Dia do Rio Tietê: Encontro na Ilha Marabá reflete sobre as necessidades do rio; assista
Neste 22 de setembro em que se comemora o Dia do Rio Tietê, o ambientalista José Arraes promoveu uma visita ao rio no trecho que passa pela Ilha Marabá, no bairro do Mogilar, em Mogi das Cruzes, para refletir, sobretudo, sobre a importância e as necessidades do rio. Como é de costume nesta data, Arraes […]
22/09/2021 12h24, Atualizado há 59 meses
Neste 22 de setembro em que se comemora o Dia do Rio Tietê, o ambientalista José Arraes promoveu uma visita ao rio no trecho que passa pela Ilha Marabá, no bairro do Mogilar, em Mogi das Cruzes, para refletir, sobretudo, sobre a importância e as necessidades do rio.
Como é de costume nesta data, Arraes reúne algumas pessoas para irem até o rio como forma de homenageá-lo, pela importância que ele representa a todo o estado de São Paulo, no fornecimento de água para o Sistema Produtor do Alto Tietê e fazer um debate sobre o que precisa ser feito para preservá-lo.
Nesta quarta-feira não foi diferente. Nas margens do rio, coberto por plantas aquáticas, mas que ainda havia patos, marrecos e capivaras, Arraes destacou que ainda não é uma data a ser comemorada, sobretudo pela falta de limpeza, para que o rio “possa correr”. Ele lembrou que está em atraso uma das fases de desassoreamento propostas pelo Departamento de Águas e Energia Elétrica (Daee), órgão do governo do estado.
“O estado de São Paulo tem o órgão estipulado por lei, mas a gente precisa aprender a reivindicar para que se cumpra o que é o papel dele. A sociedade civil precisa estar ativa, porque se a gente ficar quieto, nada acontece. Então há muito tempo nós não temos o que comemorar nesse rio Tietê”, pontuou.
Outro ponto abordado por ele é de que o esgoto jogado no rio, ainda que não seja totalmente interrompido, ao menos que seja reduzido. Segundo ele, o Serviço Municipal de Águas e Esgoto (Semae), responsável pelo abastecimento em Mogi, diz tratar 60% do esgoto coletado.
“Eu sempre fiz a pergunta onde é tratado este esgoto, mas sempre fiquei na dúvida. Como não vai conseguir tirar tudo, porque a gente sabe que as estações de tratamento só trata 80% do que é coletado. Se você tratar 80% do que é jogado hoje, já melhora. Esse rio é a nossa vida, é ela que a gente bebe e ainda tem os animais”, ressaltou.
Em relação à possível crise hídrica, Arraes avaliou que o consumo de água não deve ser afetado, sobretudo porque o período chuvoso começa em breve, mas as hidrelétricas já estão sendo impactadas.
Diante desse impacto que a falta d’água causa em diversos setores que o ambientalista ressalta a importância das pessoas saberem que o principal rio de São Paulo nasce no Alto Tietê.
“O que passa por aqui hoje é muito pouco do rio Tietê. Ele é desviado em Biritiba e levado para as barragens de Biritiba, Jundiaí e Taiaçupeba, para uso na estação de tratamento de água. A tendência é de usar ainda mais, porque é normal que as pessoas venham morar perto de onde tem água. Então não é um aniversário da gente cortar bolo ou soltar fogos e, sim, de verificar o que estamos fazendo quanto cidadão”, pontuou.
A visita contou com a presença do arquiteto Paulo Pinhal, da vereadora Inês Paz, jornalistas e assessores.
O Departamento de Águas e Energia Elétrica tinha previsto para este semestre a publicação dos editais de licitação para as obras de desassoareamento do rio Tietê.
Outros 5 editais do novo pacote de obras que beneficiará a Bacia Hidrográfica do Alto Tietê estão em fase final de elaboração. A estimativa de prazo para o término das obras é de nove meses contados a partir da data de assinatura dos contratos. O investimento total é de R$34,85 milhões, provenientes do Fundo Estadual de Recursos Hídrico (Fehidro).
Os trechos do Rio Tietê são:
Lote 4,5: A partir do Córrego Sabino até a Ponte da Av. João XXIII, em 5 quilômetros de extensão aproximadamente, entre os municípios de Mogi das Cruzes e Biritiba-Mirim;
Lote 5: Extensão total de 3 quilômetros, divididos em dois trechos, localizados em Biritiba-Mirim. O primeiro fica entre as fozes do rio Paraitinga e do córrego Capela; já o segundo, entre a Estrada Santa Catarina e o canal de adução da Sabesp.