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Classe artística se mobiliza para ajudar Lucas Garcia

A classe artística de Mogi das Cruzes está se mobilizando para ajudar Lucas Garcia, professor de dança que foi baleado no último dia 9, na Arena Água Viva, Jardim Camila, em Mogi das Cruzes. Membros do recém-criado grupo Frente Popular pela Cultura de Mogi, que pretende entregar uma carta aberta ao prefeito eleito com demandas […]

Por O Diário
16/12/2020 18h19, Atualizado há 68 meses

A classe artística de Mogi das Cruzes está se mobilizando para ajudar Lucas Garcia, professor de dança que foi baleado no último dia 9, na Arena Água Viva, Jardim Camila, em Mogi das Cruzes. Membros do recém-criado grupo Frente Popular pela Cultura de Mogi, que pretende entregar uma carta aberta ao prefeito eleito com demandas da área, estão organizando uma vaquinha para arrecadar fundos que custearão, entre outras coisas, o atendimento psicológico da vítima, que terá início nesta quinta-feira, dia 17.

Rapper mogiana à frente da iniciativa, Karen Dias confirma as primeiras doações, feitas por músicos da cidade, embora a campanha ainda esteja em construção. A ideia inicial, segundo ela, era conseguir dinheiro suficiente para as “custas jurídicas”, o que deixou de ser uma preocupação na última segunda-feira, dia 14, quando a advogada Sonia Beraldo se prontificou a representar legalmente Lucas no inquérito policial e também uma eventual ação penal, se for o caso.

Sendo assim, “as custas maiores” passaram a ser as do profissional psicólogo, “um homem de São Paulo, homossexual e drag queen como o Lucas, que saberá acolhê-lo”. O tratamento começa amanhã, dia 17, em sessões virtuais.

Para além disso, o objetivo é oferecer uma renda mínima à vítima, que segue com dor devido ao projétil alojado na região das costelas, e portanto está impedida de trabalhar.

“Ele (Lucas) trabalha com o corpo, e a maior renda que tinha vinha das aulas de zumba e fitdance no Água Verde, que custavam R$ 3 por aluna. Ele tinha muitas pessoas inscritas, mas agora ficou sem renda”, comenta Karen, que, ao ouvir a ideia da vaquinha, logo pensou em conseguir algum dinheiro para ajudá-lo “neste final de ano”.

Por experiência própria, a rapper sabe que “em Mogi tem essa coisa bonita de se juntar para ajudar, para somar as forças”. Recentemente ela foi chamada para fazer um intercâmbio de hip hop em Berlim, na Alemanha, e “os artistas locais super se mobilizaram” para levantar fundos.

 

Ato Pela Paz

Lucas Garcia participou brevemente nesta quarta-feira (16), via transmissão de vídeo, de um Ato Pela Paz em sua defesa, realizado durante a tarde, no Largo do Rosário, na região central de Mogi. “Foi lindo. Fiquei feliz de ver a força das alunas, que levaram a energia das nossas aulas para lá”, diz ele, que está otimista para o tratamento psicológico.

“Quando a gente está mal, fica muito reflexivo, pensando bastante. Ter como compartilhar com uma pessoa que é semelhante e está na mesma luta é magnífico”, continua o professor de dança, cuja advogada, Sonia Beraldo, protocolou nesta quarta-feira (16) uma procuração sobre o inquérito policial.

Sonia esteve nesta quarta-feira (16) na Delegacia de Polícia apresentando diligências e solicitando “que a perícia examine o local do crime, para identificar de onde o tiro possa ter saído”.

Ela também também pede pela busca, “no sistema da Secretaria de Segurança Pública” por casos similares no local; pela verificação “do averiguado que consta no boletim de ocorrência”, para saber se ele possui alguma ligação com arma de fogo; e pela emissão de um “mandado de busca na casa” deste homem.

Ao contrário do que vem sendo repercutido nas redes sociais, Lucas finaliza reafirmando não ter sido ameaçado em momento algum. Como Sonia Beraldo já disse a O Diário, “é prematuro falar em suposições” como a possibilidade de um ataque homofóbico ou religioso.

A recomendação dada à vítima é que aguarde o “trabalho investigativo da Justiça”, o que parece andar a passos lentos. Nesta quinta-feira, pela terceira vez consecutiva a Secretaria de Segurança do Estado de São Paulo disse que à O Diário que “não há novidades” sobre o caso, e limitou-se a informar que “as investigações prosseguem”.

A reportagem perguntou sobre outras linhas de investigação para além da hipótese de “bala perdida” e reforçou a pressão popular por respostas, mas a nota do Estado permanece a mesma enviada na segunda-feira, dia 14: “Todas as circunstâncias relativas aos fatos seguem sob investigação por meio de inquérito policial instaurado pelo 1º Distrito Policial de Mogi das Cruzes. As diligências prosseguem”.

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