Que tal trocar um projeto por um punhado de votos?
Goro Hama, deputado estadual pelo MDB, buscou obstruir, por todos os meios, a alteração na Lei de Proteção dos Mananciais para que as indústrias localizadas no distrito de César de Souza, em Mogi das Cruzes, pudessem ser ampliadas. O projeto era do deputado estadual mogiano Mauricio Najar, da Arena, um grande tribuno, mas que não […]
27/08/2021 17h55, Atualizado há 60 meses
Goro Hama, deputado estadual pelo MDB, buscou obstruir, por todos os meios, a alteração na Lei de Proteção dos Mananciais para que as indústrias localizadas no distrito de César de Souza, em Mogi das Cruzes, pudessem ser ampliadas.
O projeto era do deputado estadual mogiano Mauricio Najar, da Arena, um grande tribuno, mas que não conseguia convencer a oposição sobre a importância da proposta para Mogi.
A discussão, num gabinete da Assembleia, corria nervosa e os mogianos também não conseguiam dobrar Hama com seus argumentos.
Até que o então diretor regional do Ciesp, Angelo Albiero Filho, decidiu apelar, bem a seu modo: “Deputado, veja quantos votos o senhor precisa para aprovar o projeto que a gente garante”.
O nissei ficou vermelho e a reunião acabou ali.
Histórias de Nery
Conta Sebastião Nery que Teotônio Vilela, senador da Arena, era quem mais dava trabalho aos militares do governo pós-64.
Mesmo no partido governista, era uma espécie de ovelha desgarrada do rebanho da ditadura.
Certo dia, foi questionado por que o governo da época e seu partido temiam tanto as eleições diretas para presidente e alguns outros cargos-chave, como governador, por exemplo.
Com um sorriso no rosto e por trás dos óculos de aros escuros, veio a parábola:
“A vaca do compadre pobre apareceu no pasto do compadre rico. O compadre pobre pediu uma corda para tirar a vaca de lá.
O compadre rico desconversou :
“Agora eu estou indo à missa”.
E o outro, impressionado com a reação:
“Mas compadre, o que é que tem a minha vaca com a sua missa?”.
E ele:
“Compadre, quando a gente não quer, qualquer desculpa serve.”
Uma grande furada
Mais outra de Nery, grande contador de causos do folclore político nacional.
Segundo o jornalista, Adail Barreto, deputado cearense cassado pelo golpe de 64, retornou à sua terra, na região do Cariri e lá permaneceu.
Perdera o mandato, mas não o eterno título de coronel, como era tratado pelos moradores da região.
Certo dia, estava em sua fazenda, quando entra correndo um morador das proximidades, esbaforido, quase não conseguindo soltar a fala: “Doutor coronel, mataram o João, meu vizinho, lá na curva da estrada do grotão. Furaram ele todinho”.
E o coronel:
“Vá e veja como foi, quantas facadas deram e volte aqui para me dizer”.
Foi e voltou mais rápido do que Adail poderia imaginar:
“Doutor coronel, foi muito grave. Só de buraco contei oito, afora os de nascença”.