Morador da ocupação na Vila São Francisco tem atendimento de ambulância prejudicado
Flavio Henrique de Paula, 23 anos, é morador da ocupação na Vila São Francisco e sofre com epilepsia, demandando cuidado e tratamentos frequentes. Nesta quinta-feira (24), o jovem passou mal e precisou que solicitassem uma ambulância para ter atendimento em alguma unidade de saúde de Mogi das Cruzes, porém, o serviço foi dificultado pelos tubos […]
24/03/2022 16h23, Atualizado há 53 meses
Flavio Henrique de Paula, 23 anos, é morador da ocupação na Vila São Francisco e sofre com epilepsia, demandando cuidado e tratamentos frequentes. Nesta quinta-feira (24), o jovem passou mal e precisou que solicitassem uma ambulância para ter atendimento em alguma unidade de saúde de Mogi das Cruzes, porém, o serviço foi dificultado pelos tubos que separam o bairro da ocupação desde abril de 2021. A Prefeitura diz que a colocação das barreiras foi feita com o intuito de evitar a instalação de novas pessoas na área, “porém não impede o acesso de viaturas de resgate ao local”, e afirma que o acesso pode ser feito pela avenida Katsuji Kitaguchi.
De acordo com o representante do Movimento Ocupa Mogi e morador da ocupação, Luiz Ricardo Alves, situações como a de Flavio já ocorreram mais de uma vez. “Em pelo menos seis outras ocasiões os moradores enfrentaram situação parecida nesse período em que estamos aqui. Infelizmente temos até um caso do falecimento de um recém-nascido que aguardava pelo serviço”, relata o morador.
Não são apenas as ambulâncias que encontram dificuldades para acessar os moradores na ocupação por conta da barreira, outros serviços básicos também acabam não sendo realizados da forma ideal, como é caso da coleta de lixo e do transporte escolar.
“Até a coleta de lixo é afetada e acaba sendo necessário com que cada família deixe o seu lixo ao lado dos tubos para que os trabalhadores possam fazer a coleta até o caminhão”, explica Luiz, ressaltando o fato de que o lixo acaba se acumulando na mesma área em que os moradores acessam a ocupação. “Sem contar as nossas crianças que precisam se deslocar até os tubos para conseguir pegar o transporte escolar para frequentar a escola”, conta.
No próximo mês completará um ano em que a ocupação está dividida pelos tubos de concreto, além disso, também com postos da Guarda Civil Municipal que realiza o monitoramento de quem entra e de quem sai.
“Vivemos uma exclusão total por parte do poder público”, lamenta o morador.
Já há mais de um ano instalados em um terreno no bairro da Vila São Francisco, apesar de diversas tentativas de desocupação do espaço, a administração municipal só poderá exigir a retirada das famílias quando apresentar um plano de moradia para que saiam do terreno com local certo para mudança.
“Até o momento não tivemos nenhum tipo de assistência real por parte da prefeitura, no máximo, foi feito levantamento de cada um e cada família que estava somando à ocupação. Ainda não nos foi apresentado nem plano para que possamos sair daqui com dignidade”, conclui.
Prefeitura
Em nota encaminhada a O Diário, a Prefeitura de Mogi lembra que a colocação das barreiras foi feita com o intuito de evitar a instalação de novas pessoas na área, porém não impede o acesso de viaturas de resgate ao local. O Executivo destaca que o acesso pode ser feito pela avenida Katsuji Kitaguchi.
“Sobre atendimentos em saúde, todas as pessoas que lá estão podem buscar atendimento nas unidades de saúde da cidade”, trouxe a nota.
A Prefeitura reitera que a situação da Vila São Francisco é” totalmente imprópria e não oferta segurança ou dignidade às pessoas que lá estão. Por isso, segue defendendo a desocupação voluntária do local. Nos últimos meses, foram identificados 19 casos de unidades voluntariamente desocupadas”.
Por fim, a administração diz que aguarda neste momento julgamento de recurso junto ao Tribunal de Justiça de São Paulo, com o intuito de proceder com a desocupação da área, e que será ofertado acolhimento a quem precisar.