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Motoristas desrespeitam sinalização e estacionam no calçadão de Mogi

Os milhares de pedestres que passam diariamente pelo calçadão da rua Dr. Paulo Frontin, na região central de Mogi das Cruzes, já se acostumaram a vivenciar uma cena comum, porém desoladora, porque vai contra o propósito do espaço criado há décadas para priorizar o tráfego de pessoas no principal corredor comercial da cidade. A área […]

Por O Diário
09/12/2022 16h17, Atualizado há 44 meses

Os milhares de pedestres que passam diariamente pelo calçadão da rua Dr. Paulo Frontin, na região central de Mogi das Cruzes, já se acostumaram a vivenciar uma cena comum, porém desoladora, porque vai contra o propósito do espaço criado há décadas para priorizar o tráfego de pessoas no principal corredor comercial da cidade.

A área vem sendo utilizada irregularmente para estacionamento de veículos, mesmo diante da placa de trânsito informando a proibição desta prática, com exceção de carga e descarga, no horário das 20 às 10 horas. 
A qualquer hora do dia, o que se vê por lá é uma fileira de automóveis e motocicletas parados em frente aos estabelecimentos comerciais.

O mais agravante é que, segundo pedestres e comerciantes entrevistados por O Diário, a situação se repete todos os dias, sem que haja punição aos infratores – a maioria até já conhecida dos proprietários de lojas da região (leia abaixo) -, mesmo diante de viaturas da Guarda Municipal e da Polícia Militar que circulam pelo local.

Nesta semana, a reportagem esteve no calçadão na terça (5), quarta (6) e quinta-feira (7) e flagrou os veículos estacionados irregularmente no calçadão, sendo que na quinta, havia 16 deles parados na área onde a prática é proibida, inclusive debaixo das placas de trânsito.

Neste momento, duas viaturas da Polícia Militar passaram pela via, mas não houve abordagem aos infratores – alguns deles estavam, inclusive, saindo, com seus passageiros, dos carros, que estavam parados no local proibido. A Prefeitura afirma que fiscaliza a área (leia AQUI).

A professora Rita de Cássia Antunes, 35 anos, que leciona em uma escola das proximidades e tem custos para deixar o seu carro diariamente nas vagas de estacionamento controlado, considera que, além de infringirem a regra, os motoristas que param no calçadão também estão desrespeitando os pedestres e os demais motoristas que desembolsam para pagar os tíquetes da Zona Azul.

“É uma falta de respeito com tudo e todos, mas parece um problema sem solução, porque não há fiscalização ali. Caso contrário, isso já teria sido resolvido, porque se estes motoristas fossem multados, com certeza pesaria no bolso e não estacionariam novamente em lugar proibido. Eu já vi viaturas da Guarda Municipal e da Polícia Militar lá, passando pelos motoristas e não fazendo nada”, relata a professora.

Assim como ela, a situação deixa indignado o aposentado Edvaldo Nogueira, 74 anos, que costuma aproveitar as tardes livres para passear pelo calçadão, com direito a paradas na praça Coronel Almeida e no Largo do Rosário. “É um absurdo, uma cidade sem lei, já que não existe fiscalização. Passo direto por aqui e vejo que esta situação só vem piorando com o tempo, porque como os motoristas percebem que nada acontece com quem desobedece a regra, também fazem o mesmo. Então, a situação fica cada vez mais complicada”, lamenta o aposentado.

O desrespeito à proposta do calçadão é apontado pelos pedestres, que deveriam ser os principais beneficiados pela intervenção, como algo inaceitável, principalmente quando se discute bastante a questão da mobilidade urbana e de ações para melhorar a vida de quem anda a pé pela cidade.

Assim pensa a autônoma Solange Costa Siqueira, 50 anos, que costuma levar os filhos e os pais para passear no calçadão da Paulo Frontin. “A maioria das grandes cidades, como é o caso de Mogi das Cruzes, que tem cerca de 500 mil habitantes, possui calçadões, porque realmente se preocupam com os pedestres. Não é como aqui, que dizem que se preocupam, mas ao mesmo tempo não tomam atitudes para fazer valer as regras”, lamenta.

O aposentado Inácio Siqueira, 80, pai de Solange, também fica indignado com o desrespeito às regras de trânsito. “Mas não é só aqui que isso acontece. Vejo por toda a cidade vários motoristas que não cumprem as normas ao volante. Isso precisaria vir da consciência de cada um, mas não é assim que acontece”, diz. 

 

Lojistas defendem vagas controladas de estacionamento

Donos de estabelecimentos comerciais tradicionais na rua Dr. Paulo Frontin, que há décadas acompanham a evolução desta região da cidade, defendem a liberação do estacionamento na via, porém, com controle via Zona Azul, para que haja rotatividade das vagas e não apenas o privilégio a alguns motoristas, como apontam que acontece atualmente, longe da fiscalização.

Segundo a sócia-proprietária de uma loja de roupas, Sueli Yura, a solução para a Paulo Frontin seria a implantação de vagas de estacionamento controlado, medida que poderia contribuir para o movimento nas lojas instaladas na via, já que facilitaria a parada dos clientes, que enfrentam dificuldades para parar no centro, mesmo nas vagas de Zona Azul existentes ou em estacionamentos particulares.

“Isso ajudaria muito a todos, mas seria necessário também que os próprios comerciantes e funcionários dos estabelecimentos tivessem consciência que a prioridade é que os clientes ocupassem estas vagas. O que vemos hoje, infelizmente, é que a maioria das pessoas que estaciona na Paulo Frontin é quem é dono ou trabalha no comércio. Isso não é o correto”, aponta.

A gerente de outra loja de vestuário da via, Neuma Bandeira, apoia a criação de estacionamento na via, mas também alerta para a necessidade de controle, via Zona Azul, para que realmente as vagas possam ser rotativas.

“Assim daria oportunidade a todos, principalmente aos clientes que saem de casa, em dias de chuvas, e precisam parar no centro. Como não têm opções mais próximas ao comércio do calçadão, acabamos perdendo estas vendas, porque muitas vezes, há quem desista de vir para cá e prefira ir ao shopping, por exemplo”, conta.

A vendedora Sandra Regina Conceição Silva, 32 anos, conta que todos os dias há carros estacionados irregularmente na Paulo Frontin. “Na verdade, não existe mais o calçadão, porque ninguém respeita. As pessoas param aqui e não estão nem aí, porque sabem que não serão multadas. Então, quando não há punição, a situação só vai piorando. Já houve até briga por vaga no calçadão, o que é ainda mais absurdo. Como pode motoristas brigarem para parar em um local onde é proibido”, critica.

Também vendedor, Ricardo Alves, 43, diz que sempre há pessoas perguntando se o estacionamento no calçadão está liberado. “Como elas veem os carros parados sempre aqui, pensam que houve a liberação”, conta.

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