Ato Pela Paz pede justiça para Lucas Garcia
Durante a tarde desta quarta-feira (16), um Ato Pela Paz realizado no Largo do Rosário, na área central de Mogi das Cruzes, cobrou questionamentos sobre o caso de Lucas Garcia, que esteve presente via vídeo chamada. Professor de dança, ele foi baleado no último dia 9, na Arena Água Verde, no Jardim Camila. Se depender […]
16/12/2020 15h17, Atualizado há 68 meses
Durante a tarde desta quarta-feira (16), um Ato Pela Paz realizado no Largo do Rosário, na área central de Mogi das Cruzes, cobrou questionamentos sobre o caso de Lucas Garcia, que esteve presente via vídeo chamada. Professor de dança, ele foi baleado no último dia 9, na Arena Água Verde, no Jardim Camila. Se depender da pressão popular, o episódio não passará despercebido, sem solução, e servirá de exemplo na luta por mais segurança na cidade. Em menos de dez dias, essa foi a terceira ação em defesa da vítima.
Em atos presenciais e virtuais, comunidade faz pressão pelo andamento das investigações policiais sobre o caso.
Mais uma vez questionada por O Diário, pela terceira vez consecutiva a Secretaria de Segurança do Estado de São Paulo disse que “não há novidades” sobre o episódio, e limitou-se a informar que “as investigações prosseguem”. A reportagem perguntou sobre outras linhas de investigação para além da hipótese de “bala perdida” e reforçou a pressão popular por respostas, mas a nota do Estado permanece a mesma enviada na segunda-feira, dia 14: “Todas as circunstâncias relativas aos fatos seguem sob investigação por meio de inquérito policial instaurado pelo 1º Distrito Policial de Mogi das Cruzes. As diligências prosseguem”.
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Quem organiza o evento desta quarta-feira, é um dos apoiadores de Lucas, Marcelo Cavalheiro, mais conhecido como “Maquininha”. Segundo ele, a ação tem o objetivo de “dizer um basta dessa violência, que não pode ser estabelecida” em Mogi, especialmente em um “centro esportivo”, cujo “objetivo central é trazer alegria para todos”.
O ato reuniu amigos, familiares e alunos de Lucas. Além deles, artistas, comovidos com a situação, se manifestam. “Se tirar a arte da cidade, abrimos espaço para a barbárie, não podemos nos calar, devemos nos unir. Convido toda a classe artística e da educação para se unir nessa luta”, destacou o arte educador Marco Guerra. “Mexeu com artista, que busca o melhor da cidade, mexeu com muita gente. Esse crime simboliza pessoas tentando calar a arte. O que eu quero pedir é justiça” acrescentou.
Também presente, Sonia Beraldo, advogada que está cuidando do caso de Lucas no inquérito policial, destacou que continua buscando respostas e que vai continuar “no pé do Judiciário”.
Ela esteve na Delegacia de Polícia já como oficial representante de Lucas, apresentando diligências e solicitando “que a perícia examine o local do crime, para identificar de onde o tiro possa ter saído”.
Sonia também pede pela busca, “no sistema da Secretaria de Segurança Pública” por casos similares no local; pela verificação ” do averiguado que consta no boletim de ocorrência”, para saber se ele possui alguma ligação com arma de fogo; e pela emissão de um “mandado de busca na casa” deste homem.
Para a vereadora eleita Inês Paz (PSOL), que acompanhou a movimentação, “é fundamental” que a sociedade “não se aquiete” enquanto não descobrir “quem atirou no Lucas”. “Não vamos ficar calados. Toda a comunidade do Jardim Camila tem nosso apoio” destacou ela, que já esteve a frente de outros atos no Largo do Rosário, como o “Mães Mogianas”.
Já o organizador da agenda, Marcelo “Maquininha” diz que o movimento está “crescendo como uma onda”. “Queremos mudanças verdadeiras. O esporte tem poder para transformar vidas, mas os centros esportivos estão abandonados. Não tenho dúvida nenhuma que o Lucas faz falta no Jardim Camila, assim como cada centro abandonado faz falta”, destacou ele, que questiona “como ficará a cidade se cada pessoa que quiser resolver seus problemas, se é que podemos usar a palavra ‘problemas’, usar uma arma de fogo. Chega dessa violência”.
Quase no final do ato, as alunas de Lucas foram convidados para dançar e toparam o desafio. Foi realizada uma espécie de aula de zumba ao ar livre, ao estilo dos encontros promovidos por Lucas.
“Meu sentimento é de raiva, ninguém esperava. Ele um menino bom, de caráter. Quando eu fiquei sabendo do que aconteceu com ele, foi um tiro no peito. Só tenho a dizer para o Lucas que estou com ele e vamos até o fim para saber quem atirou. Ele não está sozinho”, destacou uma das alunas de dança, Ellen Januária.
No local, segurando balões brancos como um símbolo pelo pedido de paz, pessoas de todas as idades buscam mandar energia positiva, gritando o nome de Lucas. O ato chama atenção das centenas de essoas que passam pela praça, conhecida por outras mobilizações populares. Veja fotos:
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