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Mogi-Bertioga, o eterno caminho da polêmica

A polêmica sempre trafegou pela rodovia Mogi-Bertioga. Desde sua construção, num ato de coragem – ou demência – do ex-prefeito Waldemar Costa Filho, até os dias atuais, a estrada sempre esteve envolvida em apaixonadas discussões. Ainda agora, foi escolhida pelo governo João Doria (PSDB) e pela Artesp para recebeu um dos cinco pedágios que serão […]

Por O Diário
28/08/2021 07h58, Atualizado há 60 meses

A polêmica sempre trafegou pela rodovia Mogi-Bertioga. Desde sua construção, num ato de coragem – ou demência – do ex-prefeito Waldemar Costa Filho, até os dias atuais, a estrada sempre esteve envolvida em apaixonadas discussões. Ainda agora, foi escolhida pelo governo João Doria (PSDB) e pela Artesp para recebeu um dos cinco pedágios que serão instalados, caso vingue o projeto de concessão de rodovias, em fase de licitação.
Construída na segunda administração de Waldemar, a rodovia foi inaugurada em 13 de maio de 1982, mesmo ano em que o furação Franco Montoro varreu o Estado de São Paulo nas eleições e colocou na Prefeitura de Mogi um prefeito de oposição, o promotor público Antonio Carlos Machado Teixeira. Este, ao assumir, tomou duas medidas em relação à estrada: deixou de conservar a via e ingressou com uma ação judicial para obrigar o governo estadual a assumir a sua conservação. Ao mesmo tempo, contratou o IPT para passar um pente fino na estrutura da rodovia.
Machado queria provar que a estrada estava fora das especificações técnicas da engenharia. O tempo passou e o prefeito de Mogi acabou se envolvendo no episódio do Mogigate, uma denúncia de corrupção envolvendo uma empresa de ônibus, outros políticos e empresários. Foi processado e ameaçado de perder o mandato. 
A política fervia e, certo dia, o inimigo maior de Machado, justamente Waldemar Costa Filho, concedeu uma entrevista a este jornal  simplesmente confirmando os argumentos da defesa de seu sucessor no cargo e desafeto. Disse que em conversa com o pai de Machado, o médico radiologista José Machado, teria ficado sabendo que o prefeito e correligionários estariam “armando” uma estratégia para cassar a empresa de ônibus Mogi Ltda.
Até hoje não se sabe por que Waldemar fez isso, mas sua fala de opositor teve grande peso e influência no julgamento do prefeito mogiano que, com esse e outros argumentos, evitou uma condenação judicial e continuou na Prefeitura, já que a Câmara Municipal foi a primeira a livrá-lo das acusações que poderiam resultar em seu impeachment, palavra pouco conhecida e ainda não banalizada àquela época. 
Grato pelo que fizera seu antecessor, certo dia Machado apareceu no escritório de Waldemar, num dos cantos do Largo do Rosário, com um presente: o laudo final do IPT, que não só confirmava a qualidade da obra, como mostrava  que, em alguns pontos mais críticos da região da Serra do Mar, as especificações estavam acima do que era determinado pelas normas técnicas.
Na ação judicial, Mogi perdeu. Mas o Estado acabou assumindo a conservação da Mogi-Bertioga quando Waldemar retornou à Prefeitura, seis anos após a eleição do antigo inimigo político, que acabou se tornando seu grande amigo.
E  hoje, a estrada volta à polêmica, podendo ser concedida à iniciativa privada e pedagiada, em seu trecho final, caso vingue o projeto de Doria & Cia.

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