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Comerciantes e usuários da Mogi Bertioga cobram agilidade para abertura da rodovia

Comerciantes e usuários da rodovia Mogi-Bertioga cobram agilidade nas obras de recuperação da rodovia e alegam que, se houver vontade política, a estrada pode ser liberada em semanas e não em dois meses como foi anunciado pelo Governo do Estado logo após a interdição da pista por estragos provocados pelas chuvas do último final de […]

Por O Diário
25/02/2023 08h03, Atualizado há 41 meses

Comerciantes e usuários da rodovia Mogi-Bertioga cobram agilidade nas obras de recuperação da rodovia e alegam que, se houver vontade política, a estrada pode ser liberada em semanas e não em dois meses como foi anunciado pelo Governo do Estado logo após a interdição da pista por estragos provocados pelas chuvas do último final de semana. Isso, segundo eles, evitaria prejuízos maiores e até fechamento de estabelecimentos que dependem desse acesso, importante não só para o turismo, mas também para a economia da região, já que é a principal ligação entre Mogi e o Litoral Norte.

As declarações do governador Tarcísio de Freitas (REP)  nessa última semana sobre a possibilidade de reduzir o tempo de obras para recuperação do trecho interditado foram recebidas com “otimismo” pelos comerciantes, que esperam que a obra seja “prioridade” para o governo, já que a obstrução dessa rota prejudica também os fornecedores de produtos para abastecer o litoral., além de impactar a vida das pessoas que utilizam o acesso diariamente para trabalhar, estudar, entre outros motivos. 

Inicialmente, o Departamento de Estradas de Rodagem (DER) e técnicos do governo informaram que a liberação precária da pista poderia acontecer em 60 dias. A conclusão definitiva das obras de reparos está prevista em até seis meses. Tudo depende também das condições climáticas nos próximos dias.

Apesar da previsão de um tempo menor, a situação é preocupante para quem tem lojas na beira da estrada e depende dela para manter seu negócio. O proprietário de um posto de combustível em Biritiba Ussu, Carlos Cardoso, relata que é grande a movimentação das máquinas em trechos com afundamentos, mas como ainda não foi definido um prazo menor para abertura, ele acha que é preciso a mobilização de todos os comerciantes, caminhoneiros e usuários da estrada em busca de apoio de lideranças políticas para intervir em favor da causa. Ele conta que está tentando contato com o diretor regional do DER para saber mais detalhes sobre a obra e prazos antes de qualquer iniciativa nesse sentido.   
“Se esse tempo não for reduzido, a situação vai ficar muito complicada para todos que dependem da estrada, como é o caso do posto, que atende turistas e principalmente os caminhoneiros que transportam os mais diversos tipos de mercadorias. No posto, o impacto no movimento foi imediato desde a interdição no domingo, quando o movimento caiu 80%”, calcula.    

Ele observa ainda que atualmente a rodovia não serve apenas para turismo, mas é usada também para negócios e abastecimento de produtos em Bertioga. Apesar de ter muito movimento de turismo aos sábados e domingos, durante a semana tem também muita procura por parte de caminhoneiros que fazem entregas de todos os tipos de materiais, especialmente de construção, no litoral. 

“Ter que dar a volta pela Imigrantes, além da distância tem a questão de gastos elevados, que vão aumentar os custos dos fornecedores e consequentemente serão repassados aos consumidores do litoral”, avalia Carlos.

Proprietário de uma borracharia na estrada, Fernando Ayona também disse que o movimento dele reduziu cerca de 70% desde domingo. Ele reclama que já teve prejuízo no Carnaval e não aguentaria permanecer dois meses sem rendimento.

Fernando explica que a maioria dos clientes formada por caminhoneiros, que utilizam a via para diversos fins. Apenas 30% dos clientes são do distrito e da região, “A minha sorte é que ainda tem alguns moradores daqui e da redondeza que me procuram, mas não são suficientes. O custo continua o mesmo, tem que pagar o imposto todo mês, a conta de luz, o aluguel e as outras contas”, diz.

Porém, ele também espera que a situação se resolva o mais rápido possível e que prazo de interdição seja menor até pela importância da estrada para a econômica da região e para São Paulo. 

O borracheiro lembra que já aconteceram outros incidentes anteriormente em que os estragos foram recuperados antes do prazo previsto.
“Acredito que não vai levar tanto tempo, como foi anunciado pelo DER. Acho que é um pouco de exagero. Acredito que em duas ou três semanas, estourando quatro, já esteja em condição de liberar a pista para a circulação de veículos. É que eles (representantes do Estado) ficam especulando com relação a prazos para valorizar o empenho deles. Tenho a borracharia aqui há 25 anos e já passei por várias situações de deslizamentos na serra e o prazo é sempre menor que o divulgado”, observa.

Ele também confirma que as “máquinas estão trabalhando no local a todo vapor” e revela que tem mantido contato com engenheiros que estão acompanhando a execução dos serviços e a previsão deles é de que os trabalhos devem demorar um mês para ficar pronto. 
Mesmo otimista com relação a prazos, ele disse que já entrou em contato com vereadores da cidade para pedir a intervenção política deles junto ao governador para acelerar o processo.

Reféns

Alguns comerciantes estão cogitando até a possibilidade de fechar o estabelecimento e abrir um negócio na cidade. Esse é o caso de Camila Ornelas, proprietária do Empório Pão com Linguiça, estabelecimento às margens da estrada e com clientela formada por turistas – a maioria de São Paulo.

A comerciante conta que se preparou para o Carnaval como faz há alguns anos, desde 2005, quando abriu o comércio na rodovia. Como o Carnaval e os primeiros meses do ano são datas importantes para garantir uma boa reserva para pagar as contas, ela dobrou o volume de compras a fim de ter estoque suficiente de todos os produtos para atender a clientela. 

Tudo ia bem até domingo (19), quando ocorreram as tragédias provocadas por desmoronamentos de terras no Litoral Norte e o afundamento das pistas da Mogi-Bertioga. 

“O impacto foi grande e não sei como vai ser e nem o que fazer com essas mercadorias. O pior é que trabalho com lanches e venda de queijo, produto que tem prazo de validade. A maioria da minha clientela é de São Paulo e não vou conseguir vender minhas mercadorias com a estrada fechada”, explica.

Para poder comercializar os produtos e evitar prejuízo ainda maior, ela planeja abrir “uma portinha” no centro de Mogi e ter um ponto de referência na cidade com a possibilidade até de conseguir novos clientes. 

“Não posso mais ficar refém da Mogi Bertioga. Já é a terceira vez que a minha vida fica estagnada porque tem algum problema na rodovia. Não tenho caixa para ficar muito tempo sem movimento, por isso estou indo para Mogi até para procurar um ponto pequeno na cidade para tentar vender e não perder essa mercadoria. Não sei exatamente qual o valor do prejuízo porque não fiz o levantamento de tudo ainda, mas se eu não der um jeito de vender, não tenho como pagar os boletos. Negociei com alguns fornecedores, mas não tenho muito tempo para pagar as contas”, relata. 

Assim como os demais, Camila acredita que se houver vontade política, as obras podem ser concluídas com rapidez, o que poderia evitar o fechamento de muitos estabelecimentos e a perda de empregos naquela região

Mudança na rotina

A situação é complicada também para pessoas que utilizam a estrada para trabalhar diariamente, como é o caso de um grupo de professores que leciona na rede municipal de ensino, em Bertioga. Uma delas é a Michele Aparecida da Silva Santos, que terá que mudar para poder se adaptar a essa situação.  Ela disse que só na escola dela são 16 profissionais de Mogi. “A opção é mudar para Bertioga nesse período para conseguir trabalhar. Os outros professores também  já estão vendo casas para alugar”, explica. 

Além do aumento nos custos, com gastos extras de aluguel e alimentação, para voltar para casa, às sextas-feiras, será preciso dar uma volta enorme pela Rodovia Imigrantes, pagando mais caro pela passagem de ônibus. Se for de carro, têm combustível e pedágios. Os estudantes de Bertioga e Litoral Norte, que viajam todos os dias para frequentar as faculdades de Mogi também não poderão ir e voltar neste período. Para evitar muitos transtornos, a Universidade de Mogi das Cruzes informa que vai oferecer ensino domiciliar aos alunos até que a via seja liberada ao trânsito. 

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