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Assista: Mogi vai virar um canteiro de obras, promete Caio Cunha em entrevista

Ao entrar no gabinete, Caio esperava no sofá. O achei bem mais tranquilo do que em outras ocasiões. E calmo foi durante toda a entrevista. A sala, repleta de histórias, do terceiro andar do paço, estava impecável. O piso, tom de madeira, dava um ar elegante, refinado, para o gabinete. Já à esquerda da mesa, […]

Por O Diário
31/08/2022 14h02, Atualizado há 47 meses

Ao entrar no gabinete, Caio esperava no sofá. O achei bem mais tranquilo do que em outras ocasiões. E calmo foi durante toda a entrevista. A sala, repleta de histórias, do terceiro andar do paço, estava impecável. O piso, tom de madeira, dava um ar elegante, refinado, para o gabinete. Já à esquerda da mesa, uma máquina de fliperama trazia a modernidade ao ambiente.

“Mas não funciona”, garantiu ele. Virou objeto de decoração, um tipo de decoração característico para um prefeito habituado ao universo moderno das redes sociais e que tem demonstrado este tom moderno também nas peças de comunicação de seu governo, sempre com cores vivas e fortes. Com certa dificuldade, joelho recém-operado, ajudou a ajustar as poltronas para a entrevista, que seria gravada, filmada e exibida no canal do Youtube de O Diário. No texto a seguir, um breve exemplo do que pode ser assistido em vídeo. Vale ler. Vale assistir. Afinal, ele promete: “Mogi vai virar um canteiro de obras”.

Fala, prefeito

Mogi das Cruzes, uma das cidades mais antigas do Brasil, chega aos 462 anos com crescimento desordenado. Este seria o principal desafio da administração, seja a curto, médio e longo prazo?

Caio Cunha – Eu não tenho dúvida. Mogi tem um potencial incrível e eu não canso de dizer isso. Mas se a gente não tomar providências agora e não tomar as decisões certas, em pouco tempo a nossa cidade pode ficar em um ambiente caótico, perder essa coisa gostosa de viver em Mogi. O que a gente enfrenta de trânsito hoje, enchente e aumento do índice de violência é por conta de uma cidade que cresceu e não se desenvolveu. Então todo o nosso trabalho não é só fazer o convencional, que é pensar os quatro anos da cidade, mas no mínimo deixá-la preparada para entrar numa rota de desenvolvimento, pois se desenvolver é diferente de crescer. A gente lançou o Mogi 500 anos com a proposta de deixar a cidade encaminhada para que a próxima geração não precise ficar resolvendo os mesmos problemas que a nossa geração resolve.

O senhor acha que o Mogi 500, por ser algo lançado na sua gestão, pode encontrar uma certa resistência em governos futuros?

Caio – Eu acho que é natural que façam o link, embora tenha convidado outros gestores da cidade, a classe política, a iniciativa privada, a sociedade civil para que todos façam parte desse projeto. Eu só estou dando o start. Eu só estou começando e esse programa só vai ter êxito de fato se tiver uma continuidade. Então eu prefiro que não fique uma marca do Caio Cunha, mas sim uma marca da cidade.

Prefeito, vamos falar de outro programa, que é o Viva Mogi. É um programa com recursos financeiros garantidos, mas a gente tem visto certa morosidade na liberação de algumas obras. O que o senhor pretende entregar ou iniciar até o final da sua gestão?

Caio – Eu acredito que vamos entregar até 90% até o final deste mandato. De fato, nós chegamos com ele aprovado financeiramente, porém é um tipo de financiamento que se você demora para começar, há uma multa. A maior demora se deu porque não tinha nada pronto. Tinha uma boa ideia, que ajustamos para a necessidade do município, e principalmente uma necessidade de licenciamento ambiental, que a gente sabe que em qualquer lugar do Brasil é muito morosa, as leis são muito rígidas. Agora no aniversário da cidade vamos assinar o início da primeira obra, que é o corredor leste, uma das principais obras que vai ser o gatilho para as demais.

A prefeitura está elaborando o Plano Municipal da Primeira Infância. Mas nós temos filas em creche, déficit de professores. Fale um pouco desse programa e desses problemas.

Caio – A educação na primeira infância é uma das marcas que a gente quer deixar. A gente entende que o desenvolvimento da primeira infância vai além da questão da escola. A cidade precisa abraçar a primeira infância em todos os aspectos. Ou seja, se a gente não cuida da mãe ou do pai, se eles ficam parados no trânsito, por exemplo, afeta o desenvolvimento da criança porque eles terão menos tempo para os filhos. Ou seja, cada um dos fatores da cidade é importante para esse desenvolvimento. Eu tenho certeza, muito daquilo que plantamos hoje, eu não vou ver o fruto enquanto prefeito. Em relação a creches, a gente recebeu a cidade com um déficit de 3.500 vagas e a gente se comprometeu a zerar isso até o final do mandato. Mas não é algo tão simples porque você precisa aumentar o número de professores, ter maior poderio de investimento financeiro e de infraestrutura. No primeiro ano a gente conseguiu bater mil vagas e agora tem mais duas creches para abrir neste ano, ou seja, mais umas 300 a 400 vagas. É um processo contínuo. Paralelo a isso a gente está investindo em planejamento familiar. Fato é que Mogi tem uma ótima estrutura em relação ao ensino, até deixado por gestões anteriores, e também na saúde. Agora é equalizar, no pós-pandemia, para que a gente consiga abrir mais vagas e principalmente colocar a criança como protagonismo no novo governo.

Agora vamos falar de segurança. O que efetivamente a gestão Caio Cunha tem para ajudar a resolver esta questão da criminalidade?

Caio – A gente tem visto diversos casos acontecendo. O índice, se comparado numericamente ao do ano passado, é praticamente o mesmo. Por algum motivo, o pós-férias escolares tem mostrado um crescimento em relação à criminalidade. Nós temos insistido muito em relação ao Estado para que ele aumente o nosso efetivo da Polícia Militar, pois a segurança é um dever do Estado. Mesmo assim a cidade não está de braços cruzados e todo o nosso efetivo da Guarda Municipal está de prontidão. A gente acabou de convocar 32 novos guardas municipais e está em processo de licitação a muralha eletrônica, ou seja, qualquer veículo que entrar e sair do nosso município vai ser identificado. A Priscila (vice-prefeita) tem uma frase interessante: “Existe o tempo do homem, o tempo de Deus e o da prefeitura”. Esses processos estão rolando há quase um ano. É muito moroso, muito burocrático e isso gera até uma frustração, porque a gente perde o time de algumas ações e segurança é emergencial. Mas temos feito o nosso trabalho. Só neste ano a Guarda prendeu 35 bandidos aqui na nossa cidade e alguns pontos de droga foram descobertos.

Prefeito, agora vamos falar de um drama nacional que é a questão da moradia popular. O senhor chegou a anunciar uma secretaria, que ainda não foi efetivada, mas quais os avanços do seu governo na área. Há, por exemplo, uma solução para a Vila São Francisco?

Caio – Como você disse, é um drama nacional. E a pandemia também não afetou somente a saúde, mas a questão econômica e naturalmente a social e muita gente de fato carece de moradia. No caso do São Francisco, a gente já tem orientação para ter a tomada da posse, mas está congelada na Justiça por conta da pandemia. Mas existe toda uma assistência social e até educacional, ou seja, algumas crianças que moram ali são assistidas pela rede municipal de ensino. Mas é uma situação muito delicada. O lugar também é usado pelo crime, pois a pessoa que mora ali paga taxas, luz e água que são “gatos”. Mais do que a gente se apropriar daquele espaço, a gente está criando meios para que no momento certo possa resgatar essas pessoas para dar uma condição melhor de vida para elas. Mas, há uma fila gigantesca de moradias. Nós lançamos o programa Mogi Meu Lar e temos como meta fazer cinco mil regularizações fundiárias. Aliás, em um ano e meio a gente fez quase metade de legalizações que foram feitas nos últimos 14 anos. A Secretaria da Habitação vai deixar de ser coordenadoria e temos uma grande parceria com o Estado, que liberou para a gente o Programa Viver Melhor. Às vezes o cidadão tem o seu terreninho, mas por questão financeira não tem uma casa adequada. Este programa vai reformar 750 casas.

Prefeito, falando dos 600 dias, o que o senhor conseguiu realizar e o que não conseguiu neste período?

Caio – Inevitável não falar da pandemia. Não gosto de culpar a pandemia, mas de fato aconteceu. Hoje, na verdade, a gente está tentando recuperar esse tempo perdido. Foi um ano também muito intenso de muito aprendizado. Eu aproveitei esse tempo de pandemia, de recuperação, para colocar a casa em ordem. Tudo o que a gente podia fazer administrativamente para acelerar processos e para terminar alguns pontos que estavam abertos na administração. Agora a gente tem uma tranquilidade de falar: Mogi, daqui para frente, é só entrega. Mogi, em 2023, vai ser um canteiro de obras porque nesse período a gente cuidou dos problemas existentes para deixar a máquina pública funcionando para agora a gente ter mais tranquilidade para tocar obras significativas. Às vezes as pessoas avaliam uma gestão pelo prédio, pelo túnel e essa é a diferença da cidade que cresce não se desenvolve. A gente está preocupado em colocar Mogi na rota do futuro e é isso já está dando resultado. Inclusive, há mais de 5 anos Mogi não liderava a geração de emprego a gente tem batido recorde atrás de recorde. A prefeitura está se colocando como facilitadora junto as empresas.

O senhor usa a expressão “canteiro de obras”. A rotatória sai este ano?

Caio – Tem que sair. A rotatória, na verdade, é simbólica. Quando a gente fala que vai tirar a rotatória, o efeito de só tirar a rotatória não vai gerar a solução que a gente precisa. Outras vias estão sendo criadas para diversificar o fluxo de veículos, para que os veículos não precisem passar por aquele lugar. O último passo vai ser tirar a rotatória. Eu acredito que até o final do ano a gente consiga terminar. Lembrando que sem nenhum centavo do dinheiro público. A gente vai fazer com compensação da empresa que ganhou a concessão do terminal rodoviário.

Prefeito, em uma reunião com engenheiros e arquitetos, o senhor chegou a afirmar que não está preocupado com a reeleição. Pergunto: Caio Cunha é ou não candidato à reeleição?

Caio – Quando eu digo que não estou preocupado com a reeleição, não é que eu não dê atenção a ela. Eu estou há dois anos resolvendo problemas e eu vou ter dois anos para de fato ‘prefeitar’. Para o nosso projeto e apresentar o que acreditamos ser importante para ser gerado em médio e longo prazo, a gente precisa de mais tempo. Quando eu falo que eu não estou preocupado com a reeleição é que não é a reeleição que me move. Mas a gente tem a convicção do que é importante para a cidade e a reeleição vai ser uma consequência desse trabalho. Eu não tenho vaidade pelo cargo. Minha paixão é por resultado.

Mas, apesar de ter dito que a reeleição que o move, podemos considerar como “sim” a resposta?

Caio – Sim, é natural. Embora eu defenda um modelo diferente, de seis anos de gestão e um mandato só. Mas, infelizmente, são quatro anos. Eu encaro como uma aprovação ou não do governo. Se a população entender que o nosso projeto tem que continuar, muito bem. E viva a democracia

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