Funcionários antigos do cemitério São Salvador confirmam aumento de onda de furto
Quando se entra pelo portão principal do São Salvador, em Mogi das Cruzes, já é possível observar a gravidade dos furtos denunciados por famílias e noticiados por O Diário há alguns dias. Lápides perderam a identificação, anjos e imagens desapareceram em velocidade acelerada nas últimas semanas em um dos mais antigo e histórico cemitérios da […]
25/03/2023 08h03, Atualizado há 40 meses
Quando se entra pelo portão principal do São Salvador, em Mogi das Cruzes, já é possível observar a gravidade dos furtos denunciados por famílias e noticiados por O Diário há alguns dias. Lápides perderam a identificação, anjos e imagens desapareceram em velocidade acelerada nas últimas semanas em um dos mais antigo e histórico cemitérios da cidade e do Alto Tietê.
A ausência de itens importantes nas lápides é fácil de se perceber: portões, placas de identificação, cruzes, esculturas de metais e até vasos são os objetos de interesse dos criminosos que entram no lugar para os furtos até durante o dia. Familiares de entes queridos enterrados no local aguardam por uma solução porque a série de crimes ainda não foi estancada.
Andando por alguns minutos no São Salvador, a reportagem de O Diário notou as sepulturas violadas. Boletins de ocorrência têm sido registrados, atendendo uma orientação da Prefeitura.
Um funcionário, que não será identificado, considera a situação grave – os relatos dos furtos passaram a ser diários, desde o final do ano passado.
Furtos aqui e ali não são novidade no equipamento municipal. Recentemente, no entanto, a quantidade dos ataques surpreende, inclusive a quem possui familiares e nota o sumiço de peças em um intervalo de dias.
“Já cheguei a encontrar escultura mais alta que eu perto de uma das saídas porque não conseguiram levar, mas não é a primeira vez que tentam furtar até imagens maiores assim”, comentou o servidor que confirmou já ter presenciado furtos menores até mesmo durante o dia, quando o local não possui vigilantes – à noite, também não.
Desde o surgimento das reclamações que se transformaram em registro na polícia, para evitar o acesso dos criminosos, a Prefeitura de Mogi começou a executar obras para aumentar a altura dos muros do cemitério em pontos estratégicos.
A ação, no entanto, não conformou alguns mogianos afetados com o desrespeito a seus antepassados e os prejuízos materais, nem a funcionários antigos.
“Não acho que isso vá resolver, porque não tem segurança para ver quem entra e sai daqui durante o dia. Depois que fecha, às 18h, não há mais ninguém aqui para vigiar, vira um local fácil para quem quer entrar”, disse o funcionário.
A mogiana Kathy Francine Oliver, que é parente do mogiano Cabo Diogo Oliver, que participou e morreu na Revolução de 1934 e é homenageado com a denominação de um dos principais acessos de chegada à cidade entre a Ponte Grande e o centro, também opinou sobre a única medida em prática até agora para solucionar os casos de furtos.
“Eles querem mostrar serviço construindo parte de um muro, alegando que é isso que vai solucionar o problema, mas não acredito que vá adiantar. É um desrespeito, sinto uma desonra… Nem a memória de um mogiano que morreu lutando pode ser preservada com dignidade”, lamentou Kathy, mencionando a falta de esclarecimentos, nas últimas idas diárias ao cemitério.
Questionada por O Diário, a Prefeitura de Mogi confirmou o aumento dos muros como uma das alternativas para inibir a entrada dos ladrões, no entanto, as outras ações ainda não foram apresentadas, a curto prazo, para serem colocadas em prática e acabar de vez com os crimes, além do “fortalecimento e intensificação do patrulhamento do entorno pela Guarda Municipal”, segundo responde o governo por meio de nota.
Ainda de acordo com a administração municipal, as secretarias de Segurança e de Infraestrutura Urbana estão estudando “outras intervenções na área interna do cemitério que poderão ser implementadas a médio prazo como, por exemplo, a implantação de iluminação no local. Estas ações estão em discussão para verificação de viabilidade e efetividade para combater os casos que vêm sendo registrados”.
Cemitério São Salvador tem mais de 150 anos
As obras instaladas nos túmulos antigos do Cemitério São Salvador são de interesse cultural e histórico por serem um registro do culto aos mortos. Como é um dos mais antigos cemitérios da cidade, ali estão enterrados membros de famílias quatrocentonas, cujos sobrenomes chamam atenção por também denominarem ruas, espaços e equipamentos públicos.
Apoio parlamentar
Enquanto a administração municipal não coloca em prática as possíveis soluções cobradas pelos mogianos, sobre um problema teve um aumento considerável neste ano, a população pressiona representantes do poder público.
Nesta semana o assunto foi pauta de reuniões entre os vereadores e representantes da Prefeitura e da Polícia, na Câmara de Mogi. A indignação não permanece limitada somente aos familiares afetados pelos furtos no cemitério São Salvador.
À Kathy Oliver, o vereador Emori (PL) atualizou sobre o andamento das discussões que estão sendo realizadas na casa, que foram repassadas a O Diário: “na Câmara Municipal recebemos o comandante da Polícia Militar, os delegados dos Distritos Policiais, o secretário de Segurança de Mogi, Toriel Sardinha, e outros, para tratar dos últimos acontecimentos, principalmente o ocorrido nos cemitérios. Vários vereadores passaram as reclamações vindas, inclusive eu”, informou ele.
Foi esclarecida responsabilidade pela segurança do local. “A Prefeitura é responsável pelo cemitério, mas segurança é de toda polícia. Ficaram de fazer mais rondas, ficaram de viabilizar tecnologias como câmeras. O secretário Toriel afirmou também que recebeu alguns familiares de vítimas esta semana”, complementou.
Em uma visita registrada em vídeo dentro do próprio São Salvador, apresentando alguns exemplos de lapides violadas, o vereador Otto Rezende (PSD) demonstra descontentamento a situação.
Apesar das reuniões mais recorrentes, para a família Oliver, ainda são muitas promessas e poucas ações.
“Me parece que agora estão falando, porém não garantiram de fato uma solução imediata. Promessas, apenas”, lamentou a mogiana.
O empresário Eduardo Pierucetti, que também foi surpreendido com furto de peças no túmulo familiar, acredita será necessário continuar pressionando o poder público para que seja feita uma investigação de quem seria o autor (ou os autores) dos furtos, em paralelo com o aumento da segurança no cemitério, que até agora, não aparenta ter eficácia.
“Vamos tentar reunir outros familiares para fazer volume e atenderem a nossa cobrança. Não podemos deixar o assunto quieto, pois é a história de Mogi que está sendo perdida”, comentou.
Além dessa questão pontual, o setor tem outras pendências como a melhoria dos velórios e a ampliação do total de sepulturas nos cemitérios do município. (M.A.)
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