As equipes distribuídas em postos de todo o país são responsáveis pela manutenção do serviço 24 horas, durante todos os dias da semana, incluindo os finais de semana e feriados.
“Com a pandemia, a procura aumentou bastante e acredito que isso ocorra devido a vários fatores, mas principalmente, pela questão emocional, já que existe uma lacuna grande neste sentido, e também por conta da disponibilidade de tempo, porque as pessoas acabaram passando mais em casa e ficando muito sozinhas. Além disso, nesta época que estamos vivendo agora, a solidão cresce, porque há o emocional natalino, a questão do final de ano… Enfim, é um período em que tudo isso também aumenta”, explica a coordenadora do posto do CVV de Mogi das Cruzes, Valdete de Siqueira.
Ela aponta outros motivos para justificar a elevação
da procura por apoio emocional nos tempos atuais, como aumento do desemprego e da violência, também em consequência da pandemia de Covid-19. “É um contexto grande, porque as próprias crianças e adolescentes, que tinham um reduto social, perderam isso durante a pandemia, já que não havia mais o encontro com os colegas. Da mesma forma, os idosos, que estavam acostumados a receber visitas de filhos, netos e demais familiares e amigos também perderam este contato. Então, uma série de coisas contribui muito para o desenvolvimento de problemas emocionais”, completa Valdete.
Entre os múltiplos fatores de estresse decorrentes da pandemia, segundo ela, o isolamento social deve ser somado às restrições para estudo, trabalho e lazer, medo de se infectar, sofrimento e morte de familiares e amigos, luto e preocupações financeiras, que podem desencadear ansiedade, depressão e outros problemas emocionais.
“Não dá para pontuar os motivos que levam as pessoas a procurar o CVV, porque são muito diversificados, mas elas buscam, principalmente, alguém com quem possam conversar, desabafar, falar sobre o assunto que quiserem e durante o tempo que desejarem. Do outro lado da linha, nós, voluntários, nos colocamos sempre prontos para ouvi-las. Estamos ali para ouvir o outro em todas as suas necessidades, sem julgamentos e opiniões”, enfatiza.
Outra característica do CVV, além do sigilo e anonimato do serviço de apoio emocional, é que não há expectativa de feedback do atendimento. “Nossa função é plantar a sementinha, que pode germinar ou não. Jamais aguardamos o retorno da pessoa. O importante é dar o apoio emocional, na hora que a pessoa precisa. Aliás, ela pode nos ligar e não falar nada, ficar apenas chorando. Procuramos fazer com que não se sinta só e que saiba que tem alguém para ouvi-la. É como um médico, que se esforça para salvar a vida, mas nem sempre isso acontece. Quando o paciente se salva é bárbaro, mas quando o fim é outro, o médico sabe que cumpriu sua missão”, compara Valdete.
CVV chegou a Mogi em 1985 e foi fundado na capital há 60 anos
O Centro de Valorização da Vida (CVV), fundado na capital paulista em 1962 por Jacques Andrè Conchon, é uma associação civil sem fins lucrativos, filantrópica e, desde 1973, reconhecida como de Utilidade Pública Federal. No ano de 1985, chegou a Mogi das Cruzes, trazido por um grupo de voluntários da cidade. Presta serviço voluntário egratuito de apoio emocional e prevenção do suicídio para pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo e anonimato.
A instituição é associada ao Befrienders Worldwide, que congrega entidades congêneres de todo o mundo, e participou da força-tarefa responsável pela elaboração da Política Nacional de Prevenção do Suicídio, do Ministério da Saúde, com quem mantém, desde 2015, um termo de cooperação para a implantação de uma linha gratuita nacional de prevenção do suicídio.
A linha 188 começou a funcionar no Rio Grande do Sul e, em setembro de 2017, iniciou sua expansão para todo o país, que foi concluída em 30 de junho de 2018, com a integração dos estados brasileiros.
Os contatos com o CVV são feitos pelo telefone 188 (24 horas e sem custo de ligação), pessoalmente (alguns dos 120 postos de atendimento mantém esta modalidade de serviço – Mogi das Cruzes não possui) ou pelo site www.cvv.org.br, por chat e e-mail (na cidade, o email é [email protected]).
Nestes canais, são realizados mais de 3 milhões de atendimentos anuais, por aproximadamente 4 mil voluntários, localizados em 24 estados mais o Distrito Federal.
Além deste trabalho, o CVV também desenvolve, em todo o país, outras atividades relacionadas ao serviço de apoio emocional, com ações abertas à comunidade, que estimulam o autoconhecimento e melhor convivência das pessoas em grupo e consigo mesmas.
A instituição também mantém o Hospital Francisca Júlia, que atende pessoas com transtornos mentais e dependência química, na cidade de São José dos Campos, no Vale do Paraíba.
Há ainda a Ouvidoria do CVV, um canal de comunicação para receber sugestões, reclamações, denúncias, solicitações e elogios. As manifestações podem ser enviadas para [email protected]. O registro requer o fornecimento de nome e dados de contato para que seja possível a continuidade ao atendimento. O retorno é feito no prazo máximo de 15 dias úteis pelo e-mail cadastrado no contato.