Mogi volta a se unir contra o fechamento da passagem de nível da Deodato
Comerciantes, moradores e lideranças da cidade se mobilizam mais uma vez para tentar evitar o fechamento da passagem de nível da rua Deodato Werthaimer, um dos principais corredores comerciais da cidade, que pode ser interditado para os pedestres a partir do dia 1º de julho, como foi estabelecido em acordo entre a Companhia Paulista de […]
24/03/2022 17h50, Atualizado há 53 meses
Comerciantes, moradores e lideranças da cidade se mobilizam mais uma vez para tentar evitar o fechamento da passagem de nível da rua Deodato Werthaimer, um dos principais corredores comerciais da cidade, que pode ser interditado para os pedestres a partir do dia 1º de julho, como foi estabelecido em acordo entre a Companhia Paulista de Trens Metroplitanos (CPTM) e a Prefeitura de Mogi. Caso não consigam resolver a situação com pressão política, eles pretendem recorrer à Justiça para evitar impactos econômicos e a segregação do bairro do Mogilar.
As estratégias contra o fechamento da cancela foram discutidas durante reunião, no início da tarde desta quarta-feira (24), na Igreja Manancial da Fé, próxima à linha férrea, na Deodato, rua que liga o centro da cidade ao Mogilar, por onde passam diariamente milhares de pessoas para trabalhar, estudar, ir à igreja, ao hospital Luzia de Pinho Melo, e para diversas outras atividades.
O deputado federal Marco Bertailli (PSD), ex-prefeito de Mogi, que esteve presente ao encontro disse que já protocolou um documento junto à direção da CPTM, solicitando a suspensão da medida até que a Companhia providencie uma alternativa para o acesso, no caso uma passarela com escada rolante, como havia sido combinado com a empresa durante a sua gestão, em 2015, quando foi construído o Complexo Viário Tirreno Da San Biagio, passando por baixo da linha do trem para melhorar o trânsito da área central da cidade, que parava a cada vez que a cancela da Cabo Diogo Oliver tinha que ser fechada para a passagem do trem.
Na época, segundo o deputado, a Prefeitura se comprometeu em fazer a obra do túnel e a CPTM ficou incumbida de providenciar a reforma da estação do Centro e construir o acesso para os pedestres antes de fechar a passagem de nível da Deodato. Bertaiolli apresentou o documento relatando falando sobre esse compromisso, que foi encaminhado à CPTM, durante o encontro. Ele disse ter conversado sobre o assunto com os diretores e que a estatal teria demonstrado disposição em rever o caso. O prazo para que a CPTM responda o pedido do parlamentar se encerra no dia 15 de abril, data em que já foi agendada uma nova reunião para tratar do assunto, no mesmo local.
Caso a CPTM não atenda ao pedido, a Associação Comercial de Mogi das Cruzes, representada no encontro por sua presidente Fádua Sleiman, se comprometeu em recorrer judicialmente da medida para evitar o fechamento da passagem.
Os comerciantes estão preocupados com a situação, como relata Ricardo Teixeira, que tem uma loja próxima a linha. Com o fechamento do acesso, o trecho da rua Deodato entre a Ricardo Vilela e Najavas, assim como o outro lado da passagem vai sofrer com a queda de movimento. Porém, ele disse que está “otimista” e acredita em resultado positivo, com a união de forças da cidade contra a medida.
O pastor Marcos Marques, líder da Igreja Manancial da Fé, também considerou o encontro “muito produtivo”. Ele explicou que a igreja apenas sediou o encontro e disse que todos estão apreensivos com os impactos negativos como a desvalorização dos imóveis, fechamento de estabelecimentos, além das dificuldades do acesso dos moradores do bairro ao centro, especialmente neste momento em que o Mogilar está passando por um processo de expansão e crescimento imobiliário.
“Vai ser um que um baque para o bairro essa questão do fechamento, porque as pessoas com mais idade vão ter problema de mobilidade e dificuldade na locomoção até o centro. Estamos lutando para que continue aberto porque vai ser bom para a população e para todo o município, evitando uma segregação de bairro. Se isso acontecer vai ter uma diferença gritante, com um lado da cidade prosperando e crescendo e outro lado com o bairro enfraquecido com fechamento de comércio e abandono nas ruas”, avaliou.
Se fechar a passagem da Deodato, os pedestres vão ter que dar uma volta e ir até o acesso da rua Cabo Diogo Oliver, na Sacadura Cabral, para fazer a transposição da linha.
O assunto vem sendo discutido desde o fim de 2021, quando a CPTM anunciou o fechamento da cancela para pedestres com a justificativa de que a medida é necessária para garantir a segurança e reduzir o intevalo entre os trens. Na época a comunidade também se mobilizou e conseguiu evitar que isso acontecesse,
Associação Comercial
A diretoria da Associação Comercial de Mogi das Cruzes (ACMC) encaminhou nota a este jornal, confirmando que a participação na reunião que discutiu o fechamento da passagem de nível da rua Doutor Deodato Wertheimer.
A entidade ressalta que acompanha desde a implantação do complexo viário Jornalista Tirreno da San Biagio, a promessa da CPTM de realizar melhorias em torno da região. Para a Associação, a interdição do trecho também significa a segregação dos comércios, a quebra de negócios, a desvalorização dos imóveis da área e o desemprego, além de impossibilitar a locomoção dos comerciantes, consumidores, moradores e consequentemente impactando no desenvolvimento da cidade com a queda de arrecadação.
“A Associação Comercial, como voz do comércio, está determinada a lutar até o fim por Mogi, não vamos desistir”, destacou a presidente da ACMC, Fádua Sleiman. A entidade aguarda uma posição da CPTM em relação ao processo de fechamento da passagem de nível, que, de acordo com Bertaiolli, deve ter uma resposta do presidente da companhia, Pedro Moro, até o próximo dia 15.
CPTM
A CPTM também se manifestou sobre o assunto. Em nota encaminhada a este jornal a estatal alega que mesmo com o processo para fechamento da passagem em nível acordado em reunião realizada em 7 de janeiro entre a companhia, a Prefeitura e a Secretaria de Transportes do município e consignado na Justiça, a CPTM tem se mostrado sensível às solicitações de adiamento do fechamento da passagem em nível para pedestres na Rua Deodato Wertheimer, a cerca de 150 metros da Estação Mogi das Cruzes.
Informa ainda que a companhia tem realizado estudos e busca ativamente por uma solução que contemple os desejos da comunidade local e, ao mesmo tempo, as necessidades de operação da linha. Assim que validada técnica e orçamentariamente, a solução será comunicada.