Mogiano Cid Torquato recebe três homenagens em São Paulo
“Recebo estas homenagens como fruto de um trabalho realizado, dessa minha luta pelo meu próprio protagonismo e, potencialmente, das pessoas com deficiência em geral. O que começou como uma fatalidade, hoje é uma missão, razão pela qual eu dedico estas honrarias a todas as pessoas com deficiência e a todos os segmentos minorizados, que lutam […]
28/04/2023 15h08, Atualizado há 39 meses
“Recebo estas homenagens como fruto de um trabalho realizado, dessa minha luta pelo meu próprio protagonismo e, potencialmente, das pessoas com deficiência em geral. O que começou como uma fatalidade, hoje é uma missão, razão pela qual eu dedico estas honrarias a todas as pessoas com deficiência e a todos os segmentos minorizados, que lutam pelos seus direitos e pelo seu lugar na sociedade”.
Estas afirmações foram feitas, no final da manhã desta sexta-feira (28), pelo advogado mogiano Cid Torquato, 60 anos, ao receber uma tríplice homenagem na Câmara Municipal de São Paulo. De uma só vez, lhe foram outorgados o título de Cidadão Paulistano, a Medalha Anchieta, uma das principais condecorações do Estado, e um diploma de gratidão por seu trabalho, em favor das pessoas deficientes, por iniciativa do vereador paulistano George Hato (MDB).
Inúmeras autoridades, amigos e familiares acompanharam a sessão solene, no plenário 1º de Maio. Entre os presentes, o ator mogiano Nelson Freitas, que também saudou o amigo em um discurso, ao lado de outras autoridades que enalteceram o trabalho e a garra de Cid Torquato. Cid já foi secretário municipal e estadual dos Direitos da Pessoa com Deficiência, onde realizou um grande trabalho em favor dos deficientes físicos da Capital e de todo o País.
Num discurso carregado de muita emoção, o mogiano que ficou preso a uma cadeira de rodas após um grave acidente que o deixou tetraplégico, quando mergulhava no Mar Adriático, na região da Croácia, fez um breve histórico de sua ligação com São Paulo, a partir do momento em que, no ano de 1981, deixou Mogi para estudar Direito na Capital.
“Mesmo mantendo contato com os amigos mogianos de infância e adolescência, a partir dessa época, minha residência e domicílio sempre foram em São Paulo. Ou seja, há muito tempo que eu já desfruto dessa dupla cidadania”, disse Cid, lembrando que já havia morado em uma pensão da Liberdade, em um quarto alugado na Brigadeiro Luís Antonio, com curta passagem pelo Brooklin, até conhecer o maravilhoso Condomínio Edifício Bretagne, em Higienópolis, onde reside há 40 anos.
“Foi a partir desse prédio iconográfico que interagi com o mundo”, contou o mogiano, que após concluir a Faculdade de Direito e se especializar em Direito Empresarial, foi atraído para outras atividades em outros mercados, “ficando o Direito sempre como uma base sólida a dar estofo para meus compromissos profissionais”.
Cid também contou que ao longo de mais de 40 anos como morador de São Paulo, desfrutou da sua noite e procurou aproveitar as oportunidades que surgiram.
“Viajei muito pelo mundo, mas, mesmo com a possibilidade de me mudar para o exterior, sempre optei por voltar à minha base e, a partir daqui, ser o cidadão do mundo que sempre quis ser”, disse ele, ao recordar o início de seu envolvimento com a tecnologia, ainda “nos primórdios da internet no Brasil”.
Escrevendo para várias revistas nacionais e internacionais, fazer comentários em importantes emissoras de rádio, ele viveu o boom e, logo em seguida, o estouro da bolha da internet, sempre trabalhando para empresas de ponta do setor.
Uma de suas experiências profissionais mais marcantes aconteceu em Brasília, durante o governo do presidente Fernando Henrique Cardoso, quando atuou em importantes projetos de informatização da administração federal. Também concebeu e fundou a Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico, com a participação das principais empresas do País.
“Colaborei com o fortalecimento da economia no Brasil”, disse ele, antes de lembrar que, em 2007, “num descuido , na Croácia, mergulhei em lugar errado e quebrei o pescoço, ficando tetraplégico, sem move ou sentir mais de 80% do corpo”.
Cid então conta que foi obrigado a se reinventar, “na marra”. E ainda em São Paulo que ele diz ter encontrado “novos caminhos”, depois de receber apoio da AACD e Rede Lucy Montoro.
“Tive o privilégio – prosseguiu ele – de, com seis meses de lesão, ser contratado para integrar o time da recém-criada Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência”, onde chegou a secretário-adjunto e, na sequência, tornou-se secretário da gestão Doria-Covas à frente da pasta.
“Foram experiências extraordinárias, que me mostraram a importância e a satisfação de ajudar a melhorar a qualidade de vida das pessoas que mais precisam”, disse Cid Torquato, atualmente ocupando o cargo de CEO do Icom, plataforma de atendimento e comunicação em Libras. Ele continua como ativista “em causa própria e em prol da acessibilidade e dos direitos das pessoas com deficiência”.
“Na verdade, meu principal tema atualmente é acessibilidade digital, a criação das primeiras normas brasileiras do setor, fundamental para a inclusão das pessoas com deficiência neste nosso mundo hiper conectado”, afirmou ele, antes de dizer que recebia as homenagens “como fruto desse trabalho, dessa minha luta pelo meu próprio protagonismo e, potencialmente, das pessoas com deficiência em geral”.
E emendou: “O que começou como uma fatalidade, hoje é uma missão, razão pela qual eu dedico estas honrarias a todas as pessoas com deficiência e a todos os segmentos minorizados, que lutam pelos seus direitos e pelo seu lugar na sociedade”.
Cid Torquato então agradeceu diretamente aos envolvidos com as homenagens que acabara de receber:
“Pela oportunidade de estar aqui, hoje, agradeço, principalmente, o meu querido amigo George Hato, excelente vereador desta casa, pela generosa iniciativa de me conceder o Título de Cidadão Paulistano e a Medalha Anchieta. Agradeço, também, a todos os presentes, que vieram prestigiar esta ocasião especial. Muito obrigado a vocês, meus amigos, parceiros e companheiros de luta! Meu muito obrigado a José Araújo Neto e Carlos Cruz, que formaram a mesa, por serem parceiros e amigos do peito. Sou muito grato à minha mãe, irmãs, cunhados e sobrinhos, por serem o meu porto seguro sempre quando preciso! Agradeço, ainda, com muito amor, a cumplicidade da minha esposa querida, Fabienne Muzy, e dos meus lindos filhos, Nicolau e Nina Torquato. Por fim, minha mais profunda gratidão a esta grande cidade, que me acolheu, como acolhe todos os anos milhares de brasileiros de todos os cantos do Brasil, permitindo que eu me desenvolvesse e crescesse para ser quem eu sou hoje!”
Ele voltou a agradecer, emocionado, ao receber os aplausos de todos os presentes ao evento.
Mogiano de vanguarda
Mesmo sem nunca ter recebido um convite para trabalhar em algum setor de Mogi das Cruzes, Cid Torquato também mantém fortes laços com a cidade, onde ainda possui velhos amigos dos tempos de juventude ou conhecidos mais recentemente.
Aos 60 anos, Cid Torquato, é um grande defensor da luta por inclusão e acessibilidade, além da formação e capacitação constante das pessoas com deficiência. É considerado um dos mais importantes e respeitados defensores do setor, como ficou demonstrado pelo seu trabalho no comando da Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência de São Paulo, entre 2017 e 2020. Cid também já atuou ativamente junto à Secretaria de Estado da Pessoa com Deficiência no Estado e, atualmente, continua trabalhando junto à iniciativa privada como presidente da Icom Libras, um serviço on-line de comunicação entre pessoas ouvintes e surdos que utilizam a Língua Brasileira de Sinais. A plataforma traduz conversas em tempo real para corporações, órgãos públicos e pessoas físicas.
Há pouco tempo, Cid liderou campanha para inclusão da Acessibilidade como o 18º Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU). Também desenvolveu, juntamente com a advogada Juliana Abrusio, o Guia Prático de Acessibilidade e Inclusão Digital.