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Geraldo Alckmin, de Mário Covas a Lula, uma vida dedicada à política

A possibilidade de o ex-governador Geraldo Alckmin vir a disputar as próximas eleições presidenciais como vice de Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, surpreende  e até assusta muita gente.  Afinal, o perfil de pacato e bom moço do político de Pindamonhangaba, no Vale do Paraíba, contrasta muito com o estilo petista, mais arrojado e […]

Por O Diário
12/03/2022 18h29, Atualizado há 53 meses

A possibilidade de o ex-governador Geraldo Alckmin vir a disputar as próximas eleições presidenciais como vice de Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, surpreende  e até assusta muita gente. 
Afinal, o perfil de pacato e bom moço do político de Pindamonhangaba, no Vale do Paraíba, contrasta muito com o estilo petista, mais arrojado e briguento.
Por isso, as inúmeras reações contrárias à provável decisão de Alckmin que, na verdade, ainda sequer assinou a ficha de filiação ao novo partido, possivelmente o PSB, que o levará definitivamente para a aliança com Lula.
Alckmin sempre encarnou o perfil do caipira interiorano, aquele que gosta de contar causos quando está entre amigos, mas que também sabe como agir nos momentos certos para atingir seus objetivos. Em outras oportunidades, já mostrou que é também um bom articulador. 
O ex-governador gosta de contar histórias sobre políticos ou gente de sua região. Mas poucos sabem como ele, um estudante de Medicina no Vale do Paraíba, acabou se enveredando pelos caminhos da política.
Dizem que foi por acaso. 
Alckmin estava com 19 anos e cursava o primeiro ano da faculdade na Universidade de Taubaté, quando  recebeu a visita do presidente do MDB de Pinda, Paulo de Andrade. 
Seu objetivo era filiar o colega de classe, Antonio José Betônio Moreira, ao partido. 
Alckmin estava do lado e acabou também ingressando no MDB. 
Alguns meses depois,  Betônio desistiu de disputar uma vaga na Câmara e sobrou para Alckmin ocupar o lugar dele. 
O futuro médico terminou o pleito como o vereador mais votado da história da cidade. Foram 1.447 votos, equivalentes a mais de 10% do eleitorado. 
Chegou a presidente da Câmara, mas não pretendia disputar a Prefeitura em 1976, apesar dos apelos do partido. 
Em agosto, no entanto, o ex-presidente Juscelino Kubitscheck morreria num acidente na Via Dutra, perto de Pinda. 
Uma edição especial da revista Manchete contando a história do ex-presidente  chegou às mãos de do médico Geraldo Alckmin durante um plantão, no hospital onde ele trabalhava.
Ele leu a reportagem de cabo a rabo e se emocionou com a história de Juscelino.
Quando terminou o plantão noturno, inspirado em JK, já estava disposto a encarar a eleição. 
E, a partir daquele momento, a política virou o seu principal objetivo.
Em 1986, Alckmin foi o quarto mais votado entre os deputados federais paulistas eleitos pelo PMDB.
Veio a Constituinte e ele se tornou um aliado incondicional de Mário Covas, com quem fundaria o PSDB, partido ao qual esteve filiado durante 33 anos, tendo saído, semanas atrás, para decidir sobre o seu futuro ao lado de Lula.
Certo ou errado, Alckmin tem certeza de uma coisa: continuará perseguindo os ideais de Juscelino Kubitscheck.

Dormindo na sessão

Sempre que um novo presidente da Câmara de Mogi assume, a promessa é quase inevitável: transferir as sessões para o período noturno para facilitar a afluência de público. 
Como se fosse simples concorrer com os telejornais, novelas, futebol, além de convivência familiar do início de noite. 
Mas, tempos atrás, as sessões já foram noturnas e, na época, um representante de Jundiapeba, já longevo, dormia a ponto de roncar durante os debates. 
Certo dia foi procurar o presidente: 
“Costumo dormir cedo e não consigo ficar acordado. E são muitos os comentários jocosos a meu respeito, por dormir durante as sessões. Será que não daria para a minha filha vir no meu lugar? Me comprometo a vir nas sessões diurnas.” O presidente da época preferiu mudar de assunto. Mas não se sabe se foi exatamente por isso, que tempos depois, as sessões passaram a ocorrer durante a tarde. Como estão até os dias de hoje.

Pregando um terno no botão
Uma história contada por Geraldo Alckmin. Em Pindamonhangaba, sua terra natal, havia um alfaiate excelente, de nome Pascoal. 
Certa vez, o Pascoal adoeceu  e quem o atendeu foi o doutor Lessa, médico  que também era banqueiro  e que tinha fama de não dar ponto sem nó, quando o assunto era dinheiro. Até mesmo se fosse relativo a suas consultas como clínico. 
Pois foi justamente depois das consultas que Pascoal, ainda bastante debilitado pela doença, disse ao médico: 
“Doutor, eu não posso lhe pagar, mas estou às suas ordens. Quando precisar de uma costura ou de pregar um botão, estarei sempre às ordens”, disse, agradecido. 
Pois, no dia seguinte, o médico mandou ao alfaiate um envelope com um botão preso a um pedaço de papel, onde estava escrito: 
“Peço que você pregue um terno nesse botão”. Dizem que Alckmin costumava contar essa história para dizer “não” sem ser antipático.

“Residência só para pobre”

Vale lembrar aqui neste espaço a história que foi contada ao consultor Gaudêncio Torquato, o qual  a divulgou em suas excelentes “Porandubas Políticas”, no site “Migalhas”.

Em Dourados/MS, foi eleito um prefeito semianalfabeto. 
Prometia na campanha: 
“Prometo manter os postos de saúde abertos 24 horas, inclusive à noite”. 
Em outra ocasião, a Universidade Federal da Grande Dourados implantou o curso de Medicina.
Por conta das dificuldades de encontrar hospitais para a residência médica, travou-se grande discussão, na época da campanha, sobre a questão. 
Em um acirrado debate, perguntaram ao candidato como poderia contribuir para resolver o problema da residência médica. 
De pronto, respondeu: 
“Eu não pretendo dar casa para médico; eles já ganham muito bem e podem comprar a sua casa. Só vou construir casa para pobre”.

 

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