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Após ser baleado, Lucas Garcia conta com apoio popular e cultural

Sobre o caso de Lucas Garcia, professor de dança que foi baleado no último dia 9, na Arena Água Verde, no Jardim Camila, em Mogi das Cruzes, a Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo mais uma vez limita-se a dizer a O Diário apenas que “as investigações prosseguem”. Por outro lado, nas […]

Por O Diário
15/12/2020 19h09, Atualizado há 68 meses

Sobre o caso de Lucas Garcia, professor de dança que foi baleado no último dia 9, na Arena Água Verde, no Jardim Camila, em Mogi das Cruzes, a Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo mais uma vez limita-se a dizer a O Diário apenas que “as investigações prosseguem”. Por outro lado, nas redes sociais segue ativo o movimento que questiona “#QuemAtirouNoLucas?”. 

A campanha, aliás, ganha cada vez mais força. Nesta quarta-feira, por exemplo, será realizado um Ato Pela Paz, no Largo do Rosário, com direito a uma aula de zumba a partir das 15 horas.

Quem organiza o evento é um dos apoiadores de Lucas, Marcelo Cavalheiro, mais conhecido como “Maquininha”.Em um vídeo gravado ao lado de Alexandre Garcia, pai da vítima, ele diz que a ação tem o objetivo de “dizer um basta dessa violência, que não pode ser estabelecida” em Mogi, especialmente em um “centro esportivo”, cujo “objetivo central é trazer alegria para todos”.

O próprio Lucas, ainda com dor provocada pelo projétil que segue alojado entre suas costelas, diz se sentir grato por esta e outras iniciativas que fortalecem argumentos em sua defesa. “O que aconteceu comigo pode acontecer com outra pessoa. É um sentimento de trazer a irmandade, de ter um propósito só”, diz ele, que espera conseguir avanços na investigação policial.

“Estão fazendo barulho, estão cobrando respostas. Se depender da Polícia é tudo muito devagar. Ter esse apoio me conforta, fico aliviado e consigo respirar melhor,”. A torcida dele vai além do pedido “de Justiça”. 

“Quero continuar com isso. Quero entrar com representatividade maior ainda, com projetos culturais e musicais”, afirma, agora com a assistência jurídica de Sonia Beraldo, que vai protocolar uma procuração para representá-lo no inquérito.

Ainda assim, Lucas admite se sentir apreensivo. “Às vezes sem querer me vem o sentimento de medo e perseguição. Estou tentando ficar firme com o apoio do pessoal, mas vou começar tratamento psicológico em breve, com uma profissional drag queen, como eu, indicada pelo pessoal da Frente Popular pela Cultura de Mogi”. 

Para ele, encontrar respostas sobre o tiro que levou na região do tórax não é apenas  uma questão pessoal. “Temos que aproveitar  para refletir enquanto sociedade. Agora tenho visibilidade, mas outra pessoa pode não ter”, finaliza ele, que não descarta a possibilidade de um ataque homofóbico ou religioso. 

Apoio LGBT
Como vem mostrando este jornal, Lucas recebeu apoio de toda a comunidade artística de Mogi das Cruzes e região. Cantores, atores, ativistas e outros profissionais da Cultura publicaram vídeos de apoio, em uma campanha que tem outro braço importante: o Fórum Mogiano LGBT.
O coordenador do Fórum, Gustavo Don, suspeita de “tentativa de assassinato motivada por homofobia”. A maior preocupação dele neste momento, além de “exigir que o criminoso seja identificado, localizado e preso imediatamente”, é pela saúde e segurança do professor de dança.
“Sabemos o quão traumática pode ser uma agressão como essa. Queremos que ele reestabeleça a saúde, não somente física como mental”, explica Don, que junto da Frente Popular Pela Cultura de Mogi participa da mobilização em atos como um realizado no sábado último, pela internet. 

Represenação legal

Em meio ao medo e insegurança, o professor de dança Lucas Garcia recebeu nesta semana uma chance de esperança. A advogada Sonia Beraldo o representará legalmente no inquérito policial, e se preciso, também numa “eventual ação penal”. 
A intenção do apoio jurídico é “colaborar com a Polícia e o Ministério Público” para que seja encontrada o quanto antes uma resposta para a pergunta #QuemAtirouNoLucas?”, em alta nas redes sociais.

Manifesto é protocolado na Câmara

Nesta terça-feira, dia 15, foi aprovada por unanimidade na Câmara Municipal uma “moção de repúdio ao caso Lucas”, como conta em vídeo publicado nas redes sociais o vereador Rodrigo Valverde (PT).

Nas palavras do parlamentar e co-autor do documento ao lado do também vereador Iduigues Martins (PT), a suspeita é “de crime por homofobia”. 
“A Câmara Municipal repudia o que aconteceu com o professor Lucas. Um tiro covarde pelas costas, e provavelmente mais um crime no Brasil e em Mogi das Cruzes, de homofobia. A polícia tem o dever de apurar esse caso. Vários populares falam quem é o suspeito e a polícia não apura, o que é um erro crasso ou proposital”, diz Valverde, que espera que a moção funcione como pressão para “cobrar das autoridades as ações necessárias”. 

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