Lideranças de Mogi querem unir forças para barrar estudo de pedágio em rodovias
A retomada dos estudos para a implantação de cobrança aos motoristas que circulam pelas rodovias Mogi-Dutra e Mogi-Bertioga, com acesso a Mogi das Cruzes, repercute na cidade e movimenta grupos da sociedade civil e lideranças políticas contrárias à medida. Isso porque, mesmo com o cancelamento da concessão Lote Litoral, em 22 de dezembro de 2021 […]
13/05/2023 07h36, Atualizado há 39 meses
A retomada dos estudos para a implantação de cobrança aos motoristas que circulam pelas rodovias Mogi-Dutra e Mogi-Bertioga, com acesso a Mogi das Cruzes, repercute na cidade e movimenta grupos da sociedade civil e lideranças políticas contrárias à medida.
Isso porque, mesmo com o cancelamento da concessão Lote Litoral, em 22 de dezembro de 2021 e o posicionamento do então candidato ao governo estadual, Tarcísio de Freitas (REP), contrário aos pedágios, ele anunciou recentemente que adotará o sistema free flow de cobrança de tarifa nas estradas concedidas do Estado, que prevê tarifa correspondente à distância percorrida nestas vias.
A Secretaria de Estado de Parcerias em Investimentos confirmou a este jornal que a Mogi-Dutra e a Mogi-Bertioga estão incluídas entre as rodovias que passarão por concessão pelo Programa de Parcerias em Investimentos do Estado de São Paulo (PPI-SP).
Segundo o prefeito Caio Cunha (PODE), que inicialmente diz se manter contra a proposta, é preciso conhecê-la melhor, avaliar como afetará a população e a economia da cidade, assim como as possíveis contrapartidas em obras de mobilidade urbana que possam ser oferecidas pelo Estado.
“Ainda não temos muita informação. Sabemos apenas que isso será implementado em todo o Estado. A dúvida é se faz parte do projeto do litoral ou se é algo para todas as vias. Precisamos entender qual o benefício para a nossa cidade. Concordo que é uma tecnologia diferente e mais democrática, porque cobra por quilometragem, porém, não deixa de ser um pedágio. Então, inicialmente, enquanto não tiver todas as informações sobre como será feito, o motivo, se de fato vai acontecer, quanto será este valor e quais as contrapartidas ao município, já me posiciono contrário, de pronto”, reforça Caio.
Porém, o prefeito diz que, em conversas no Palácio dos Bandeirantes, na capital paulista, os atuais secretários de Estado concordam que o projeto do governo anterior era inviável e apontam diferenciais na nova proposta. “Realmente era uma aberração o que estava sendo proposto naquela época. Agora, é preciso conhecer bem o que está sendo estudado desde o início do ano, por orientação do próprio governador, que tem esta visão de terceirização, privatização e concessão. O modelo free flow faz parte deste pensamento dele. Acho interessante a questão das privatizações, mas precisamos entender como isso vai ser feito, qual o impacto na vida dos mogianos e das empresas. Sou contra qualquer tipo de cobrança que venha a ser feito em modo de pedágio na Mogi-Dutra, a não ser que fique bem claro que de fato haverá um baita benefício para a cidade em investimentos no setor de mobilidade, para justificar esta implantação. Ao contrário disso, sou totalmente contra”, reforça o chefe do Executivo mogiano.
As contrapartidas apontadas por Caio ao município, que poderiam justificar a medida, seriam a duplicação da Estrada do Evangelho Pleno, conhecida como do Pavan e responsável por retirar da região central grande parte do fluxo de caminhões e veículos com destino ao litoral; construção de alças de acesso às rodovias Ayrton Senna e Presidente Dutra – já nas proximidades de Arujá -; duplicação de 1,3 km do trecho final da Mogi-Dutra, que ficou fora da obra entregue em abril de 2021; e implantação de acesso da Ayrton Senna ao Distrito Industrial do Taboão – estudos preliminares já foram concluídos pela Ecopistas, concessionária responsável pela rodovia, que já de propôs em arcar com a obra orçada em R$ 80 milhões.
“É um conjunto de obras e melhorias que dá para ser feito, e esperamos que seja feito independentemente do pedágio. Mas claro que esta seria uma contrapartida que teria que ser vista com mais cuidado”, aponta o prefeito.
Já na Mogi Bertioga, ele considera que a situação é diferente, já que o gasto que o Estado tem com a manutenção da estrada se torna mais alto do que com a Mogi-Dutra. “Vira e mexe estamos vendo a necessidade de obras de contenção de barreira e outras, como esta que precisou ser feita recentemente, até na parte debaixo da estrada, então, o investimento para manutenção da rodovia é muito grande. Agora, visivelmente, a duplicação da Mogi-Bertioga não vai acontecer, então acho que dificilmente o Estado conseguirá justificar a implantação de pedágio com uma obra lá. Sabemos que o projeto anterior previa uma praça de cobrança já no trecho de chegada a Bertioga. Porém, neste ponto, acho que também devem ser pensados os benefícios e contrapartidas que a cobrança poderá trazer à cidade, assim como no caso da Mogi-Dutra”, conclui o prefeito.
Câmara faz moção de apelo ao Estado
Para reforçar a posição contrária à cobrança de pedágio nas rodovias Mogi-Dutra e Mogi-Bertioga, a Câmara Municipal aprovou, na sessão desta terça-feira (9), uma moção de apelo solicitando ao governador Tarcísio de Freitas (REP), a desistência em instalar um sistema de pagamento automático que não utiliza as tradicionais praças, o chamado free flow, nas duas estradas com acesso à cidade.
Autora do documento, a vereadora Inês Paz (PSOL), aponta que a medida atingirá diretamente a economia dada cidade, conhecida pela produção de alimentos. “Essas duas rodovias são elos entre bairros da divisa. Portanto, essa cobrança implicaria em maior gasto dos trabalhadores no acesso ao seu local de labor ou de lazer”, destaca.
Ela também frisa que a Mogi-Dutra foi construída, na década de 1970, com aporte financeiro exclusivo da municipalidade, sem apoio dos governos estadual e federal. “Esse fato eleva a cobrança para um patamar ainda mais impertinente”, diz.
A opinião é compartilhada pelo presidente da Câmara, vereador Marcos Furlan (PODE), que promete acionar lideranças e apoiar movimentos da sociedade civil para sensibilizar o Estado o mais rápido possível, antes que os estudos de concessão avancem. “O governador tem uma visão global do que acontece em solo paulista e uma ideia macro do sistema free flow.
Cabe a nós, lideranças políticas regionais, levar a ele toda a luta da cidade para barrar os pedágios na Mogi-Dutra e Mogi-Bertioga, somando forças com o prefeito, a sociedade civil e os deputados estaduais André do Prado (PL) e Marcos Damásio (PL), e federais Rodrigo Gambale (PODE), Marco Bertaiolli (PSD) e Márcio Alvino (PL)”, diz.
Ele considera que a moção aprovada na Câmara foi um primeiro passo. “Ninguém está feliz de ver esse assunto à tona novamente, depois de tantas batalhas. Porém, o mogiano é um povo aguerrido, e estou convicto de que os cidadãos já estão prontos para retomar a luta. Argumentos contrários à cobrança não nos faltam, já que a Mogi-Dutra atravessa um importante polo industrial da cidade, que é o Taboão, com grande potencial de crescimento; nossa economia é muito dependente do escoamento agrícola, que seria prejudicado com o pedágio, independentemente de sua modernidade tecnológica; e tanto a Mogi-Dutra como a Mogi-Bertioga são cercadas por bairros densamente povoados, ou seja, a cobrança afetaria diariamente centenas de pessoas”, elenca.
O presidente da Comissão de Transportes e Segurança da Câmara, vereador Maurino José da Silva (PODE), também reforça sua posição contrária aos pedágios. “Acredito que este será um assunto debatido incansavelmente na região, que já mostrou a insatisfação da população, e manteremos a mesma postura. Vamos buscar medidas que inviabilizem a medida, que pode prejudicar a região economicamente, além de nos reunir com os deputados da região, buscando apoio para que isso não seja implantado”, conclui.