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Piora a qualidade das água do Tietê em Mogi e Região

Um estudo publicado pela SOS Mata Atlântica, nesta data em que se comemora o Dia Mundial da Água, revela que apenas 7% dos rios da reserva apresentam água de boa qualidade. A análise feita pela instituição mostra que os corpos de água da Mata Atlântica, entre eles o Tietê, ainda estão longe de atingir o […]

Por O Diário
22/03/2022 16h40, Atualizado há 53 meses

Um estudo publicado pela SOS Mata Atlântica, nesta data em que se comemora o Dia Mundial da Água, revela que apenas 7% dos rios da reserva apresentam água de boa qualidade. A análise feita pela instituição mostra que os corpos de água da Mata Atlântica, entre eles o Tietê, ainda estão longe de atingir o fornecimento ideal de água limpa em quantidade a toda a população. Segundo o relatório, houve melhora na qualidade ambiental como reflexo da coleta e tratamento de esgoto e também do isolamento social na pandemia, o que reduziu, por exemplo, a produção de lixo.

Na região de Mogi das Cruzes a situação piorou em 2021 na comparação com 2020, como demonstra os resultados da pesquisa “O Retrato da Qualidade da Água nas Bacias Hidrográficas da Mata Atlântica”. A análise feita pelas equipes que participam do programa Observando os Rios, revela que um trecho do Tietê, em Mogi passou de regular para ruim, na comparação de 2020 para 2021. Há pontos, no entanto, em que manteve uma qualidade considerada regular.

A análise feita na cidade de Suzano entre 2020 e 2021, também mostrou que a qualidade da água se manteve ruim.  Em um dos trechos, em Itaquaquecetuba (SP), a qualidade era regular e passou para ruim.  Por sua vez, a nascente do Rio Tietê, em Salesópolis (SP), apresentou melhoras.

De acordo com a pesquisa, mais de 20% dos pontos de rios da Mata Atlântica no País, apresentam qualidade de água ruim ou péssima, sem condições para usos na agricultura ou abastecimento humano a menos que passe por tratamento.   O levantamento não identificou corpos d’água com qualidade ótima,

Porém, o relatório observa que houve melhora na qualidade ambiental dos corpos de água como reflexo da coleta e tratamento de esgoto e também do isolamento social na pandemia, o que reduziu, por exemplo, a produção de lixo.

 

Pesquisa

A nova edição da pesquisa “O Retrato da Qualidade da Água nas Bacias Hidrográficas da Mata Atlântica”, mostra que em aproximadamente 73% dos casos as amostras podem ser consideradas regulares. Apenas 7% contam com água de boa qualidade.

Os indicadores foram obtidos entre janeiro e dezembro de 2021 por 106 grupos voluntários de monitoramento da qualidade da água do Programa Observando os Rios. Foram feitas 615 análises em 146 pontos de coleta de 90 rios e corpos d’água de 65 municípios em 16 estados do bioma Mata Atlântica – Alagoas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo e Sergipe.

Os resultados mostraram ainda que houve pouca alteração em relação aos resultados do período anterior de monitoramento, com alguns casos localizados. Considerando cada ponto de análise individualmente, a condição da qualidade da água manteve estabilidade em 88 deles, piorou em 45 e melhorou em 13.

Destaca-se o lago do Ibirapuera, na capital paulista, onde a água passou de regular para boa, com relatos do aparecimento de peixes em sua foz. Outra evolução semelhante ocorreu em Ilhabela, litoral norte, com a realização de obras de saneamento que influenciaram positivamente a qualidade da água de um rio. 

Segundo o relatório, houve melhora na qualidade ambiental como reflexo da coleta e tratamento de esgoto e também do isolamento social na pandemia, o que reduziu, por exemplo, a produção de lixo.

O coordenador do programa Observando os Rios, Gustavo Veronesi esclarece que o retrato da qualidade da água nas bacias da Mata Atlântica é um alerta para a condição ambiental da maioria dos rios nos estados do bioma. A inadequação para usos múltiplos e essenciais pode ser consequência de fatores como a poluição e as precárias condições de saneamento, além da degradação dos solos e das matas nativas.

Segundo Veronesi, “a qualidade regular da água obtida em mais de 70% dos pontos monitorados demanda atenção especial dos gestores públicos e da sociedade, indicando também a condição frágil dos recursos hídricos, especialmente neste momento de emergência climática e de pandemia, quando aumenta a demanda por água limpa. As populações mais pobres sempre são as mais afetadas pelas deficiências de estrutura de atendimento ao fundamental, que são água, esgotamento sanitário, manejo de resíduos e manejo de águas de chuva, os pilares do saneamento básico”, diz.

Considerado pela Organização das Nações Unidas (ONU), um dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) para 2030, o acesso à água no Brasil foi considerado como direito fundamental, incluído no Projeto de Emenda à Constituição Nº 06/21, aprovado pelo Senado Federal em março de 2021, como alerta Malu Ribeiro, diretora de políticas públicas da SOS Mata Atlântica.  “O projeto foi para a Câmara dos Deputados, onde segue em tramitação, sem ser votado, enquanto outros, que desmontam os sistemas de meio ambiente e recursos hídricos do país, são aprovados com facilidade”, observa.

Malu lembra que eventos climáticos também atingiram os rios da Mata Atlântica, afetando a qualidade da água. Em junho de 2021, a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) publicou a Declaração de Situação Crítica de Escassez Quantitativa de Recursos Hídricos. A medida foi tomada pela primeira vez na região Sudeste do país em virtude da maior seca dos últimos 91 anos. A declaração reconhece a situação crítica de escassez quantitativa de recursos hídricos e sugere a adoção de medidas temporárias para assegurar os usos múltiplos da água e buscar a segurança hídrica.

“Diante desse cenário de enormes desafios, o objetivo da nova edição do estudo é servir como contribuição da sociedade civil para a gestão integrada da água e dos ecossistemas, em prol da oferta de água limpa para todos”, afirma.

 

Monitoramento

 

O Observando os Rios é um projeto que reúne comunidades e as mobiliza para monitorar a qualidade da água de rios, córregos e outros corpos d’água das localidades onde elas vivem. O monitoramento da água é realizado com uma metodologia desenvolvida pela SOS Mata Atlântica e que utiliza um kit de análise e indicadores de percepção para levantar o Índice de Qualidade da Água (IQA), que é um padrão internacional adotado para avaliar a condição ambiental da água doce e regulamentado no Brasil pela Resolução Conama 357 de 2005. Os grupos voluntários fazem a coleta e a medição da qualidade da água uma vez por mês e disponibilizam os resultados em um banco de dados na internet. Os indicadores levantados por todos os grupos de monitoramento são reunidos em relatórios técnicos anuais que  formam o retrato da qualidade da água dos rios dos 17 estados da Mata Atlântica.

 

SOS Mata Atlântica

A Fundação SOS Mata Atlântica é uma ONG ambiental brasileira que tem como missão inspirar a sociedade na defesa da Mata Atlântica. Atua na promoção de políticas públicas para a conservação do bioma mais ameaçado do Brasil por meio do monitoramento da floresta, produção de estudos, projetos demonstrativos, diálogo com setores públicos e privados, aprimoramento da legislação ambiental, comunicação e engajamento da sociedade.

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