Ong defende Delegacia da Mulher em área central e reivindica qualidade do atendimento
Em uma nota sobre os estudos que poderiam incluir a mudança da Delegacia da Mulher de Mogi das Cruzes para o antigo prédio do Sesi, em César de Souza, endereço cotado para receber outras delegacias e setores da Polícia Civil, a direção da ONG Recomeçar observa que uma alteração de endereço tornaria ainda mais difícil […]
08/09/2021 18h44, Atualizado há 59 meses
Em uma nota sobre os estudos que poderiam incluir a mudança da Delegacia da Mulher de Mogi das Cruzes para o antigo prédio do Sesi, em César de Souza, endereço cotado para receber outras delegacias e setores da Polícia Civil, a direção da ONG Recomeçar observa que uma alteração de endereço tornaria ainda mais difícil o acesso das mulheres ao órgão pela distância do local em relação a outros bairros. A entidade também questiona a insensibilidade com que as vítimas de violência são tratadas no serviço.
Tema de uma live do prefeito Caio Cunha (PODE), a transferência de setores da Polícia Civil vem sendo tratada há algumas semanas, com o comando da Delegacia Seccional de Mogi das Cruzes.
A ideia, segundo disse o prefeito, é transformar o local em um polo policial, o que também poderia contribuir com a melhoria da sensação de segurança no distrito. Apesar de ter sido citada, entre os setores da Polícia Civil, que poderiam ser levados para César, a DDM não vai trocar de endereço, segundo disse ao final desta quarta-feira (8), em suas redes sociais, o secretário de Segurança Pública, André Ikari.
Ele explica que o atendimento no horário comercial continuará na unidade do Parque Monte Líbano, e fora desse período, um local adequado, deverá ser preparado para receber as mulheres vítimas de violência, no novo polo policial.
Na Câmara, nesta quarta-feira (8), o vereador Marcus Furlan, havia afirmado que a medida ainda está sendo estudada.
A ONG Recomeçar, que atua na proteção e defesa dos interesses da mulher, em particular, das vítimas de violência, aponta prejuízos e aproveitou a instalação do tema no noticiário, para destacar outras necessidades, como a qualificação do atendimento às mulheres..
“A localização desse tipo de atendimento deve levar em conta o acesso aos usuários, transporte público e proximidade dos serviços dos quais serão necessários para o deslinde do inquérito policial, bem como a privacidade das vítimas, inclusive todas as vezes em que, no caso, a mulher terá que retornar à Delegacia”, desfaca a nota.
Outra antiga bandeira da rede de entidades de proteção à mulher é a ampliação do horário de funcionamento da DDM para 24 horas. Hoje, o atendimento é feito de segunda à sexta-feira, das 9 às 18 horas.
Um assunto, aliás, que também está sendo tratado pelo prefeito Caio Cunha, junto do Governo do Estado, para ampliar o horário durante 24 horas.
Veja na sequência, a íntegra do poscionamento divulgado antes da informação dada pelo secretário de não mudar mais a DDM para César:
“Nós, da ONG Recomeçar de Mogi das Cruzes, que prestamos um serviço de proteção social, de alta complexidade, de acolhimento institucional para mulheres vítimas de violência doméstica, acompanhadas ou não de seus filhos, em situação de risco iminente de morte ou ameaças, vimos por meio dessa manifestação mostrar todo nosso repúdio ao anúncio feito no último dia 6, durante uma live nas redes sociais, pelo prefeito Caio Cunha, de que a Delegacia da Mulher será transferida, já nos próximos dias, para o antigo prédio da escola do Sesi de César de Souza. Causou-nos surpresa e indignação essa decisão totalmente equivocada, arbitrária e irresponsável.
A localização desse tipo de atendimento deve levar em conta o acesso aos usuários, transporte público e proximidade dos serviços dos quais serão necessários para o deslinde do inquérito policial, bem como a privacidade das vítimas, inclusive todas as vezes em que, no caso, a mulher terá que retornar à Delegacia.
É um absurdo pensar nessa mudança. Hoje, com a Delegacia da Mulher no Parque Monte Líbano, as vítimas já encontram muitas dificuldades para denunciar, não pela localização, mas pela falta de sensibilidade dos profissionais que ali trabalham. Com essa mudança, as denúncias serão ainda mais dificultadas, primeiro porque é um lugar de difícil acesso, sem trem, longe do ônibus, muito distante do Instituto Médico Legal (IML), onde as mulheres precisam fazer o exame de corpo delito.
Segundo porque, como se não bastasse passar pela vergonha desse mau atendimento, essas mulheres terão de ser atendidas em público, mostrando seus rostos e machucados para todos que estiverem nesse mesmo ambiente em que funcionarão, segundo o próprio prefeito, Delegacia do Meio Ambiente, de Investigações sobre Entorpecentes, unidades da Polícia Civil e até o canil da Guarda Municipal, ou seja, não haverá privacidade alguma.
De nada vai adiantar unir esforços para que a Delegacia da Mulher funcione 24 horas, mudança, aliás, que somente o Estado pode fazer e mais ninguém. Mudar para César de Souza e Juntar a delegacia especializada a outras de naturezas diversas será um grande retrocesso e desrespeito às vítimas tão vulneráveis, diante de um tipo de violência que só aumenta. Se o senhor prefeito o fizer, será em desfavor à nossa causa”.