Sem resposta para crime, Lucas Garcia volta a dar aulas presenciais
Baleado em dezembro de 2020 após ministrar uma aula de dança em quadra pública, o professor Lucas Garcia volta, nesta semana, a trabalhar ao ar livre. Dessa vez, ele está amparado pela Associação dos Moradores do Jardim Camila e se sente mais seguro. O andamento de seu caso, porém, segue a passos lentos. De acordo […]
03/02/2021 19h03, Atualizado há 66 meses
Baleado em dezembro de 2020 após ministrar uma aula de dança em quadra pública, o professor Lucas Garcia volta, nesta semana, a trabalhar ao ar livre. Dessa vez, ele está amparado pela Associação dos Moradores do Jardim Camila e se sente mais seguro. O andamento de seu caso, porém, segue a passos lentos.
De acordo com a advogada de Lucas, Sonia Beraldo, já foram realizadas as oitivas dos policiais que registraram o boletim de ocorrência. Em nota enviada a O Diário, a Secretaria Estadual de Segurança Pública confirma a conclusão desta etapa.
“O caso segue sob investigação por meio de inquérito policial instaurado pelo 1º Distrito Policial de Mogi das Cruzes. A equipe da unidade já realizou o depoimento dos policiais militares relacionados à ocorrência. Além disso, os agentes buscam por testemunhas e imagens de câmeras de segurança que possam auxiliar na elucidação dos fatos”, trouxe a nota enviada à reportagem.
Sonia Beraldo diz, porém, que já reuniu nesta quarta-feira “três testemunhas presenciais que vão dar depoimento”, o que ainda não tem data para acontecer. De acordo com ela, somente um dos agentes envolvidos compareceu para “prestar esclarecimentos”.
O policial teria confirmado que esteve na casa do homem tido como averiguado no boletim de ocorrência, mas teria relatado que ele não possuía uma arma. O exato oposto dessas afirmações tem sido ventilado nas redes sociais e também na comunidade do entorno da Arena Água Verde, local do crime, no Jardim Camila.
A advogada esclarece que o outro policial deve ser mais uma vez requisitado a falar, e que após serem ouvidas as testemunhas por ela apresentadas, o delegado responsável deve intimar o averiguado a também prestar esclarecimentos.
Enquanto todos estes trâmites acontecem, Lucas segue com o projétil alojado no corpo, entre as costelas. O dançarino diz que a recomendação médica é que a bala permaneça a não ser que seja necessária para identificar a arma, e portanto, o autor do crime. Contudo, ele revela estar “fisicamente bem”.
De volta aos treinos de rotina, ele retornou à agenda regular de aulas nesta semana, em dois novos endereços: a quadra do “Buracão”, no Jardim Camila, e a Arena São João, no bairro de mesmo nome.
“A Associação dos Moradores do Jardim Camila está me garantindo segurança. Na quadra do ‘Buracão’ tem câmera, por exemplo. E na Arena São João tem mais estrutura, como vestiários e banheiros. Tudo isso me deixa mais seguro para voltar, sem contar que a força das aulas está aumentando, e tenho muita procura”, conta Lucas.
Antes mesmo de retornar a espaços públicos, ele fez um teste e deu algumas aulas no quintal da própria casa, para público reduzido, sem aglomerações. “Assim que eu me recuperei, senti a necessidade de voltar com a dança. Todo mundo sentiu falta, então arrumei uma forma de continuar”.
Retornar à Arena Água Verde, porém, não está nos planos do professor. “Meu projeto independe de local. Ele é a turma de dança que gosta e vai se identificando. Agora em locais mais seguros, consigo exercer e promover saúde e alegria”.
Mais do que fisicamente bem, Lucas recebeu apoio psicológico. Uma “vaquinha” organizada pela Frente Popular de Cultura de Mogi das Cruzes custeou um mês de tratamento com um profissional que, assim como ele, é drag queen. “Foi um mês muito necessário, que me ajudou muito em várias questões, como para voltar a ter segurança total de mim”, agradece Lucas.
O bailarino finaliza comentando o crescente apoio da classe artística. Se em dezembro representantes de diferentes áreas saíram em defesa dele, questionando #QuemAtirouNoLucas, agora essas mesmas pessoas o convidam para parcerias. Exemplo é o cantor Léo Zerrah, que o convidou para participar de uma ação. “E vou continuar com os trabalhos, inclusive com o de drag queen”, promete Lucas, que há quase 60 dias se pergunta porque foi atingido por um tiro e quem efetuou o disparo.