MP vai investigar a conduta de falso médico que socorria vítimas em rodovia
O Ministério Público de São Paulo vai investigar a conduta de um falso médico, que atuava no resgate da rodovia Presidente Dutra. Gerson Lavisio, de 32 anos, usava um diploma falso e não tem registro no Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp). O número do CRM apresentado por ele, era de um médico […]
23/03/2022 17h28, Atualizado há 53 meses
O Ministério Público de São Paulo vai investigar a conduta de um falso médico, que atuava no resgate da rodovia Presidente Dutra. Gerson Lavisio, de 32 anos, usava um diploma falso e não tem registro no Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp). O número do CRM apresentado por ele, era de um médico que já morreu.
Ele, que prestava serviços médicos para a concessionária que administra a via Dutra, atendeu a ocorrência que acabou revelando a fraude, no último dia 13, em Lavrinhas, São Paulo. Após um acidente, envolvendo três caminhões, ele autorizou a amputação da perna de um dos motoristas envolvidos, um homem de 36 anos, que estava preso às ferragens, o que teria chamado atenção de outros profissionais de saúde.
O caso chegou ao MP na última segunda-feira e, segundo o órgão, o promotor Jaime Nascimento, da Promotoria de Justiça de Pindamonhangaba, solicitou a folha de antecedentes e as certidões criminais de Lavisio. Ele também é investigado pela Polícia Civil.
Numa reportagem do Fantástico, um dos colegas que trabalhava na estrada com Gerson, e que não quis ser identificado, contou algumas situações que presenciou:
“A conduta que ele tomava não era de um médico. Por exemplo, quando é problema de coluna, a gente tem que aplicar um analgésico ou até mesmo um remédio via oral, mas o que ele fez? Ele aplicou um um calmante 10mg na veia. O usuário ficou desfalecido já, não estava nem andando mais. E também teve um paciente que precisou ser suturado. Ele fez a sutura, mas os pontos que ele fez estavam todos irregulares, ele não conseguia fazer o laço do ponto. E fez tudo errado”.
Após a ocorrência, o falso médico foi desligado. Em nota, a CCR Rio-SP informou que adotou junto à empresa uma apuração do corpo clínico e novos processos de checagem durante as contratações. “A Concessionária RioSP lamenta muito o ocorrido e se solidariza com a vítima e seus familiares. O falso médico foi desligado imediatamente e não presta mais serviços à terceirizada Enseg, empresa contratada pela concessionária. Infelizmente também fomos vítimas desta fraude que se consumou com o exercício ilegal da profissão, atingindo a todos”.