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Documentário valoriza cultura de fé, samba e futebol e a ancestralidade da Vila Industrial

Destaque desde o início deste ano na página inicial do Sesc Mogi das Cruzes, vale a pena ser registrado e conhecido o documentário Quintais Negros: História da Vila Industrial, com memórias, características e personalidades do bairro com predominância da comunidade e da cultura afrodescente. Desde janeiro, o registro foi disponibilizado pelo Sesc. “Ó Vila querida […]

Por O Diário
27/02/2023 14h50, Atualizado há 44 meses

Destaque desde o início deste ano na página inicial do Sesc Mogi das Cruzes, vale a pena ser registrado e conhecido o documentário Quintais Negros: História da Vila Industrial, com memórias, características e personalidades do bairro com predominância da comunidade e da cultura afrodescente. Desde janeiro, o registro foi disponibilizado pelo Sesc.

“Ó Vila querida és parceira de tantas jornadas/Minha Musa, Minha Amada”, o samba de Xavier Filho situa a reverência com que moradores e defensores da Vila Industrial como um patrimônio histórico e cultural da cidade descrevem o papel das famílias de mineiros e cariocas que foram as primeiras ocupantes das casas construídas para os trabalhadores da Mineração Geral do Brasil, empresa que inaugurou a siderurgia e fez parte da industrialização na cidade. 

O registro produzido mescla falas e imagens extraídas do encontro que  busca salvaguardar a história de moradores e do bairro no processo de desenvolvimento urbano de Mogi das Cruzes.

Quem vê o registro (disponível no Youtube) é levado a um passeio por ruas e lugares de convivência e encontro na Vila Industrial, como a Igreja de Nossa Senhora do Rosário, a santa, protetora dos negros, e a  paróquia herdeira do primeiro santuário dedicado a ela que foi vendido e destruído na rua Dr. Deodato Wertheimer e hoje dá lugar a um conjunto de lojas e hotel, no calçadão da cidade.

O projeto Quintais Negros reflete sobre a urbanização da Vila Industrial. Convidados, a jornalista Mara Vidal e o cantor e compositor Xavier Filho, ambos moradores do lugar, participaram da conversa e acompanharam um circuito a pé pelo bairro, que passou por diversas transformações sociais após a instalação e o funcionamento da Mineração Geral do Brasil na década de 40, iniciada pelo Grupo Jafet.

Os 145 anos de fundação da Mineração foram destaque de reportagem de O Diário no ano passado.

Registros como a fundação da Paróquia Nossa Senhora do Rosário, construída após a demolição da igreja do Centro de Mogi, assim como ocorreu em outras cidades brasileiras que acolheram a população preta, marcam a composição do lugar.

Xavier Filho destaca como pilares da Vila a igreja, o futebol (está no bairro o Ginásio Municipal Chico Nogueira) e o samba. A escola de samba da Vila Industrial, que está a dois anos de completar meio século de vida, a força do futebol, que começa com os times da Cosim, e a igreja (que é vizinha da quadra da agremiação carnavalesca) são o ponto de convivência e promoção social e de cultural das gerações renovadas há 80 anos. Isso ocorre de forma sólida, como sinaliza Xavier: “o morador que participa de um, participa do outro, ou dos três, ao mesmo tempo”.

Mara Vidal defende o reconhecimento dos homens e mulheres que ajudaram a construir a cidade, por meio de ações que contem a história desses personagens.  Ela fala sobre o valor dado pelas novas gerações aos primeiros moradores, à ancestralidade ali perpetuada.  “A gente tem que lembrar a branquitude mogiana que a nossa história é outra. Que existe uma versão da história que tem de ser descolonizada”, diz ela.

A jornalista Isabella Santos, que coordena o encontro e os passeios,  lembra aos participantes da roda de conversa sobre o papel de cada um como um ator importante para se contar a história da Vila, e das pessoas que a construíram.

As opiniões e as imagens de atos vividos na Vila despertam no  espectador o desejo de conhecer mais desse bairro que mantém  características marcantes – embora, claro, fachadas e o interior de parte das casas tenham sido alternadas, e novas famílias tenham chegado ali.

Porém, o fato de serem uma ao lado da outra, onde vivem filhos e netos e bisnetos dos primeiros moradores, faz da Vila um território peculiar e único ante outros bairros da cidade.

De acordo com a apresentação do Sesc, no documentário, “que registrou toda a ação, é possível descobrir como essas pessoas chegaram de outros estados, em sua maioria negras, e como são as dinâmicas sociais que ocorrem nos dias atuais, influenciadas pela cultura afrodescendente, por meio de manifestações culturais, artísticas e religiosas”.

Vale a pena conferir na íntegra no site do Sesc (acesse aqui).

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