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Padre Anderson, que trocou a passarela pelo altar, inova nas missas em Mogi

O chamado vocacional recebido ainda na infância, aos 10 anos, levou o paraense Anderson Lima a deixar a carreira de modelo, aos 18, para se dedicar ao sacerdócio. Foi esta mudança de vida, da passarela para o altar, que em 2018 o trouxe a Mogi das Cruzes, onde concluiu a formação em Teologia na Faculdade […]

Por O Diário
12/03/2023 07h30, Atualizado há 38 meses

O chamado vocacional recebido ainda na infância, aos 10 anos, levou o paraense Anderson Lima a deixar a carreira de modelo, aos 18, para se dedicar ao sacerdócio. Foi esta mudança de vida, da passarela para o altar, que em 2018 o trouxe a Mogi das Cruzes, onde concluiu a formação em Teologia na Faculdade Paulo VI e foi ordenado padre em 2022. 

Hoje, aos 32 anos, e à frente da Paróquia Santa Rita de Cássia, no bairro do Socorro, em Mogi, segue uma rotina inovadora de trabalho que vem garantindo novo ritmo à vida da comunidade, com atividades que atraem fiéis de diferentes faixas etárias e também de outros bairros da cidade, como as missas pelas almas, dos jovens (cura e libertação), da família, dos enfermos, das rosas e na casa dos moradores da redondeza, além da Escola da Fé, proposta de evangelização seguindo a doutrina católica que ganha cada vez mais adeptos.

A fórmula para lotar os bancos da paróquia a cada missa, conta Anderson, é “falar com Deus”. “Hoje, as pessoas não querem mais saber de um padre que fale de Deus. Elas querem ouvir um padre que fale com Deus, que esteja sempre em contato com Ele através de seu povo. É essa a diferença. O mundo precisa de padres e pastores que estejam dedicados totalmente à evangelização, mas que, primeiramente, falem com Deus”, revela.

É este caminho que Anderson busca seguir em seus sermões, homilias e reflexões junto aos fiéis, mesclando um pouco de poesia e música. “Transformo o que falo em poesia, assim fica um gosto suave de ser entendido, com um pouco de leveza, para que as pessoas entendam que o sentido da liturgia que celebramos está ligado ao que vivemos no dia a dia, à nossa vida, que já é marcada por tantas feridas. Também tenho usado músicas internacionais e MPB (Música Popular Brasileira)”, conta, revelando que gosta de escrever, inclusive poesias. 
O padre, que já publicou o livro “Entre nós, nada de nós”, defendendo que “as relações sejam construídas por laços, que enfeitam e não por nós, já apertam”, teve “O Pequeno Príncipe” na cabeceira, nos tempos de seminário. “Esse livro me abriu uma porta que até então era muito desconhecida, que é a poesia. Passei a escrever e a admirá-la. E, em Mogi, que é uma cidade maravilhosa, encontrei a poesia da minha vida, que tem encantado muitos corações na paróquia”, diz.

Este modo peculiar de evangelizar tem despertado a comunidade, tanto que a agenda de missas celebradas às terças-feiras nas casas dos paroquianos é disputada. “Quando comecei a fazer esse projeto de rezar nas casas, isso chamou atenção de muita gente, inclusive dos padres próximos, que também estão fazendo o mesmo, graças a Deus. Quem ganha com tudo isso é o povo, com a presença do padre na casa deles”, avalia.

Da mesma forma, a agenda de confissões também é concorrida “Quando cheguei na paróquia, elas aconteciam de segunda a segunda, não tinha um horário estipulado, mas começou a vir muita gente e eu não conseguia atender todo mundo, então pedi que as confissões e os atendimentos fossem agendados na secretaria da paróquia. Assim, consigo atender a todos”, conta.

Outra atividade idealizada por Anderson e que vem ganhando maior adesão na paróquia é a Escola da Fé, realizada todas as quintas-feiras, às 19 horas. “Muitos de nós não teve uma evangelização, uma catequese aprofundada na doutrina católica, na sagrada escritura, até mesmo na missa. Tem gente que vem à missa e não sabe o que tá rezando e celebrando. Acredito que é muito importante a Escola da Fé para nos fazer entender a palavra de Deus, a nossa doutrina e o que professamos na igreja. Aprendemos um pouco mais sobre Jesus Cristo, a Igreja, nós mesmos e por que somos católicos”, explica.

De modelo a padre

O chamado vocacional de Anderson Lima aconteceu aos 10 anos, quando ele acompanhava  a avó, Esmelina Silva, a uma missa dominical, na cidade onde ele nasceu, Irituia, no Pará. “Sempre muito religiosa, foi ela quem me levou para a igreja. Em um domingo, ela me falou: ‘Olha, te arruma que hoje a gente vai na missa. Eu nunca tinha ouvido falar sobre isso. Para mim, foi tudo muito novo, mas me arrumei e até chegamos um pouco atrasados na igreja. Lembro da minha avó segurando nas minhas mãos, quando coloquei os pés na porta da igreja e olhei o padre no olhar. Aquela cena não saiu mais da minha cabeça. Ao final da missa disse a ela que queria ser padre quando crescesse e fiquei dos 10 aos 14 anos ajudando na paróquia como coroinha”, conta.

Porém, aos 15 anos de idade, ele foi morar em Belém do Pará para cursar o Ensino Médio, onde uma prima o convidou para fazer parte de um ensaio fotográfico em uma agência de moda. “Estava no Ensino Médio e topei. Como eu tinha vindo de uma cidade pequena, foi um outro mundo novo, que me abriu oportunidades, mas a vontade de ser padre me perseguia, me inquietava, e eu não era feliz como modelo. Então, aos 18 anos, depois de três anos de fotos e desfiles, minha prima foi para o Canadá e eu não quis ir. Decidi entrar para o seminário, mas foi um processo e uma longa caminhada de maturidade e reflexão. São tantas coisas boas que acontecem na vida de um padre, de um vocacionado, de qualquer outra pessoa que sente o chamado de Deus… É uma vida voltada aos outros, à igreja, evangelização e espiritualidade. Este tempo da quaresma também é um momento de reflexão, mudança, cura, conversão e uma oportunidade para estarmos mais alicerçados na fé e com o coração voltado para Deus”, reforça. 

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