Sujeira do rio Tietê contribui para inundações que ocorrem em Mogi
Por mais que a Prefeitura de Mogi se empenhe na limpeza de bocas de lobo e redes de águas pluviais, as inundações vão continuar ocorrendo, a cada chuva mais intensa que cair sobre Mogi das Cruzes, já que o problema maior está na situação atual do rio Tietê, totalmente sujo e assoreado, no trecho que […]
15/12/2022 07h04, Atualizado há 44 meses
Por mais que a Prefeitura de Mogi se empenhe na limpeza de bocas de lobo e redes de águas pluviais, as inundações vão continuar ocorrendo, a cada chuva mais intensa que cair sobre Mogi das Cruzes, já que o problema maior está na situação atual do rio Tietê, totalmente sujo e assoreado, no trecho que corta a área urbana do município. O autor dessa avaliação fala com conhecimento de causa: José Roberto Elias Rodrigues, que comandou durante muito tempo o Departamento de Limpeza Pública da Prefeitura Municipal, conhece muito bem os efeitos das atuais condições do Tietê sobre as enchentes que têm ocorrido com frequência cada vez maior, em Mogi, nos últimos tempos.
“Não adianta falar. Limpamos córregos e bocas de lobo, mas o problema maior está no Tietê”, garante José Roberto, que defende a realização de uma ampla limpeza no principal manancial que corta a cidade e para onde converge a maior parte das redes de águas pluviais de Mogi.
Mais do que a retirada de detritos que se acumulam em inúmeros pontos do rio, seria necessário, segundo ele, o desassoreamento, ou seja, a retirada de areia e outros dejetos que se acumulam cada vez mais no fundo do leito do Tietê, em razão da pouca vazão de água no trecho urbano de Mogi. Tal situação decorre do desvio de parte da água do rio, na altura do Cocuera, para abastecimento da barragem do rio Biritiba Mirim, integrante do Sistema Produtor do Alto Tietê.
A limpeza e desassoreamento do rio Tietê são obras de responsabilidade do governo do Estado, por meio do Departamento de Águas e Energia Elétrica, o DAEE. Os planos de limpeza do rio em Mogi são executados, invariavelmente, por partes, nunca abrangendo totalmente o trecho do manancial que corta a área urbana da cidade, entre o bairro do Cocuera até a divisa com Suzano, já no distrito de Jundiapeba.
“Se não desassorear, não tem fluxo”, diz José Roberto, que explica, em detalhes, a situação. Segundo ele, os principais córregos que atravessam transversalmente a cidade, como o Jundiaí, Canudos, Ipiranga e tantos outros têm como destino o rio Tietê. “Com o rio sempre cheio, em razão da sujeira, a água fica represada e os reflexos disso são inundações nos bairros.
“O distrito de Jundiapeba é uma planície. Transborda o rio, enche tudo. Também não há caída para rede de esgoto, que teria de ser bombeada, o que não acontece”, garantiu ele.